sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Central de Culturas


Em seu estudo “A Periferia se Reconhece no Programa “Central da Periferia”? Análise de Recepção dos Jovens do Território de Oportunidades da UFJF e Projeção Identidária”, Fernada Coutinho Sabino analisa se programas como “Central da Periferia”, da Rede Globo, conseguiam realmente retratar e criar uma identidade igual a que a periferia possui dela mesma.

Fragmentando o que seria o centro e o que seria a periferia, a autora se questiona se não seria função da mídia mostrar a sociedade as diferenças culturais desses dois locais, em vez de produzir produtos para grande massa, que muitas vezes não compartilha da mesma cultura. Em vez de fazer isso, a mídia cria padrões que devem ser seguidos, menos ainda separando a periferia do centro.

Direcionar uma mensagem a um público específico é algo difícil que exige um bom desenvolvimento de planejamento, para que haja efetividade no envio e no recebimento da mensagem. A cultura das diferentes massas deve ser valorizada, as padronizações impostas pela mídia, desvalorizam a individualidade cultural de cada um, o que jamais deveria acontecer. Além do que, cada grupo recebe a mensagem de uma maneira, então, embora a mensagem seja destina a todas as camadas, cada uma delas absorverá tal fato de uma forma, em função da criação de cada um.

O fato é que no programa “Central da Periferia”, existe uma construção de identidade pessoal, o que é de extrema importância. Em pesquisa, constastou-se que os jovens moradores da periferia de Juiz de Fora conseguem se identificar com o programa, além de acreditarem que ele transmite com grande força a cultura presente nas periferias de Minas Gerais. Isso gera satisfação a eles, e da mesma maneira que eles desejam conhecer outros lugares e outras culturas, é de interesse da sociedade conhecer mais profundamente a periferia, e quebrar a idéia de que a violência é a única coisa que existe lá. O programa remodela os conceitos de centro e periferia, atitude completamente válida, já que a mídia possui o poder de gerar idéias na população.

“Acredito sim, que a periferia também tem cultura, lazer e que não existe só pessoas a fim de brigar e favelados”, Ianini, 18 anos, moradora da periferia.


Amanda Bahl, Barbara Albuquerque e Marina Salmazo.

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