segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Cibercultura e webjornalismo

A cibercultura tem contribuído imensamente para o jornalismo. Desde a utilização de computadores e softwares, o novo webjornalismo vem crescendo rapidamente, e evoluindo para caminhos cada vez mais dinâmicos e que contam com a participação da audiência.

Para Sonia Padilha, em "A Presença da Cibercultura na Prática do Webjornalismo", a cibercultura colabora para as reconfigurações da prática profissional, uma vez que nasce como uma nova forma de vivência. Inicialmente, o webjornalismo era apenas um transporte de conteúdos, dos meios impressos e audiovisuais para a internet, e agora o objetivo é de explorar novas possibilidades de formatação. A idéia de webjornalismo surgiu nos anos 90, e o avanço das tecnologias cooperou para a prática comunicacional.

Segundo Padilha, a cibercultura está principalmente no hábito de obter informações pela internet, considerando que esta é um meio de comunicação mais ágil, interativo e diversificado do que, por exemplo, o jornal impresso. Essa busca por notícias por meio da rede vem mudando a forma de consumo de informações devido à facilidade de encontrar o que se procura, e por conseguinte outras informações que tenham co-relação com o assunto.

Padilha ainda fala sobre as três dimensões da cibercultura, tecnológica, intelectual e sociocultural. Para ela, uma das definições mais claras de cibercultura é a de André Lemos, que diz que "podemos compreender a cibercultura como a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônica".

É evidente que a tecnologia, a cibercultura têm influenciado e modificado o modo de procura e divulgação de informações na internet. Hoje é muito mais fácil conseguir determinados dados através de sites de busca, entrar em contato com as notícias mais recentes devido à rápida atualização e apuração de sites de notícias, porém, para Marshall McLuhan "as tecnologias afetam a sociedade, e de forma implícita provocam mutações sociais", mas ainda não dominam por completo o homem. A cibercultura está à nossa volta a todo momento, e permea o cotidiano de todos que utilizam a tecnologia atual.

Padilha ainda coloca como fatores importantes as quatro fases do jornalismo a partir da inserção da cibercultura: a primeira fase, de 1983 a 1987 é a do período de apresentação, aceitação e adaptação, onde os computadores são implantados nas redações, tendo como pioneira a Folha de São Paulo. Com isso, houveram demissões de revisores e a agilização da produção. A segunda fase, que vai de 1988 a 1993, contou com o instigamento. O computador processa informações com mais agilidade, e os softwares são de melhor qualidade. Procura-se explorar o potencial tecnológico dos computadores. A terceira fase, entre 1994 e 2000 foi a do deslumbramento e da ousadia. Foi nesse período que a Embratel disponibilizou a internet definitivamente, e os jornais lançaram suas versões online. A partir de 2001 temos a quarta fase, onde a rotina de trabalho com computadores e internet se tornaram hábito.

Para Padilha, algumas mudanças advindas da cibercultura são importantes, tais como "as novas formas de viver em sociedade, reconfiguração das relações sociais, diversidade de opções para obtenção de conhecimento, mais possibilidade de contato social, produção, etc". Ela permite livre escolha do que se quer ver, ler ou ouvir.

No jornalismo, a cibercultura tem apenas um problema: o excesso de informações acaba nos deixando meio anestesiados, sem saber o que escolher, o que absorver. É preciso saber filtrar as informações, ser seletivo. Antes, a preocupação era de não ter informação suficiente. Hoje, é preciso garimpar e selecionar apenas o necessário.


Anelise Caparica, Mariana Scoz e Talita Corrêa

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