quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Cobertura essencialmente massiva

Segundo Bordieu, em seu texto Programa para uma análise, a preocupação na cobertura dos jogos olímpicos é essencialmente prender o maior número de pessoas possíveis pelo maior tempo possível. Os horários de transmissão de algumas modalidades coincidem com o horário de maior audiência nos países economicamente dominantes. Vamos a uma análise de uma edição do Jornal Nacional do dia 21 de Agosto de 2008 para constatar alguns pontos evidenciados por Bordieu.


Nesta edição, o telejornal global teve escalada predominantemente composta por notícias esportivas (olímpicas). Evidenciando o destaque de tais notícias sobre quaisquer outras. No primeiro bloco houve abertura com informações do acidente aéreo ocorrido na Espanha. O restante desse bloco inicial apresentou predominância do noticiário internacional e político – nacional, além da previsão do tempo.


Cabe analisar que o mesmo evento não ocorreu em outras edições do telejornal, a falta de “notícias olímpicas” no primeiro bloco é, em grande parte, pela pequena quantidade de eventos associados aos esportes de preferência nacional (poucos jogos de futebol, pouca atuação de vôlei, pouca ginástica) e, menor ainda, participação do Brasil nos desportos que restaram.


Mesmo assim a cobertura foi massiva com o segundo e terceiro bloco inteiros dedicados aos Jogos Olímpicos. No quarto bloco, houve novamente a predominância de notícias ligadas aos jogos. Do total de 22 minutos, o Jornal Nacional daquele dia exibiu 14 deles com informações das Olimpíadas. Concluí – se a posição do pensamento de Bordieu da cobertura essencialmente massiva, com intenção de gerar audiência, nota – se pela (desigual) distribuição do tempo entre as notícias “do esporte” e o restante delas. O segundo pensamento do autor, sobre os horários de decisão de modalidades não precisa de uma análise mais rigorosa para ser comprovado. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, as finais da Natação foram transferidas para o horário de maior audiência nos Estados Unidos, país que tradicionalmente consegue angariar muitas medalhas nesse esporte.


Bordieu analisa ainda que a espetacularização dos jogos olímpicos causa a intensificação da competição entre as nações, que por sua vez, desenvolvem políticas esportivas voltadas ao sucesso nos jogos. Não é difícil encontrar tais características nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, inclusive na anfitriã. A China tem um programa esportivo totalmente voltado ao sucesso nas competições e que chega, por muitas vezes, a ser autoritário. Crianças têm, desde muito cedo, que decidir um esporte para praticar, aqueles que são percebidos como possíveis atletas profissionais são condicionados a uma rotina de exercícios extremamente maçante.

Apesar de uma ou outra exceção, o noticiário televisivo sobre os jogos não consegue se desfazer de uma cobertura menos sensacionalista, menos superficial, com menos espetáculo e com mais informação de qualidade.


Equipe: Andrizy Bento, Caroline do Prado, Marcos Vinicius da Silva, Samantha Fontoura, Tássia Rodrigues

Nenhum comentário: