sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Rotina de TV é vender

“O jogador esportivo, o campeão, corredor de cem metros ou atleta declato, é apenas o sujeito, aparente de um espetáculo que é produzido de certa maneira duas vezes” (BORDIEU, 1997124). A primeira em todo o conjunto de pessoas envolvidas, e a segunda, por todos aqueles que produzem a reprodução em imagens e em discursos desse espetáculo.
Não é difícil entender essas linhas de Bordieu em sua obra “Sobre a Televisão”, afinal assistimos há poucos dias as Olimpíadas, e o menos observador deve ter notado que o “mundo parou”, já que a emissora com mais audiência só tinha câmeras para os jogos olímpicos, ou para a China. Esse foco deixa a entender que não há mais nada de importante e jornalístico acontecendo no mundo e no Brasil que mereça mais espaço midiático que os jogos em Pequim.
Não há dúvidas de que o evento, de que o memento em si é grandioso. Já existe uma tradição, mas é justamente através dela que se aproveita para fazer o espetáculo da informação, é o que se chama de excesso de realidade, tivemos então nas ultimas semanas uma overdose de olimpíadas no espaço jornalístico.
No presente século, onde vivemos o individualismo enfático e acentuado, vivemos também a indiferença do mesmo. Assim quanto mais individualizado o homem ficou, mais distante ele se posicionou da sua característica humana vital. A TV no que diz respeito ao seu aparato tecnológico rápido, caracterizando notícia imediata, somada a sua superficialidade dessa informação, e sua estrutura cinético-visual, constituiu ao passar dos desdobramentos da globalização uma frieza ao que é humano ou do espaço público em prol de recortes da realidade que vendem e geram riqueza. Nesse espaço o lúdico tomou conta dos jornais, disfarçando entretenimento por noticia e a publicidade por entretenimento. O que aconteceu com os jogos não é senão o que já se tornou habitual na televisão, só se mostra o que se vende ( BEM E RÁPIDO).
Flávia Zanforlim, Giovana Gulin, Juliana Lima, Mariana Guzzo

Um comentário:

Tomás Barreiros disse...

Olá!
Parabéns pela iniciativa. Sempre é bom estimular a reflexão! Abraços à profa. Celina!!!
Aos autores deste post: recomendo os textos de Katz e Dayan sobre "Media Events". São interessantes para se compreender esse tipo de cobertura. (DAYAN, Daniel; KATZ, Elihu. Media Events: the live Broadcasting of History Harvard University Press. 1994).
E aproveito, é claro, para convidar para a leitura do meu blog: tomasreporter.blogspot.com.