terça-feira, 5 de agosto de 2008

Mídia - mediação, modernidade e consumo

Mediação
Silverstone, R.

Silverstone inicia seu texto defendendo a idéia de olharmos a comunicação como um processo. Mais ainda, um processo de mediação, que considera uma abordagem mais complexa do que os estudos atuais sugerem. Defende como mediação a idéia de movimento de significado de um texto para outro. O autor sugere ainda que esse processo seja estudado pelas suas duas vertentes, os meios como mediação influenciando os espectadores e produtores e vice – versa.
Silverstone alerta que estudar a mídia como processo é muito difícil, porque fazemos parte desse processo, tentar entendê-la de dentro para fora exige um distanciamento maior, uma desfamiliarização com o mundo midiático, condição dificilmente alcançada num mundo tão ligado ao poder da mídia.
Nesse processo de mediação, a mídia é sempre imperfeita, sempre transformativa, nunca completa, fechada. O autor se apropria da idéia que Steiner utilizou para descrever a tradução e a aplicou também à mediação. Segundo ele o processo acontece em quatro etapas: confiança, agressão, apropriação e restituição. No primeiro, entende – se que o consumidor da mensagem aceita que terá algum valor no conteúdo recebido. No segundo, porque apropriar – se do significado do texto do outro é sempre agressivo, é fazer sua leitura da mensagem. Apropriação significa levar o significado pra casa, consumir, digerir a mensagem e o ultimo é o estágio em que munido de leitura própria, o consumir também influencia a mensagem e o produtor da mesma.
Outro ponto abordado é a questão da realidade construída, o autor chama a atenção para o senso ético das pessoas responsáveis por editar as mensagens que vão ao ar diariamente na internet, na televisão, nos jornais e revistas, pois uma edição mal intencionada pode criar uma realidade inexistente.
O autor chega a conclusão que é imprescindível estudar como os significados são construídos na mídia por esse processo de mediação, de fluxo de idéias, esforçar – se em compreender o poder da mídia de persuadir e reclamar atenção e resposta.


Modernidade Líquida
Bauman

O texto de Bauman faz uma comparação entre o homem e sua relação para com outro de sua espécie. O autor inicia com uma citação de Richard Sennett, em que diz que “a cidade é um assentamento humano em que estranhos têm a chance de se encontrar”.
A Partir desta citação, Bauman complementa dizendo que vivemos em constante “encontro com os desconhecidos. É assim dito porque são pessoas que entram e saem de nossas vidas da mesma forma brusca, como se fosse “um encontro sem futuro”. Sem futuro porque nós sempre sabemos que vai acabarem algum momento ou nem mesmo chegam a nos conhecer de uma forma mais aprofundada. Apenas pelo fato de o caminho que você faz cruzar com o de um desconhecido já é uma forma rápida de entrada e saída de vidas também desconhecidas.
O autor comenta sobre as máscaras usadas pelas pessoas. Diz que elas servem para que alguém se sinta à vontade com outras pessoas sem precisar ser ela mesma. Continua comentando que o objetivo da civilidade é de proteger os outros de nossos problemas e que, com isso as pessoas esperam que seja recíproco.
Bauman ainda coloca que o meio urbano é o local mais propício para encontros e desencontros. Em suas palavras: “Significa a disponibilidade de espaços que as pessoas possam compartilhar, se expressar”.
Já os chamados “espaços públicos” têm o objetivo de servir ao consumidor, transforma pessoas “normais” (moradores da cidade) em consumidores. O consumo é uma atividade individual, por isso, várias sensações que possam ser descritas por consumidores podem ser subjetivas, porque cada consumidor consume de uma forma diferente.
Estes espaços públicos são o melhor exemplo do “encontro de estranhos”, porque são espaços em que muitas pessoas transitam ao mesmo tempo. Então, estes estranhos interferem no dia um do outro.
O próprio autor deixa claro, no último parágrafo, que os encontros não precisam durar tanto a ponto de interferir significativamente um na vida do outro. “Precisam ser breves e superficiais”.

O poder midiático
Ignácio Ramonet

Na era da revolução digital, a informação passou a ser um produto. Comercializada por grandes empresas, a notícia deixou de ser veiculada como um discurso ético com a função de educar ou informar o cidadão. O objetivo agora é obter lucros.
Para Ramonet, as grandes empresas exercem um papel muito maior na comunicação. Elas atuam no poder econômico e financeiro. Julgando o tempo todo o que seria de interesse do público e até mesmo interferindo na cultura do indivíduo, fazendo com que este aceite o que julgam ser melhor. É como se o sistema possuísse o “modo de inscrever, no disco rígido de nosso cérebro”, nos dizendo o que temos que fazer a todo instante.
Os meios – televisão, rádio e internet - interligaram-se para que a mercadoria seja aceita pelo público. Fazendo com que uma mesma informação rode no sistema, ou seja, o que a televisão fala é transmitido pelo rádio e copiado pela internet. É a centralização da informação.
Quando um grupo passa a dominar as informações, ou seja, monopoliza-las quem sai perdendo é o cidadão, que deixa de receber a verdade. Quando isso acontece há uma perda de credibilidade das informações do sistema e o valor notícia passa a não valer mais.
Para recuperar a confiança do indivíduo não basta apenas possuir a verdade. É preciso comunicar de forma correta. É como Ramonet coloca: “alguém pode ter a verdade e definitivamente não encontrar eco porque não sabe comunicar esta verdade”. Conseguir atingir o leitor, criando emoções, é o objetivo. Só assim a notícia terá valor e um produto será vendido.

Modernidade e meios de comunicação
Politchuck

Quando estudamos história geral na escola, dividimos a história da humanidade em quatro períodos : antiguidade, idade média, idade moderna e época contemporânea.
Modernidade significa um conjunto de transformações que ocorreram na cultura e na vida social ao longo dos últimos três séculos. Através das mudanças pelas quais passamos, é que surgiu o mundo que conhecemos durante o século XX.
A noção de modernidade pode ser definida em pelo menos três núcleos de significação :
* cultural, cognitivo e ético : movimento racionalista, filosofia iluminista, certeza de progresso, desenvolvimento das ciências e de grandes narrativas ou teorias descritivas. Ex : positivismo de Augusto Comte.
* econômico e social : processos de industrialização e urbanização crescente reunidos em um mercado mundial apenas, sob o amparo do capitalismo.
* político : surgimento dos estados nacionais, valorização da democracia como o modelo correto de governo, eclosão dos movimentos de massa.

“A modernização se oferece como face material da modernidade; o modernismo a aproveita como proposição artística e experiência espiritual”.
A sociedade moderna deve sua origem às grandes conturbações do século XVIII : uma de ordem política e outra de natureza econômica.
Os meios de comunicação ocupam posições de destaque nos campos social e cultural da modernidade. São utilizados então os termos “sociedade midiatizada”, “sistema midiático” e “cultura midial”.
A TV desempenhou e ainda desempenha na modernidade, um importante papel no âmbito da existência psicossocial coletiva. Representa uma condição necessária de referência à orientação para a vida no dia-a-dia.

Andrizy Bento, Caroline do Prado, Marcos Silva, Samantha Fontoura, Tássia Rodrigues

Nenhum comentário: