quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Ramonet / Polistchuk

POLISTCHUK

A mídia é um elemento social já fortemente enraizado no mundo contemporâneo. Sua origem remonta à Revolução Francesa, que ajudou a fortalecer e, conseqüentemente, a acontecer. Os meios de comunicação e toda essa estrutura midiática com que convivemos é resultado das grandes correntes ideológicas da Idade Contemporânea. O positivismo, as teorias evolucionistas, o grande destaque dado à Ciência e ao poder de realização do homem, todas esses pontos reforçaram o poder e a influência da mídia nas diversas áreas da sociedade. Os meios de comunicação vieram para preencher o vazio emocional que a ciência deixou. Os meios de comunicação, principalmente a televisão, exercem o papel de orientação, definindo uma ética e um comportamento a ser seguido. Além desta influência direta no cotidiano das pessoas, a televisão (também o rádio, e o jornal, em uma proporção menor) participou diretamente na “concretização de processos políticos e expressivas transformações culturais”.

RAMONET

Todo o processo da comunicação social engloba diversas etapas de realização. A mídia é de tal forma inserida na complexa sociedade contemporânea que mal conseguimos distinguir uma da outra. Ela nos passa despercebida, como se fosse algo que sempre existiu, algo como um fenômeno natural. Claro que existe uma extensa infra-estrutura que sustenta este novo ser social. Uma das partes fundamentais deste aparato é o processo de mediação. Assim como na tradução, na qual o texto original, apesar de ser transposto para um outro idioma sempre é modificado, a mediação também acaba por transformar as notícias, os depoimentos, ou seja lá o que tenha sido usado como informação. A tradução é reconhecida como um trabalho autoral. Já a mediação é feita por instituições, grupos e tecnologias. O processo de mediação é semelhante ao da tradução. O mediador se apropria das informações, remodelando (“domesticando”) o significado original. Ele ainda acrescenta a elas outros pontos, às vezes em um processo inconsciente. Podemos dizer que, subjetivamente, a mediação, assim como a tradução, usa de violência quando, de forma prepotente, acredita ter compreendido plenamente o significado. Apesar dos meios de comunicação oferecerem informação e pautarem muitas vezes nossas conversas, devemos sempre olhar de forma crítica àquilo que chega a nós. Os significados são produzidos e transformados de acordo com o veículo, com suas limitações e objetivos definidos.

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