segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A propósito do texto " A midia veste a camisa"

Interessante a postura do texto e os temas que aborda, porém devemos levar em conta as diversas formas de tirania as quais os seres humanos estão sujeitos. Apesar de a China não ser o exemplo desejado de governo, devemos nos perguntar "que governo queremos" e "que exemplos tomamos quando falamos sobre o governo da China". Os EUA, por exemplo, que tanto ovaciona a liberdade, exerce a sua tirania contra toda a humanidade. Da mesma forma acreditamos que os governos árabes são injustos sem levar em conta que o povo árabe prefere esses "tiranos" a qualquer forma de democracia. É a formação cultural deles. Novamente vale nos perguntarmos se os chineses preferem outro governo ou se as ditaduras vividas lá são diferentes dos sistemas de exclusão vigentes no Brasil, por exemplo. Com exceção de alguns focos, é possível que o povo chinês estaja satisfeitos com as coisas como são e´isso nos incomode. Enfim, trata-se de um país capitalista, talvez mais que qualquer um outro mas com uma diferença: não são ocidentais e isso traz desconforto para muitas pessoas. Seja como for, Theodor Adorno já afirmava que a indústria cultural, o entretenimento por excelência, é uma forma de tirania. Os chineses se utilizaram disso na abertura dos jogos porém quando Adorno fez tal afirmação, referia-se às rádios nazistas e norte-americanas. Será que temos condições de julgar tanto os chineses assim?
Felipe Araújo -jornalista (puc-pr); historiador (ufpr); mestre em tecnologia e educação (utfpr)

Um comentário:

celina disse...

Muito obrigada Felipe Araújo pela sua contribuição a respeito do texto "A mídia veste a camisa" e também por levantar algumas questões que são do interesse de todos nesse blog. Já me manifestando sobre o seu posicionamento e esclarecendo o meu, primeiramente eu queria concordar que é válido nos questionarmos se realemente temos condições de julgar os chineses e suas práticas políticas, bem como de qualquer outro país. Temos as nossas próprias experiências e conhecemos a realidade que vivemos no ocidente, portanto, é díficil imaginar como os chineses se sentem a respeito da realidade que conhecem no oriente. No entanto, cabe aqui a reflexão,e não o julgamento, sobre a tirania da comunicação, já abordada por Ignácio Ramonet. Então, eu volto a questionar, qual é o sentido, para o telespectador, de uma cobertura midiatica dos jogos olímpicos com ênfase no entretenimento? Ou então, qual é o papel do jornalismo, se voltado para os interesses do mercado e não do povo?

Aline Presa