domingo, 3 de agosto de 2008

Jornalismo: arte multimídia

A soma das mídias constrói, sem dúvidas, a nova face do jornalismo; jornalismo somado ao entretenimento, em ritmo imediato, ao divertido e solúvel - o discurso infantil evocado por Ramonet. A velocidade é a da luz no cabo óptico; a informação apurada concomitante à sua apuração. Num mesmo veículo, todas as cores. Ao mesmo tempo em que o jornalismo se funde à publicidade, ele vê-se como o palco do espetáculo cotidiano. Palco parcial, seletivo e interpretativo, o jornalismo outrora ignorava o não-factual; agora, tem repertório totalmente eclético e diversificado.

Temos, portanto, o que se chama de cultura de mídia, no conceito de Silverstone. Os veículos de comunicação e o público gozam de uma confiança mútua; o primeiro apura e informa, o segundo confia e retorna. O jornalista aparece, portanto, como um configurador da sociedade, mas também é configurado por esta. A seta adquiri, assim, sentido duplo entre os jornalistas e as massas. O jornalismo é apenas um veículo (Pulistchuk, pg 81) interpretativo por onde os fatos navegam; ler uma notícia é como enxergar um fato de longe por meio de uma série de binóculos disponíveis e mais-ou-menos nítidos – cada binóculo tem sua lente específica, com alcance e focos específicos – cada binóculo representa um veículo; cada veículo, uma óptica. Qualquer banca de jornal repleta de publicações prova isso.

A mídia conquistou tamanho status que se configura num misto de interpretação-aceitação de tudo o que vê e reporta. Já não existe mais a realidade como se vê a olho nu; o acidente na rua fica incompleto sem o olhar da imprensa. Isso significa dizer que, enquanto não saiu nos jornais, determinado acontecimento nada representa porquanto não for interpretado, produzido, editado e exibido por um veículo de comunicação. Ainda assim, lembrando dos diversos binóculos, como defende Pulistchuk, a imprensa é onipresente, mas ninguém garante sua onipotência. Essa transmissão da informação está obedecendo constantemente à seta dupla entre leitores e jornalistas.

por Eduardo Baggio

Nenhum comentário: