sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Hipodérmicos tardios ou funcionalistas inconscientes?


Duas teorias opostas. Uma, a teoria hipodérmica, defende que o receptor é alienado, submisso e pode ser persuadido facilmente. A mídia é um meio de venda nos olhos do leitor, cego diante de alguns fatos escondidos pela mídia, ou de comportamentos e opiniões ditadas pela mídia indiretamente, à força.

Já a teoria funcionalista defende o receptor como o principal da história. É para ele que o emissor desenvolve a notícia e volta seu foco.

Os receptores têm o papel de reforçar crenças e morais da sociedade. Com essa outra visão da mídia da teoria funcionalista, a manipulação ocorre menos, pois ela só está realizando seu papel, sua função na sociedade, que é objetivar os costumes do sistema.

O professor da PUCRS, Juremir Machado da Silva, (In SILVA, 2001) diz exatamente que as duas teorias têm perspectivas opostas, elas invertem de papel a mesma situação. Na teoria funcionalista “o receptor é soberano” e na hipodérmica é “escravo da mídia”. Na funcionalista o destinatário é “vítima” e na hipodérmica é “sujeito”.

Pensando nessas duas teorias, qual das duas será que é mais praticada no mercado de jornalistas de Curitiba? Eis a pergunta: Os jornalistas de Curitiba são hipodérmicos tardios ou funcionalistas inconscientes? Para tentar esclarecer essa dúvida, o jornalista João Natal Bertotti, há 8 anos no jornal Gazeta do Povo, mostra sua opinião diante de alguns assuntos. João tem 45 anos de idade e terminou a faculdade de jornalismo com 33 anos, porém, começou a trabalhar na área antes disso.

É clara a posição do jornalista como funcionalista, e funcionalista consciente. Ele acredita que o jornalista tem o papel de expor problemas para a sociedade, de fazer pautas de interesse público, ser o “assessor de imprensa” da sociedade, o porta-voz. “Você vê o sofrimento dessas pessoas e acaba se identificando com isso, para você poder mostrar. E daí você serve como porta para essas pessoas. Tem que dar voz para essas pessoas, alguém precisa dar voz. Jornalista pode fazer isso”, diz Bertotti.

O jornalista também acredita que é preciso pautar o jornal em cima do interesse público, e o que foge disso não é notícia. É claro que se puder fazer junção de entretenimento e jornalismo, e se for uma notícia que vendesse jornal e que fosse de interesse público, seria uma ótima estratégia. Bertotti reafirma várias vezes que a função do jornalista é transmitir a notícia, que é interesse público. “A questão do entretenimento, aí você deixa de ter aquele compromisso de trabalhar o interesse público, e você dá a notícia para melhorar a vida do cidadão”, conclui o comunicador.

Ana Carolina Paiva
Eloá Cruz
Gabriel Bozza

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