quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Bauman

Modernidade Líquida - Tempo/Espaço

A vida urbana exige um conjunto de comportamentos, a que o autor chama de civilidade. Este amplo espaço urbano é um “assentamento humano em que estranhos têm chance de se encontrar”. Este encontro entre estranhos estabelece uma relação que não tem história. Não tem lembranças, momentos compartilhados ou a alegria de encontrar alguém estimado. Não há passado, e não se espera que tenha um futuro. São frágeis e dependem das palavras, gestos e aparência, elementos pouco consistentes. Neste espaço urbano, as pessoas são ensinadas a usarem máscaras, e a não revelarem quem verdadeiramente são. É uma forma de defesa na qual se protegem umas das outras pessoas, e, ao mesmo tempo, conviverem juntas em um mesmo espaço físico. A máscara é a essência da civilidade.
Os espaços públicos alimentam esta forma de relacionamento quando são construídos de forma impessoal ou mesmo com outros objetivos que não a interação. Os locais de compra, como os shoppings, são feitos com esta finalidade. A interação não é incentivada, pelo contrário, o ato da compra, essencialmente individual, ainda requer que nenhuma outra pessoa atrapalhe este momento de realização material. As pessoas estão próximas fisicamente, no mesmo espaço físico, mas não estão próximas sob nenhum vínculo. Estão juntas, e ao mesmo tempo sozinhas.

Nenhum comentário: