quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Análise midiática

RAMONET/ SILVERSTONE

Com a globalização e a revolução digital, os diversos meios, desde a informação até a publicidade, tornaram-se membros componentes de uma mesma esfera na comunicação. Devido a este contato diário e cada vez mais intenso com o meio comunicativo, tais ferramentas passaram a ser indispensáveis à sociedade. Por isso, as fronteiras antes existentes entre a mídia e a comunicação agora são minoria.
Os aparelhos de comunicação tiveram uma evolução representativa. O universo da imagem, do texto e do som se tornou um só universo, caminhando juntos. Hoje, não se tem somente um aparelho de telefone destinado à utilização sonora, sua utilização se tornou muito mais ampla, englobando a imagem e o texto, por exemplo. Essas novas máquinas permitem a realização, cada vez mais, do que cada aparelho antes possibilitava realizar separadamente. Assim também é o universo da internet, em que se encontra tudo em um lugar só, ou seja, mídias variadas em um único meio, como televisão, rádio, imagens e sons.
Com as empresas não tem sido diferente, segundo afirma Ramonet. Através do poder midiático, várias empresas unificam-se e criam segmentos de mercado diversos para ter um amplo comércio em áreas distintas. Ramonet exemplifica com o grupo Time, especializado em cinema, juntamente com o grupo Warner, o qual tem televisão aberta e canal a cabo. De acordo com o autor, isto está virando um espetáculo aos olhos dos empresários.
Em tal contexto, o que se tem diante dos olhos não é o mundo da informação apenas, mas um universo bem complexo, no qual os atores principais da globalização, as grandes empresas, desempenham, além do mais, um papel muito importante no campo da informação.
Porém, a informação não é tratada como ocupante de sua função inata: informar. Para alguns grupos, ela tem se tornado mercadoria, em que a compra e venda dessa é somente pra a obtenção e lucros. A segunda característica da informação é a velocidade com que chega até o consumidor. Ou seja, ela tem deixado de ser informação para ser imediatismo, não restando tempo suficiente para a devida análise dos fatos noticiados. Já a terceira, é o fato de a publicidade ser incorporada ao jornalismo. Em muitas empresas jornalísticas, o preço de venda de uma informação é alto e, se for analisado, o real valor pago pelos consumidores é relativamente baixo, por isso as campanhas publicitárias são a principal estratégia de mercado para os empresários. “Antes podíamos dizer que uma empresa jornalística vendia informação aos cidadãos. Era a sua forma normal, enquanto hoje uma empresa midiática vende consumidores a seus anunciantes.”, afirma Ramonet.
Analisando o discurso da informação, da publicidade ou da cultura de massa, observa-se que ele apresenta, retoricamente, as mesmas características. Em primeiro lugar, é um discurso rápido, em que não há efeitos longos; na imprensa, os artigos são cada vez mais curtos, as frases são breves, os títulos impactantes, como um modelo publicitário ou qualquer discurso da cultura de massa. Primeira característica: a rapidez para evitar o tédio. Segunda característica: a simplicidade. O discurso dominante, nos grandes sistemas midiáticos, é muito elementar, é um vocabulário que todo mundo possui, é uma construção sintática, uma construção retórica que todo mundo pode entender. No cinema, no rádio, na literatura de massa, as características são as mesmas, ou seja, a simplicidade da construção. A terceira é utilizar constantemente algo que se poderia chamar de elementos de espetacularização, de dramatização: o riso, por exemplo, no discurso publicitário; o discurso eufórico ou a tragédia no discurso do noticiário. Fazer rir ou fazer chorar. Em todo caso, expressar-se através das emoções.
Para Roger Silverstone, a relação mídia e a sociedade são chamadas de senso comum, porque se navega em um espaço sozinho e coletivo o tempo todo, onde a experiência de vida tem relação com a comunicação e a informação. Silverstone cita que, ao assistir a um programa de televisão, sua interpretação será de acordo com toda sua experiência.
Porém, muitas vezes toda esta bagagem é manipulada pela mídia. Esta, diz o autor, induz e modifica a vida das pessoas. Para ele, essas intervenções na sociedade poderiam e deveriam criar um pensamento crítico-reflexivo sobre os meios de comunicação. O que eventualmente acontece, deixando o meio sem cumprir sua missão perante seus receptores.


BAUMAN/ POLISTCHUCK

“Um assentamento humano em que estranhos têm chance de se encontrar“. Essa é a definição de cidade para Richard Sennett. Ele tenta mostrar que, mesmo sendo estranho, o ser - humano tem a possibilidade de se encontrar com outra pessoa estranha, numa maneira adequada a estranhos, que pode ser comparado com desencontro.
No encontro de dois estranhos não existe um ponto de partida, porque não há retomada. Sendo assim, não há troca de informações sobre as tentativas, atribulações ou alegrias desse intervalo, nem lembranças compartilhadas: nada em que se apoiar ou que sirva de guia para o presente encontro. O encontro de estranhos é um evento sem passado. Freqüentemente, é também um evento sem futuro (o esperado é não tenha futuro), uma história para "não ser continuada", uma oportunidade única a ser consumada enquanto dure e no ato, sem adiamento e sem deixar questões inacabadas para outra ocasião.
No entanto, a vida urbana requer um tipo de atividade muito especial e sofisticada, de fato um grupo de habilidades que Senett listou sob a rubrica "civilidade", que tem como objetivo proteger os outros de serem sobrecarregados com nosso peso.
A civilidade deve ser uma característica da situação social, e não uma linguagem privada. É o entorno urbano que deve ser civil, a fim de que seus habitantes possam aprender as difíceis habilidades da civilidade. Isso significa que a disponibilidade de espaços que as pessoas possam compartilhar como personae públicas - sem serem instigadas, pressionadas ou induzidas a tirar as máscaras e "deixar-se ir", "expressar-se", confessar seus sentimentos íntimos e exibir seus pensamentos, sonhos e angústias.
A maioria dos espaços publicos faz parte de uma das duas grandes categorias existentes. Cada categoria se afasta do modelo ideal do espaço civil em duas direções opostas, mas complementares.
A primeira é aquela que chama a atenção do visitante, faltando hospitalidade da praça: tudo o que se vê inspira respeito e ao mesmo tempo desencoraja a permanência, o que não é considerado civil. A outra categoria é aquela que se destina a servir aos consumidores, ou melhor, a transformar o habitante da cidade em consumidor. Para Liisa Uusitalo, "os consumidores freqüentemente compartilham espaços físicos de consumo, como salas de concertos ou exibições, pontos turísticos áreas de esportes, shopping centers e cafés, sem ter qualquer interação social real". Esses lugares encorajam a ação, e não a interação.
E isso tem uma grande influência nas relações publicas do Brasil tanto no campo social como no político. Acredita-se que a mudança e o aperfeiçoamento do processo democrático e da participação social no país possam ocorrer a partir da contribuição de estratégias de comunicação nas instituições públicas.
Hoje é possível pensar na possibilidade de inter-relação e contribuição por meio de uma maior aceitação das diversidades que se configuram socialmente, tendo em vista que a origem da prática profissional de relações públicas está na economia, logo, tem tendência a contribuir para estratégias de mercado que visam a lucratividade.
Entende-se relações públicas como uma diretriz da organização mais ampla que o marketing, de forma diferenciada do que afirma Porto Simões, “ por dizer respeito a sobrevivência da organização, enquadro-me no mesmo plano das outras funções organizacionais: produções, financeiras, marketing, recursos humanos...“. Ou seja, a atividade da relação pública e do marketing é diferente, pois RP deve se comunicar com o público ativo, função que o marketing não alcança.


Elisandra Rios, Nicolle Almeida, Stephanie Ferrari e Thainá Laureano

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