quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Mediação - Silverstone

Silverstone caracteriza a mídia como um processo de mediação que envolve produtores e consumidores, e que implica numa constante transformação de significados, seja esta mídia oral, audiovisual ou escrita. Estes significados são por nós usados para compreender o mundo, e também para evitá-lo quando tentamos fugir das responsabilidades de estar nele. Esta cultura de mídia é difícil analisar, pois estamos inseridos nela, e assim como um linguista tentando analisar sua propria língua, acabamos vendo-a de dentro. Por isso, a partir da visão de George Steiner, considera-a uma tradução, que nunca está completa e que pode ser constantemente questionada. A tradução consegue ser ao mesmo tempo estética e ética, além de ser reconhecida como um trabalho de autoria. A mediação envolve o trabalho de instituições, grupos e tecnologias. A tradução é um ato de amor, ao contrario do mediador, que não está necessariamente ligado ao seu texto. No entanto, nenhuma das duas pode ser perfeita.
Silverstone dá o exemplo hipotético de um mosteiro que passa por uma análise audiovisual, com depoimentos e imagens. Ao ser editado, o conteúdo deste documentário é deturpado, perdendo aquele caráter inicial de mostrar com precisão a realidade dos monges. Isso acontece por que deixamos de considerar que todos participamos do processo de mediação. Quando não consideramos o leitor e a leitura, corremos o risco de deixar nossa mídia unilateral.
É preciso enxergar a mídia não apenas como manipuladora mas também como fonte de informação, notícias, entretenimento. Ser critico ao interpretá-la, e compreender sua forma singular, compartilhada e, muito provavelmente, vulnerável.

Adriana, Gabriela e Raquel

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