sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Culto à perfeição, imagem e consumo

A beleza e a sexualidade representam para a atual sociedade, dois fenômenos de consumo. Fenômenos esses, personificados nos corpos das modelos de perfeição que estampam as capas de revistas como a NOVA

A onipresença do corpo, o absolutismo da beleza, a priorização da estética. Temas sempre controversos que geram discussões inflamadas e inquietações. São conceitos recorrentes no pensamento de Baudrillard. Entre outras coisas, o autor chama atenção no livro A Sociedade do Consumo (1981) para a questão da estética no universo feminino.


Para o autor, na era do consumo, exagerou-se o valor do corpo. Padronizou-se o belo. Erotizou-se o corpo à exaustão, o que por conseqüência, tornou os indivíduos essencialmente narcisistas numa busca constante pela satisfação pessoal, apenas. Mas buscar a satisfação pessoal implica muitas vezes em violências contra o próprio corpo, em práticas rotineiras agressivas contra ele para que se chegue a perfeição física.

Trataremos de analisar a revista NOVA com o objetivo de encontrar no veículo os fundamentos da teoria Braudrilladiana. Para tanto, selecionamos empiricamente quatro exemplares da revista, dois do ano de 2007 e dois do ano de 2008.


Comecemos pela capa: quando Baudrillard crítica a sociedade de consumo, destina grande parte de sua teoria às mulheres.


“a beleza tornou – se para a mulher imperativo absoluto e religioso. Ser bela deixou de ser efeito da natureza e suplemento das qualidades morais.”


Imperativo e absoluto são adjetivos que também podem ser aplicados à revista que analisamos aqui. Na capa, há predominância de apelo sexual e culto exagerado à beleza. A palavra “sexo” aparece em todas as edições aqui analisadas, com um notável destaque sobre outras chamadas de capa. As chamadas, aliás, constituem um bom exemplo de análise da atual sociedade de consumo. Eis algumas palavras de destaque das edições que analisamos aqui: “rica”, “muito mais bonita”, “milionária”, “poderosa”. O conceito de estética e beleza também aparecem de forma abundante na capa, sobretudo na fotografia das modelos da edição, sempre apresentadas de maneira a exaltar o corpo bonito, magro, perfeito.


Baudrillard também acredita que o real é construído pela imagem. Assim sendo, o real não é real, é simulacro do real. Assim, tudo na nossa sociedade é simulacro, tudo o que julgamos hoje como real é na verdade um real criado sob uma imagem. Não é preciso muita análise para perceber que a revista se apóia e oferece os mesmos conceitos de imagem que tentam criar um real perfeito, ou um real do culto ao perfeito com matérias que instigam a cirurgia plástica, o consumo de produtos estéticos.


Enfim, a teoria que Baudrillard formulou há mais de 20 anos ganha força ainda maior nos dias atuais. Com profundas discussões acadêmicas acerca do assunto e a crescente percepção de que os meios estão cada vez mais servindo como porta-vozes de uma ideologia, de um conceito fundamentado no culto exacerbado à beleza da imagem.


Equipe: Andrizy Bento, Caroline do Prado, Marcos Vinicius da Silva, Samantha Fontoura, Tássia Rodrigues


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