sábado, 2 de agosto de 2008

As esferas da comunicação e a mediação

Ramonet defende em sua obra, O Poder Midiático, que antes da revolução digital era possível separar a comunicação em geral em três esferas: a esfera da imprensa, da comunicação institucional e a da cultura de massa. A primeira se refere aos meios de comunicação como jornais, revistas e informativos televisivos; a segunda sobre publicidade, o marketing, a propaganda e a terceira sobre telenovelas, livros de massa, cinema de massa, etc.
Com toda essa explosão no mundo da tecnologia, estas três esferas estão, rapidamente, se tornando uma única esfera. E o principal meio que está transformando essa realidade é a Internet. A imagem, o texto e o som estão cada vez mais unidos e se transformando em uma única informação, uma única notícia. E os veículos de comunicação estão ficando mistos: o telefone não mais transmite somente som, transmite agora texto e imagens, o rádio não transmite somente som, mas também texto e imagem, e assim por diante.
Segundo Silverstone, a mediação é uma atividade que implica circulação de significados de um texto para outro, por isso ela é configurada como nômade (Silverstone, R.2002), criando novas realidades com adição de significados anteriores.
“A mediação é como a tradução de George Steiner, nunca é completa, sempre transformativa” (Silverstone, R.2002), essa comparação é o ponto chave da obra do autor. Pois cada indivíduo interpretará e modificará um objeto (fato, notícia, contexto) de acordo com a posse tomado do mesmo.
E a questão que vem à tona é o papel da mídia, cujos processos de produção não atingem uma completa isonomia e imparcialidade, conforme define Ramonet.
O trabalho atual da mídia na “confecção” de uma informação é preocupante, pois essa é uma mercadoria que pode ser analisada e modificada pelo público de acordo com seu repertório, visto que repassamos informações contendo sons, imagens e palavras aliadas às sensações e atitudes a todo instante. Assim, a necessidade de clareza e isenção nessa cadeia informativa é fundamental para que desenvolvamos observadores capazes de buscar soluções para uma não “derrocada” maior da qualidade dos veículos.
A necessidade dos meios de cumprirem o seu papel e fornecerem subsídios ao receptor é cada vez maior discutida, e por intermédio na confiança dos mediadores – necessidade individual de compreender o objeto analisado – o público deve captar a mensagem e decodificá-la com criticidade, além de exercer papel reflexivo e coercitivo a determinadas formas de tratamento dos fatos.
A qualidade das notícias anda decrescendo. A informação vira espetáculo. Os atletas deixam de ser atletas e se tornam atores. Essa dependência mercadológica dos grandes meios leva-os a manipularem informações de acordo com interesses. A informação acaba se tornando sensacionalista para não perder o público, acaba se aproximando do que era chamada de cultura de massa. Sem contar que os meios repetem a mesma informação e defendem os interesses dos mesmos grupos, pois são estes que sustentam a imprensa e não mais o público. É a publicidade que paga o jornal, não as suas assinaturas. E por sermos produtores e consumidores de mídia, cabe-nos restringir o alargamento desse “buraco negro”, caso contrário teremos que assistir os intermináveis replays e discursos batendo palmas e jogando pipocas.

Ana Carolina Paiva
Eloá Cruz
Gabriel Bozza

Nenhum comentário: