sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Cibercultura, internet e o webjornalismo

Na era das novas tecnologias, a profissão do jornalista assim como tantas outras teve de se adequar. No começo da cibercultura, textos eram simplesmente expostos para que pudessem ser acessados por pessoas de qualquer lugar do mundo.

Hoje, as coisas mudaram. Já não se pensa apenas na utilização das novas tecnologias apenas para fins de divulgação, mas se pensa também como meio de divulgação, com formatos diferentes como a videopoesia, documentários, blogs, entre outros. A linguagem também foi modificada tornando-se mais dinâmica e acessível a fim de atrair o internauta para consumir esta ou aquela informação.

Com a provável extinção do jornal impresso e a adequação ao mundo globalizado, o webjornalista não terá apenas a função de informar. Ele será responsável por mediar à transformação da notícia, para a criação de novas culturas.

De acordo com o filósofo Pierre Lévy, antes da popularização da internet o espaço público de comunicação era controlado através de intermediários institucionais que preenchiam uma função de filtragem entre os autores e consumidores de informação. Hoje, com a facilidade do acesso à internet, qualquer um pode publicar um texto sem ser necessário passar por esse controle. Neste ponto encontramos o maior problema, pois, mesmo com a "filtragem", da editoria e dos chefes de redação, a notícia sofre interferências e modificações, tornando-a muitas vezes falaciosa. Entra em pauta, então, a veracidade do que é ou pode ser considerado notícia.

A recepção da notícia na cibercultura é fácil e abrangente, podendo ocorrer de três formas: vertical, de pai para filho ou de um líder para seus comandados; horizontal, entre pessoas que ocupam a mesma posição hierárquica e cultural; oblíqua, entre pessoas de gerações ou culturas distintas.

Eis o fato que mais preocupa. Com a facilidade de produção textual, material informativo e principalmente de recepção, produtores e público estão sujeitos à contaminação da hipocrisia, da mentira, e da manipulação de grandes órgãos de poder.

No jornalismo conceitual, a única forma de prevenir e remediar este fato, está na base, ou seja, na educação, com metodologias de ensino que exaltem a ética e a importância que o jornalismo tem para a sociedade. Assim, a “massa”, deveria possuir uma melhor educação, para que soubessem como receber e interpretar as notícias, tendo em mente que o necessário é preocupar-se com a fonte em um primeiro momento e depois com o que é divulgado em si.

Devemos utilizar a globalização para o bem comum, como a troca de informações e de tecnologias, e nunca para o consumismo exacerbado ou a extinção de culturas. Com o fim do jornal impresso e a facilidade na utilização de novas tecnologias, não podemos cair na tentação da pasteurização de nossa cultura, principalmente das nossas diferentes culturas, que traduzem o que são os povos, regiões e hábitos, mostrando que a beleza no mundo está na diferença.


Thiago Pereira

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