quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Por que complicar a mídia?

Quando Roger Silverstone nos propõe olhar para a mídia como um processo de mediação, é necessário considerarmos a mídia como um ciclo – um ciclo de transformação e circulação de significados. Partindo dessa premissa, imaginemos que este ciclo de significados é uma mesa redonda, e que existem várias pessoas sentadas ao redor desta mesa: são os espectadores. No centro desta mesa encontra-se o texto midiático. Obviamente, cada espectador terá uma visão e uma noção diferentes sobre o mesmo texto, isso porque estão sentados em posições diferentes, observando o texto de ângulos diferenciados. A posição em que cada pessoa estará sentada é determinada por vários fatores, entre eles pela sua vivência de mundo, sua criação, pela sua exposição midiática passada, sua formação de opinião, pelo quanto ele age, interage e deixa-se interagir pelo texto midiático. Logo, as tentativas das pessoas sentadas ao redor da mesa de compreender e possuir o significado do texto midiático fará com que este seja transformado em algo novo, algo diferente. No processo de compreensão o texto sofrerá acréscimos de significado.

Assim, é justo afirmar que a mediação, circulação de significados, é sustentada e se sustenta na evolução dos textos midiáticos. Citando Silverstone, “a mediação é infinita” (2002), e como um ciclo, não tem começo e não tem fim. Para tanto, o autor considera a mediação um ato aberto de compreensão e significação. Sentados ao redor da mesa redonda os espectadores são capazes de consumir e, de certa forma, produzir os textos, cada um a sua maneira singular, mas todos partilhando da mesma “ceia”, tornando a mediação algo infinito.

João Zampier Neto

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