sábado, 30 de agosto de 2008

Esportáculo

Nada de espírito olímpico. São os estímulos capitalistas que mantém a tocha acesa. Como afirma Bordieu (1997), a olimpíada nada mais é que um espetáculo, que proporciona 15 dias de entretenimento aos telespectadores do mundo inteiro.
Dessa forma, a olimpíada é uma produção estética, com shows pirotécnicos, música, dança, malabaristas e os heróis do esporte, condecorados com medalhes no peito. Além disso, os jogos olímpicos escondem sob o discurso de união dos povos e confraternização das nações um verdadeiro jogo político, que inclui mascaramento de conflitos sociais, estratégias para atrair investidores e divulgação das marcas patrocinadoras.
A verdadeira competição não é entre Cielo ou Phelps, mas entre Nike, Olympikus, Samsung ou Philips. Os patrocinadores travam uma verdadeira disputa para veicularem suas marcas e as emissores de tv para obterem os direitos de transmissão. E é justamente através da mídia que, conforme Bordieu, ocorre a segunda etapa da construção de uma olimpíada. Ela se dá justamente através da produção da imagem olímpica. Ou seja, a transformação do evento em produto para ser consumido no mundo inteiro.
O jornalismo, evidentemente, contribui para a constituição da olimpíada. Durante o período dos jogos, jornais elaboram encartes especiais, telejornais reservam espaço exclusivo para os informes olímpicos, com direito a vinhetas especiais e tudo o que o show business tem direito. Durante as 24 horas do dia, canais de esporte, como o Sportv, chegam a aumentar sua grade de canais nesta época, para transmitir tudo o que acontece (ou quase tudo) nos ginásios. A programação televisiva se ajusta em torno do evento olímpico e quando não é possível, o evento olímpico se ajusta à programação. Os investidores mais generosos conseguem o direito de organizar horário de jogos que melhor se adequam à audiência de seus países.

Com tanta valorização da festividade olímpica e certo afastamento das origens gregas, chega-se a questionar o que é resultado do que. A olimpíada como conseqüência do esporte ou o esporte como pretexto para a olimpíada. Quando o espetáculo acaba, os telespectadores voltam à rotina e as emissoras de televisão à procura de novos objetos a serem explorados. Mas tudo bem. Daqui a dois anos tem mais.

Adriana Vieira, Gabriella Hóllas e Raquel Leite

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