segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O valor da notícia

Por Stella Prado

Apesar de muitos consumidores não conhecerem o lado teórico da produção de conteúdo, entendem que a indústria da notícia limita o jornalista. Ao conversar com estudantes secundaristas nas escolas ocupadas do Paraná muitos relataram que alguns jornalistas de veículos de comunicação de massa que os entrevistaram são a favor das ocupações, mas por trabalharem em empresas que atendem ao interesse político e privado, seguiram a linha editorial do veiculo em suas matérias, publicando textos com conteúdo generalizado e tendencioso sobre a rotina dentro das escolas ocupadas.

Felipe Pena diz: “Embora o jornalista seja participante ativo na construção da realidade, não há uma autonomia incondicional em sua prática profissional, mas sim a submissão a um planejamento produtivo. As normas ocupacionais teriam maior importância do que as preferências pessoais na seleção das notícias”.

A seleção de noticias é uma das práticas do newsmaking e o valor-noticia é um dos critérios primários durante essa "filtragem". Todo jornalista sabe identificar o que é noticia ou não através do senso comum. Talvez por isso, os novos jornalistas prefiram trabalhar em mídias alternativas, que ofereçam mais oportunidade de liberdade para produção de conteúdo com senso crítico. O espaço plural que dispõe a mídia alternativa facilita o alcance a informação por qualquer pessoa onde quer que ela esteja, de forma a democratizar e descentralizar a informação.

Por esse mesmo motivo o diálogo dos secundaristas com a midia alternativa foi estável. Como as ocupações no Paraná pegaram a todos "de surpresa" e configuraram, sozinhas, o maior levante estudantil secundarista já registrado no mundo era preciso  uma cobertura mais ampla e aberta a reflexões. Aos poucos a mídia alternativa vai estendendo o papel de responsabilidade social que resta e que ainda não foi corrompido por interesses particulares.



terça-feira, 15 de novembro de 2016

A rotina industrial da notícia

Por Luiz Guilherme R Bernardo

Todo veículo de comunicação tem seus interesses próprios delimitados, dando direcionamento ao que noticiar e de que forma noticiá-los, sempre observando os critérios de noticiabilidade e os valores-notícia. O veículo também, de forma aparente ou tácita, divulga e expõe a notícia da maneira que, na visão do meio de comunicação, melhor o convêm.
Sabendo disso, as notícias são delimitadas, também, por instrumentos técnicos, pelo modo em que a redação ou o meio de comunicação se organiza, e pela sua rotina de produção. Entende-se, analisando a teoria do newsmaking, que as notícias são como são pois todos esses fatores as influenciam, criando uma rotina de produção industrial.
O veículo deve, sabendo disso, adequar sua rotina de produção aos fatos a serem noticiados. Até a notícia chegar ao receptor final há várias etapas a serem seguidas, desde a seleção de pautas de interesse público ou de interesse do próprio  veículo (que são exercidas pelo  gatewatcher e gatekeeper), até a logística de divulgação e entrega do fato noticiado.
A todo o momento ocorrem imprevistos e fatos não agendados, impensados, e que, a partir do conhecimento da rotina industrial do meio de comunicação, não são possíveis de se noticiar com profundidade. Assim, o tempo e a rotina devem ser organizados de forma que, segundo a opinião e a linha editorial do veículo, alguns fatos recebem mais relevância e atenção que os outros. A notícia, ao contrário do que diversas pessoas pensam, não é um reflexo da realidade, mas sim, uma construção dela. 



O jornalismo na era do Youtube


Por Luiz Guilherme R Bernardo
A forma já consolidada de se fazer notícia hoje se vê em cheque em relação às redes sociais e os novos meios de comunicação. As novas tecnologias advindas da revolução digital mudaram drasticamente a forma em que as notícias e os produtos culturais são recepcionados.
A antiga e extensa redação dos meios de comunicação se reduziu notadamente, norteadas justamente pelas novas rotinas das pessoas acostumadas com as novas tecnologias (ex: computadores, celulares e tablets)  e como elas consomem as notícias e os produtos ofertados por elas.
Hoje qualquer pessoa tem a possibilidade de criar e divulgar informações na web, independente da idade, da experiências e dos conhecimentos práticos. Uma postagem ou publicação despretensiosa pode ter um alcance antes nunca imaginado, e só conseguido pelas grandes mídias. 
A produção elaborada e sem erros já não é tão necessária na visão deste receptor com novos hábitos. O entretenimento se tornou uma das maiores vertentes da comunicação contemporânea, e uma das que mais geram lucros.
Hoje, um brasileiro, tem o segundo maior canal no youtube no mundo. Um nordestino irreverente, de vida simples, conseguiu, com apenas uma câmera e boas idéias, se tornar um dos maiores formadores de opinião do Brasil.

As mídias tradicionais, observando este fenômeno, sentiram-se na obrigação de se adequar aos novos gostos dos receptores modernos. Observa-se, que até os jornais televisivos, com características consolidadas há anos, estão tentando adaptar-se. Tenta-se criar uma conversa direta e pessoal, assim como se faz no youtube pelos novos ídolos midiáticos. Além disso, por meio do gatewatcher, as mídias tradicionais incorporam estes novos símbolos. Até mesmo a qualidade da imagem não se faz tão necessária como antes. Os repórteres entram ao vivo com péssimas imagens em sua qualidade, parecendo não mais se importar com a qualidade técnica a ser transmitida, mas sim, a mensagem e a forma a qual é passada.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Perspectiva do jornalismo na vida

Perspectiva do jornalismo na vida

Por:Heloísa Masetto

A vida é feita de fatos. O jornalismo, idem. O que os diferencia, no entanto, é a relação direta que cada um estabelece com os fatos. Enquanto na vida o dia-a-dia é construído pela sucessão de fatos (fazendo dessa forma com que pelo somatório de acontecimentos se desenrole a vivência cotidiana), o jornalismo tem uma relação pontual com os fatos cotidianos (relação esta que sofre a influência de um âmbito temporal distinto do real). Enquanto na vida os fatos acontecem em tempo real, no jornalismo, geralmente, os fatos são vistos após sua ocorrência, são vistos como quando observados por um olhar voltado para o passado.

Dessa forma, torna-se evidente que a abundância de fatos aos quais a vida está sujeita também incorre no âmbito do jornalismo. Assim, a quantidade de material “noticioso”, o montante de informações que estão pelo ar e que podem – e devem! – ser noticiadas obriga as redações jornalísticas a adotarem uma organização interna toda especial. Elas trabalham como se fossem empresas, divididas em diferentes departamentos, cada um com suas funções específicas e totalmente necessária para o bom funcionamento do processo de produção da notícia.

O newsmaking se preocupa em estudar justamente as práticas de rotina industrial adotada pelos veículos jornalísticos. Dentre as tarefas que recebem maior destaque em sua evidência, pode ser citadas a seleção dos fatos (para saber aquilo que, realmente, tem perfil de notícia), a definição da abordagem conferida a cada assunto tratado e a organização temporal e espacial de todos os trabalhadores envolvidos nesse processo.

De qualquer forma, a certeza que fica é a de que o nesmaking, antes de uma teoria, é uma esquematização prática das rotinas de produção e distribuição das notícias, quando aplicadas aos diferentes acontecimentos “noticiáveis” aos quais todos nós estamos sujeitos diariamente.

Fábrica de notícias

Fábrica de notícias





Por: Heloísa Masetto

Com a tamanha contingência de informações que as salas de redação são bombardeadas diariamente, foi necessário estabelecer critérios e níveis de classificações capazes de qualificar o grau de importância de um fato. Para então, torná-lo notícia.
A profissão, mais do que nunca, depara-se com um desafio diário: correr contra o tempo. Os ponteiros do relógio desafiam o jornalista, que precisa depurar os fatos e transformá-los em notícia.
O jornalismo passa a configurar, então, mais uma fabriqueta gerida pelos moldes propostos pelo fordismo. A produção de notícias se tornou uma indústria de fabricação em série, com prazos e metas a serem cumpridos.
Quem se interessou pelo jornalismo justificando admiração por um ofício que não tem rotina, se enganou profundamente. A profissão também está inserida no sistema capitalista e sofre as mesmas cobranças pela produtividade.
Para estudar os efeitos da qualidade da notícia, causados pelo processo de seleção das informações surgiu a Teoria do Newsmaking. Ela investiga a cultura de trabalho dos profissionais e como se comportam durante a produção de conteúdo.
O Newsmaking aborda a industrialização das informações e como os jornalistas se preparam para discernir e avaliar a importância dos fatos. Torna-se notícia aquilo que o veículo e os editores consideram informações pertinentes.
Os profissionais se baseiam em critérios e julgamentos de valor sobre os fatos, previamente aceitos por convenção pelos profissionais do mundo inteiro. São classificações que buscam ir ao encontro do interesse do público, como proximidade, relevância e importância dos indivíduos envolvidos na notícia.

sábado, 22 de outubro de 2016

No Newsmaking, nada new is made!


 Luiz Mourão

A teoria do newsmaking consiste em apontar as limitações impostas pela indústria da notícia ao jornalista. O termo remete ao “fazer da notícia” e, embasado nesse processo, busca demonstrar que existem critérios de noticiabilidade muito mais importantes para a confecção de uma matéria do que as escolhas e os parâmetros de quem a produz. Desta forma, as reportagens que nos informam diariamente podem até ter diferentes estruturas e formas organizacionais, entretanto, independente do meio e veículo que são publicadas, representam um mesmo padrão para serem escolhidas e disseminadas.

A Operação Lava-Jato, que há dois anos e meio consta regularmente no dia-a-dia de qualquer portal de notícia, tem suas novidades publicadas de acordo com uma ordem cronológica, o grau de importância dos novos fatos e com as linhas editoriais de cada veículo. Ao compararmos a maneira com que cada um trata as novidades, notaremos que paralelamente ao gatekeeping, ou seja, o filtro dos editores (que é por si só um padrão da indústria e assim pode ser encaixado com uma das peças do processo de newsmaking) observa-se que independente de o que for considerado mais noticiável para cada jornal, será tratado de forma  similar. Isto se reflete na maneira com a qual se apura, se diagrama, se pauta e se publica cada matéria.


A obrigação do leitor para consigo mesmo é compreender que ele não tem que julgar notícia para si tudo o que o que as mídias considerem com alto valor-notícia. É necessário que se tenha conhecimento dos métodos de seleção e que esse valor é apenas um indicativo subjetivo que tenta medir o grau de importância dos acontecimentos. Ao consumidor cabe, portanto, ter noção de sua posição de vulnerabilidade frente a cenários facilmente manipuláveis.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O Gatekeeper do dia-a-dia

Leticia Garib

Que a verdade seja dita: todos exercemos a função de gatekeeper diariamente. Cada vez que selecionamos apenas as informações que nos favorecem para relatar um acontecimento. Essa atitude vem com o ser humano desde a infância, quando a criança prefere esconder o giz de cera que usou para pintar a parede e então coloca a culpa no irmão ou até no cachorro. O que essa criança fez foi admitir que o fato aconteceu, porém, omitindo o que a condenaria.

Tudo bem, pode parecer um pouco chocante o medo de uma ingênua criança ser comparada a um adulto maduro e consciente de seus atos. Darei, então, outro exemplo. Quando, em uma discussão dois adultos brigam a respeito de qualquer mal entendido que tenha acontecido, os dois costumam falar sempre o que realmente aconteceu? Eles relatam todos os fatos? Ou eles utilizam as informações disponíveis para ganhar a discussão?

O que diferencia o gatekeeper do que fazemos em nossa vida pessoal, é que ele é um profissional pago para defender os interesses e linha editorial de um jornal. E se nós, costumeiramente utilizamos desta artimanha para nos favorecer, por quê os jornais não devem fazer o mesmo?

O que nos falta é aprender a jogar com as cartas que temos nas mãos. Precisamos sim lutar e reivindicar melhorias, mas até lá, reclamações, protestos e textões em redes sociais farão alguma diferença? É claro que não!

Se essa é a regra do jogo então joguemos como se deve. Se os jornais precisam noticiar apenas o que lhes interessa para suprir seus interesses, então é claro para mim que apenas uma fonte de informações não pode ser utilizada quando queremos nos informar realmente. E isto é muito claro quando comparamos apenas as manchetes das mesmas notícias em jornais diferentes.



Cada jornal precisa defender seus próprios interesses, cabe a nós aprender a nos informar com qualidade em meio a tudo isto. Eu sei que o tempo é curto e há muitas coisas a fazer, mas não acredito que ficar de birra com os jornais só porque eles não falam sobre ou como você gostaria seja uma solução para o problema.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Influenciando uma sociedade machista

 Por Patricia Munhoz, 3° período de jornalismo

Pleno séc. XXI, a mulher continua lutando pela a igualdade. No entanto, ainda vivemos uma sociedade sexista e machista. Uma sociedade em que uma mulher é exaltada por ser “recatada e do lar”, que é discriminada por amamentar em locais públicos, uma sociedade em que se justifica o estrupo com “ah, ela pediu por isso”.
A mulher luta contra essa sociedade a muito tempo, mais tempo do que podemos imaginar. Agora, já está clara a única forma de vencer essa luta, a único modo é mudar  a mentalidade da juventude. Afinal, os jovens são nosso futuro e são eles que devem entender e praticar o conceito de igualdade.
A luta pela igualdade não é só para as mulheres, mas para todos que de alguma forma se sentem excluídos do meio social, é isso que os jovens devem saber e esse respeito deve ser natural, deve ser cultura.
Entretanto é difícil incumbir ao jovem tamanha responsabilidade, se é justamente o contrário que é mostrado de forma disfarçada pelas mídias. Essa tem o verdadeiro poder de influenciar o cidadão.
Alguns dias atrás, um jornal televisivo – não é preciso dizer nomes, mas quem viu a notícia, saberá – fez uma matéria sobre a administração dos gastos de uma família. Repórter com muito humor, simpática com os entrevistados, mas mostrou uma realidade que não é a única. Ou seja, um casal em que a mulher é a que gasta sem pensar e o homem é o que segura e gasta no que é necessário.
Analisando de forma bem crítica a reportagem, ouso dizer que essa nem reportagem era. Apenas mostrava uma entrevista com um casal e, no final, a entrevista com um economista, porém, esse não falou nada de útil para se diminuir os gastos. As conversas entre a reportagem e os personagens eram rasas e descontraídas, como  se fosse uma conversa de amigos.
Mas aqui o que nos interessa é dizer que a reportagem, mesmo disfarçando com brincadeiras de descontração, deixou clara um posição de machismo, rebaixando a mulher como alguém incapaz de administrar as contas e isso sendo o papel do homem da casa.
Ou seja, a mulher gasta com futilidades, enquanto o homem trabalha para pagar as contas. Voltamos no tempo, essa matéria é um retrocesso anulando tudo o que as mulheres já conquistaram e toda luta percorrida.
Após essa reportagem, o jornal seguiu com diversas matérias sobre futilidades e, muitas das quais, direcionadas a mulher. Como a “notícia” sobre as ideias de lustre para sua sala de jantar.
Então, a mídia influencia a opinião pública e essa influência ocorre dependendo do interesse do veículo de comunicação. Por exemplo, o jornal citado a cima passa num horário especifico da semana, a partir disso, ele sabe qual é seu público alvo.
Através disso, o jornal sabe qual é o tipo de matéria que ele precisa passar, sabe o que vai atrair seu público alvo.

Logo, isso ocorre unicamente por um interesse em números que representam seu público. Porém, matérias como essa são extremamente influenciadoras no tipo de sociedade em que vivemos hoje. Uma sociedade que não vê problemas em reportagens como essa citada no texto.
Mulheres têm poder

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Quem pauta quem?

Por Beatriz Mira, 3º Período de jornalismo

Então, a pergunta que fica é: Essa manipulação dos fatos ocorre por causa dos veículos ou por causa dos indivíduos?”. Foi com essa questão que fechamos o nosso último texto. Sugiro aqui, para começarmos o raciocínio, uma breve reflexão: E se a mídia noticiasse tudo que o público diz que deve ser noticiado? E se quem pautasse o Jornal Nacional fossem os espectadores?

Estaríamos lidando com uma inundação de informações que nem sempre seriam relevantes para o nosso dia a dia. Um exemplo claro disso é a seção Painel do Leitor do jornal Folha de São Paulo. A editoria traz apenas notícias pautadas por leitores, que quase sempre, carecem de relevância. Manchetes que abordam temas como ruas esburacadas ou outro problemas de bairro compõe a página. “Ponto Frio não trocou câmera fotográfica com defeito” e “Casa Suíça não troca bolo com pedaços de plástico” são alguns exemplos.

O que a população as vezes falha em perceber, é que faz parte do papel do jornalista selecionar o que é notícia, e ela precisa disso. Se uma dia o povo viesse a pautar o jornal, seria como aquele filme em que as crianças ficam sozinhas, sem os pais, e acham o máximo no começo, mas depois percebem que não são capazes de administrar uma casa ou o que for sozinhos.


O povo paga o jornalista justamente para cumprir essa função, e depois, reclama. É claro que não devemos generalizar e nem apelar para os extremos. Até por que ao lado da notícia sobre o bolo com plástico da Casa Suíça, vemos “Água falta 24 horas por dia, três vezes por semana”, na região onde a leitora mora. Pode não ser notícia para o país inteiro, ou nem sequer para o resto da cidade de São Paulo, mas outra parte da função do jornalista é dar voz para aqueles que não a tem.

A editoria da folha pode acabar parecendo um fórum de reclamações, mas também pode ajudar uma comunidade a chamar a atenção da prefeitura para algum problema. O que precisamos, no jornalismo e na vida, é um equilíbrio entre as duas partes. A participação do leitor já é uma realidade para nós e não devemos tentar muda-la. Ao mesmo tempo, o leitor deve entender que é necessária a existência de um “filtro”, que seleciona e interpreta os fatos, até para o seu melhor entendimento. Trabalhando lado a lado, a parceria entre imprensa e sociedade pode ser poderosa, no melhor dos sentidos.


domingo, 16 de outubro de 2016

Esporte na mídia


Por: Patricia Munhoz, 3° período de jornalismo

Esporte no Brasil, futebol na Televisão. Ou seja, o esporte é muito valorizado pela mídia brasileira, principalmente o futebol. A todo momento é possível saber o que está acontecendo no mundo do esporte.
É verdade que o editorial de esporte rende muitos leitores e/ou espectadores para os veículos de comunicação. Inclusive, é possível dizer que rende mais que uma notícia sobre como está a economia do Brasil.
Devido aos avanços tecnológicos que facilitam a democratização da informação, os veículos de comunicação precisam se preocupar ainda mais em manter seu público alvo. Por isso, os veículos devem abordar assuntos que sejam do interesse da maioria.
No entanto, será que essa preferência pela editoria de esporte não é provocada pela própria mídia?
É possível perceber que, às vezes, as notícias de esporte são usadas para mascarar um outro assunto de extrema importância para a população. Isso ocorre, dependendo dos interesses do próprio veículo.
Assuntos relacionados à política, economia e problemas sociais até são transmitidos pelas mídias, mas os números de reportagens sobre esportes/futebol são tão saturados que acabam ocupando todo o pensamento dos indivíduos.
Por exemplo, alguns jornais estão dando mais enfoque a notícia sobre a polêmica do Atletiba e têm os portais que colocam como manchete principal a notícia sobre o time do Paraná ter perdido. Isso em um momento de grandes mudanças na educação, por causa da aprovação da PEC 241, também há o segundo turno das eleições municipais e as reviravoltas na política causada pela investigação da Lava Jato.

Com certeza as notícias de esporte também são relevantes, mas o que se percebe é uma supervalorização desse tipo de notícia em detrimento das notícias que são de extrema importância para a população, ou deveriam ser.
Como já disse no começo do texto, todo veículo precisa de público e para isso é preciso noticiar o que interessa a maioria. Todo jornal conhece o seu público alvo e vai focar nele, por esse motivo, dará mais ênfase a um gênero de notícia que outro.
No entanto, isso não justifica o que muitos veículos estão fazendo. Noticiando da menor forma possível questões como a PEC 241 e as ocupações nas escolas e enaltecendo notícias como o time que perdeu um jogo de futebol.
Há dois motivos para esse fenômeno ocorrer. O primeiro é que as pessoas estão se mostrando cada vez mais desinteressadas em assuntos complexos e nada “divertido”, o segundo motivo é o interesse dos veículos.
Esse segundo motivo é mais complexo, já que o papel do jornal é informar, isso não se discute, mas cada veículo vai falar sobre o que lhe convém, o que é um problema, pois, como ele decide o que lhe convém?
Vai depender do público que aquele veículo atrai e, também, dos interesses relacionados a política. Por mais que todo jornal e jornalista devam ser imparciais, a realidade é outra.
Todo veículo vai enveredar para um lado da política, e num momento como esse efervescente no ramo da política do país, com a indignação da população, os veículos acabam mostrando ainda mais o lado deles.
Independente disso, o fato é que o jornal tem o poder de escolher o que quer dar de notícia ao seu leitor ou espectador. Esse poder existe desde sempre e está cada vez mais forte.
O problema que esses veículos enfrentam é a Internet. Com os avanços tecnológicos, as pessoas não possuem mais apenas o veículo tal para saber o que acontece no mundo. Agora, há o acesso facilitado por vários jornais de linhas editoriais completamente diferentes.

Então, a pergunta que fica é: Essa manipulação dos fatos ocorre por causa dos veículos ou por causa dos indivíduos?



sábado, 15 de outubro de 2016

Pautas arbitrárias, inundação de informações

- Leticia Garib


Antes de começar a discorrer sobre o assunto, quero te fazer uma pergunta reflexiva: o que você faria se ninguém selecionasse as notícias para você? A mídia é julgada constantemente por escolher quais temas são pertinentes ou não para suas reportagens, mas e se todo tipo de assunto fosse escrito? Você acha que leria? Pagaria por isso?

Não discordo da acusação de que a mídia é manipuladora. Quando quer, de fato ela é! Porém deixo meu ponto de vista: qual foi a última vez que você buscou uma informação sozinho? Quando foi que você entrou no site oficial de alguma organização em vez de pesquisar sobre isso no google ou em algum jornal?

Se existe alguém que faz isto, fico surpresa. Mas é sua culpa não fazer isto? Absolutamente não! Porque é para realizar estas tarefas que existem os jornalistas e é isto o que você espera deles. Agora, querer acusa-los de cumprir exatamente a tarefa que você espera que eles façam já é demais.

Se todas os releases que as redações recebem diariamente fossem transformados em matérias, não haveria jornal que coubesse tanta informação. Vocês nos dizem: publiquem todos os fatos e não apenas aquilo que vocês querem; e nós lhes respondemos: não é isso que vocês querem de verdade.

Vivemos em uma sociedade imediatista que quer tudo na mão. O que vocês querem não é mais informação – já que não leem nem as que já estão disponíveis. Querem é viver na ilusão de que são bem informados, enquanto continuam se alimentando apenas daquilo que a mídia quer que vocês saibam.

Reclamar de um sistema não faz com que você saia dele. Afinal, você só pode se revoltar contra ele porque o próprio sistema permite que você faça isto. A minha crítica não é aos jornais que selecionam as pautas e nem aos consumidores que confiam estas decisões aos jornais, mas à grande problematização que se dá em torno disto.

Se existem tantos jornais que publicam matérias distintas e com pontos de vistas diferentes e outras milhares de mídias alternativas por aí, por quê insistir para que determinados jornais publiquem outros assuntos além daqueles que são de seus interesses? Se você não gosta do que um jornal escreve, o leia e aumente seu conhecimento.

Cada jornal tem o seu ideal, a sua linha editorial e sua própria opinião sobre diversos assuntos, se o leitor tem a opção de escolher por qual ele deseja se informar, ótimo! Você não precisa querer mudar um determinado jornal só porque ele não publica o que você acha que ele deve publicar.

Não julgue os jornais por cumprirem o papel que você confiou a eles. Se acredita que as coisas deveriam ser diferentes, não é criticando os jornais que você vai conseguir essa mudança.



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Antes não informado do que mal informado


Por Beatriz Mira, 3º período de jornalismo

Hoje em dia, se informar pela internet é um ato básico para a grande maioria das pessoas. Ouvimos tantas características maravilhosas sobre a internet que fica difícil, especialmente para uma estudante de comunicação de 19 anos, discordar ou questionar a sua veracidade.

Recentemente, me vi inserida em um exercício acadêmico, um desafio por diversos motivos, de subir ao palco durante um evento, e explicar por que não é possível se informar na internet com profundidade. Meu primeiro pensamento foi: “passei a vida inteira defendendo a internet, como posso criticá-la agora?”

Com um mínimo de pesquisa, descobri que é sim possível, e necessário, criticar a internet. Inclusive, fiquei assustada com a facilidade que tive na execução deste trabalho. Mas vamos começar do começo. O que exatamente eu estava criticando? O que o outro grupo, que se colocou favorável à internet, iria dizer? A internet é veloz. É multimídia. É democrática.

Ela permite que um grande número de pessoas aprendam, e tenham suas vozes ouvidas. Ela dá visibilidade e vida a meios de comunicação alternativos, que, teoricamente, não tem “rabo preso” a nenhuma figura importante da sociedade.

Não posso negar: essas características são todas reais. Mas, infelizmente, nenhuma delas se associa à profundidade, e à qualidade da informação. Não existe velocidade ou multimídia que compense informações erradas. É incrível que pessoas ao redor do mundo tenham uma plataforma mundial para expressar suas opiniões, mas isso também dá espaço à viralização de mentiras e “notícias” tendenciosas.

Mesmo os grandes portais de notícia, julgados confiáveis, publicam mentiras e informações erradas. Três das cinco notícias mais compartilhadas na semana do impeachment da ex-presidente Dilma, eram falsas. Notícias que foram escritas, publicadas e divulgadas por “portais de notícia confiáveis”.  A velocidade da web não é saudável e adequada para o jornalismo.

Não é segredo que na internet o compromisso da maioria dos veículos noticiosos é com a quantidade de acessos, e não necessariamente com a qualidade do texto e da apuração. Por isso, muito do conteúdo que vemos na web foi selecionado por alguém, que entende o que o público quer. Alguém, (uma pessoa, um veículo, ou até uma espécie de  senso comum dentro da redação) que acaba pautando os assuntos tratados na vida das pessoas que leem aquele jornal.

Essa figura se tornou uma entidade descentralizada com o advento da internet, mas ainda existe. Existe em cada um de nós, quando escolhemos postar o clássico “textão” no Facebook, ou quando escolhemos quais páginas seguimos ou não.

O conceito de bolha ideológica é facilmente aplicado a essa situação. É muito fácil para o indivíduo entrar na web e achar sites, blogs e páginas que falam exatamente o que ele quer ouvir. E, na maioria dos casos, ele acaba ficando restrito a opiniões como as dele, e a mercê de falsas informações. O resultado? Uma sociedade alienada, cada um na sua ideologia, sendo mimada pelos meios online que ela segue. Mídias online podem não ter “rabo preso”, mas todas partem de um ponto de vista.


A internet pode ser uma ferramenta maravilhosa para se entender diversos pontos de vista e para analisar o público que a usa, se quem estiver pesquisando saiba o que está fazendo. Como todo bom jornalista, o nosso dever se aplica a todos que usam a internet: desconfie e questione tudo o que lê. Só assim o ato de se informar com profundidade e qualidade se torna possível.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Por Patricia Munhoz, 3° período de jornalismo

Mais participação cultural e mais informação


Com tanta tecnologia rodeando o indivíduo fica difícil dar atenção a cultura de proximidade – ir a museus, teatros, cinemas -. É obvio que é possível ter todas as informações sobre artistas e qualquer cultura dentro do seu quarto com um computador no colo.
Entendemos a palavra cultura aqui como as atividades culturais que a cidade de Curitiba nos oferece em todas as áreas possíveis, como literatura, arte plástica filmes entre outros.
A facilidade que a tecnologia nos proporciona está anulando o hábito de sair da zona de conforto e buscar atividades culturais pela cidade. Curitiba oferece muitos eventos, bienais e encontros culturais para todos os gostos.
Admito que ainda há uma precarização na divulgação. Se você espera que apareça na sua frente uma oportunidade de participar, espere sentado. Essa falta de informação ocorre devido a hierarquia de assuntos escolhidos pela a agenda da mídia, muitas vezes, o veículo divulga eventos culturais que lhe rende alguma coisa. Nesse caso, o interesse do receptor/leitor é desvalorizado.
Para poder conhecer melhor nossa cidade, nossa cultura e diversas outras, faz se necessário ir atrás. Ou seja, fuçar diversos sites, ficar atento as notícias de cultura e, muitas vezes, professores dão dicas de eventos rolando no local.
Assim como os veículos selecionam o que querem passar para seus leitores/expectadores, nós devemos escolher o que queremos receber de informação. Para conhecer mais as atividades culturais do munícipio é preciso selecionar as mídias e veículos que irão nos fornecer as informações necessárias para nossos interesses individuais.
A exemplo, em Curitiba todo ano tem o Litercultura que é um evento gratuito e que traz diversos escritores, até de fora do Brasil, para dar palestras sobre suas obras. Esse ano além de abordarem os assuntos referentes as obras, os escritores trouxeram a suas “conversas” assuntos de questões sociais, como os problemas que refugiados enfrentam, e também questões políticas.
Entretanto para saber sobre o evento era difícil, pois só tinha no próprio site deles. A pergunta que devemos fazer é: por que um evento tão bacana como esse, não é divulgado ou é muito pouco? Por que existe a falta de interesse da mídi com relação a assuntos culturais?
No entanto, independentemente dessa dificuldade o que falta na sociedade, principalmente por parte dos jovens, é deixar a preguiça de lado. Também é preciso lembrar que apesar da internet ser algo muito bom e um facilitador em nossas vidas, nada substitui o pessoal, ou seja, ir ao local, ver de perto, pegar um livro na mão, ter um contato real com as experiências.
Acredito que todo tipo de cultura é válido. Por exemplo, você pode gostar mais de literatura clássica brasileira, mas isso não pode te impedir de conhecer a Bienal de Quadrinhos. Inclusive apesar de ter tido relevância na agenda da mídia local, a maior vinculação de informações sobre a Bienal ainda foi o Face book.
Ou seja, talvez as redes sociais estejam tendo mais força na divulgação de notícias sobre atividades culturais do que as mídias em si. É possível que as redes sócias como Face book e Twitter estejam mais preocupadas em passar tais notícias.

Questão: Como você vê essa questão em Curitiba?


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A influência da mídia

Os meios de comunicação funcionam como instrumentos de influência na compreensão da realidade. Mesmo que a teoria do agenda setting não defenda que a imprensa pretenda persuadir, é claro o seu poder de influência. Segundo o pesquisador Donald Shaw "as pessoas têm tendência para incluir ou excluir de seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo".

A mídia pode ser considerada como o quarto poder, pelo seu alcance, grande fonte de informação e entretenimento. Porém, seu grande "problema" seria na seletividade do conteúdo, pois somente o que é de seu interesse estaria exposto ao público.


Fernanda, Natalie e Luis Gustavo - 3° Período

terça-feira, 27 de setembro de 2016

E se eu tomasse como base todas as manifestações?

Crítica ao texto “O poder da internet”                     

Será que realmente os jornalistas cumprem a função de maneira correta em relação à cobertura de uma manifestação? Se pararmos para pensar, manifestações acontecem por diversos motivos, sendo que algumas ganham mais importância que as demais, eu acredito que isso incorreto por parte da imprensa. Partindo do pressuposto que o poder do povo é muito forte, a mídia tem que tomar como base a importância de toda ou qualquer manifestação que acontece no Brasil. Sendo assim, é função dos veículos de comunicação apontar os dois lados, tanto o positivo como o negativo dos acontecimentos de uma manifestação social. 

Por: Luís Gustavo Ribeiro - 3° Período

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O poder da internet

A internet, além de ter poder de filtragem e de disseminação de informações com potencial jornalístico, pode agrupar pessoas com mesmas ideologias. As manifestações ocorridas no Brasil são um exemplo, organizadas e divulgadas nas redes sociais, saíram do virtual para o real graças a esses poderes. 

Segundo o conceito jornalístico gatewatching, as redes sociais não produzem notícias, mas sim elementos noticiosos, e é o papel dos jornalistas observar esses elementos. De acordo com a pesquisadora Raquel Recuero, é preciso aprofundar os estudos de como as práticas sociais de difusão de informação nas redes sociais podem impactar as práticas jornalísticas e em que medida essas colaborações podem acontecer. 

Um dos grandes desafios dos jornalistas em cobrir manifestações consiste em questões operacionais em relação à verificação das informações. Além de tudo, quando a notícia é transmitida na televisão, ela pode acabar sofrendo cortes, e com isso, distorcendo alguns acontecimentos.



Por: Natalie Bollis e Fernanda Arantes - 3° Período

sábado, 24 de setembro de 2016

Crítica ao texto "Homenagem ou sensacionalismo?"

Sobre o texto homenagem ou sensacionalismo, acredito que é papel da mídia cobrir fatos espetaculares que acontece dentro das mesmas, como foi o caso da morte do autor Domingos Montagner, que atuava na novela “Velho Chico” da Rede Globo. A emissora produziu várias homenagens para o artista, transparecendo ao público uma forma de gratidão pelo trabalho prestado a Globo, Sendo assim, compro a ideia que a discussão não deveria ser o sensacionalismo em cima da morte do autor, a grande questão a ser discutida é se autor não fosse da Globo e sim da concorrência, a emissora Global daria a mesma importância para morte? Acredito que não, pois infelizmente a mídia ou emissora em seu agendamento vai dar maior importância a notícias dentro de seus interesses. Penso que com a morte do autor, a audiência da novela Velho Chico deve subir, pois a curiosidade das pessoas aumenta para saber como vai ser os próximos capítulos da novela daqui pra frente. 

Por: Luís Gustavo Ribeiro - 3° Período

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Homenagem ou sensacionalismo?

Os meios de comunicação medem e filtram as informações, decidindo o que deve ou não ser veiculado. De acordo com a teoria do agendamento, os veículos de comunicação nos dizem no que pensar e como pensar sobre as notícias divulgadas por eles. Segundo a teoria, a mídia tem grande influência e causa mobilização, pois escolhe os temas e pautas mais relevantes para levar ao público.

Quando acontecem notícias espetaculares, como a morte de alguém em evidencia, a mídia pode acabar mudando o foco de sua programação para cobrir o evento. Um exemplo recente foi a morte do ator Domingos Montagner, que atuava na novela “Velho Chico” da Rede Globo. Com o falecimento de Montagner, percebemos a mudança do plano de notícias, como no programa matinal “É de Casa” da TV Globo, que deixou de exibir pautas anunciadas na semana para transmitir ao vivo o velório do ator.

No caso da morte de Montagner a imprensa se mostrou muito engajada em homenageá-lo, porém, acredito que tenha sido exagerado cobrir o funeral, um momento tão particular e de luto da família. Invadindo a privacidade da esposa, filmando-a em uma hora complicadíssima de sua vida. Passa a sensação de sensacionalismo, pois ultrapassa a linha tênue entre homenagem e exagero.

O agendamento não acredita que a imprensa tente persuadir o público, mas sim fazer com que eles incluam ou excluam certos pensamentos próprios sobre o assunto e levem-nos em suas conversas do dia-a-dia. Tudo isso ocorre, pois a mídia cria e mantém a relevância dos temas, produz a informação de forma mais semelhante, está em todos os lugares e sabe sua influência. Porém, por saber de sua influência, às vezes acabe passando uma imagem apelativa, repetindo e repetindo exaustivamente assuntos pesados ou delicados, a ponto de cobrir a curiosidade (às vezes mórbida) do público.

Alguns programas televisivos tendem a interferir em certos casos policiais ou tragédias, porém, como imprensa não é polícia, não é responsável e nem tem amparo legal para substituir o papel da polícia em investigar os crimes. A mídia, ao interferir nos fatos, passa a decidir o que é correto ou não, legitimo ou não, sendo juiz de uma situação pela qual não tem legitimidade para decidir. Cobrir esses tipos de eventos impõe aos jornalistas uma série de contrariedades ligadas à ética da cobertura.



Por: Fernanda Sobocinski Arantes - 3° Período