sábado, 23 de agosto de 2008

O orgulho de Andorra

Acompanhando as Olimpíadas 2008 pelos canais Globo e Globo News, é extremamente fácil perceber, como Bordieu afirma em Sobre a televisão, o quanto o evento que, de acordo com o autor, se “realiza sob o signo de ideais universalistas” acaba se transformando em um evento de cunho nacionalista e nacional pelas câmeras e edição dos grupos televisivos. Aqui no Brasil, as Olimpíadas tornam-se Olimpíadas brasileiras, e faz parecer que os atletas brasileiros estão em todas as competições possíveis. O mesmo fato deve acontecer nas transmissões em Andorra, um pequeno país europeu que possui apenas cinco atletas competindo nos Jogos. Se a televisão de lá seguiu o exemplo da nossa televisão, a população de Andorra deve ter visto seus cinco atletas nas competições e nada mais. Ironicamente, poderíamos concluir que para os andorranos as Olimpíadas se resumem à maratona, ao judô, à natação, à canoagem e à corrida dos 100 metros.

Bordieu atesta que “cada televisão nacional dá tanto mais espaço a um atleta ou a uma prática esportiva quanto mais eles forem capazes de satisfazer o orgulho nacional ou nacionalista”. Assim, tanto a Globo quanto a Globo News dão preferência à repetitivas imagens de César Cielo chorando por que ganhou a medalha de ouro na natação, e acabam ignorando o conceito universal dos Jogos, o paradoxo entre confronto e união no mundo dos esportes. Infelizmente para a população de Andorra, seus atletas não ganharam nenhuma medalha. A televisão de lá não pôde satisfazer o “orgulho nacional”.

João Zampier, Julliana Bauer, Jadson Tinelli e Sílvia Cunha

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