sábado, 2 de agosto de 2008

Silverstone e Ramonet

Silverstone afirma que o conceito de mediação é um processo de produção coletiva de significados , através da representação e da experiência, no qual participam os produtores da mídia, seus espectadores, instituições diversas, grupos e tecnologias. Na mídia significados são produzidos, oferecidos e também transformados.

Na visão de George Steiner, a mediação é como a tradução. Nunca é completa, sempre transformativa, e nunca, talvez, inteiramente satisfatória. É sempre contestada.

Steiner descreve a tradução em quatro processos. O primeiro é o de confiança (naquilo que queremos compreender que sobreviveram a nossa tradução), o segundo é o de agressão (na tentativa de compreender os significados alheios),o terceiro apropriação (levar os significados para casa) e por último; restituição (o significado primitivo pode ter desaparecido).

Nenhuma tradução, como diz Luis Borges em Pierre Menard, pode ser perfeita, nem mesmo em sua perfeição. Nenhuma tradução. E nenhuma mediação.

Um bom exemplo citado pelo autor envolve a produção de um documentário sobre monges. Mesmo sem ter a intenção de ser sensacionalista, o documentário não agradou a todos e os monges não aprovaram o produto final. O mediador não obteve exito total, pois os próprios monges não confirmavam o que se passava no vídeo.

“Precisamos compreender esse processo de mediação. Compreender como surgem os significados, onde e com que conseqüências. Precisamos compreender em que o processo pode falhar, em que é distorcido pela tecnologia ou de propósito. Precisamos compreender sua politica: sua vulnerabilidade ao exercício do poder; sua dependência do trabalho de instituições e indivíduos; e seu próprio poder de persuadir e reclamar atenção e resposta.”, explica Silverstone.

Já Ramonet chama a atenção para o discurso “infantilizante” dos grandes sistemas midiáticos e da informação sendo colocada no patamar de um verdadeiro show. O que ele quer dizer com isso é que a mídia usa de todos os seus recursos para cativar o cidadão, fazendo com que ele se emocione com uma notícia. Além de infantilizante, Ramonet afirma que a informação, atualmente, é feita para obter lucro.

O objetivo principal não é mais informar o cidadão. O autor afirma, no entanto, que as pessoas têm procurado mais por uma informação mais confiável. Elas querem agora qualidade e, principalmente, a verdade. Estão cansadas de serem enganadas pelos veículos da mídia, cansadas do discurso infantilizante que tenta cativar seu público-alvo à qualquer custo.

Silvia Cunha, Julliana Bauer, Jadson Tinelli e João Zampier.

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