sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Não somos iguais

Baseado no texto:
A Periferia se Reconhece no Programa “Central da Periferia”? Análise de Recepção dos
Jovens do Território de Oportunidades da UFJF e Projeção Identitária.


Enquanto a mídia procura homogeneizar as pessoas e tratar seu público como um só, a realidade se mostra bem diferente. Comunicar-se com um público específico pode ser bem mais complicado do que parece. O Jornal Nacional, por exemplo, pretende passar a notícia de modo simples e claro para todos os públicos. No entanto, isso desrespeita as diferenças sócio-culturais existentes nas mais diversas camadas da sociedade.
A diversidade deve ser celebrada. Logo, a periferia, um lugar muito variado em termos culturais e étnicos, é um exemplo de quão diferentes somos. Não só a diferença centro/periferia, mas também as tantas outras que existem. Tentar impor uma maneira só de ser, de se vestir, de se comportar é um equivoco, do ponto de vista dos estudos culturais. Afinal, cada “tribo” irá receber algo (uma notícia, por exemplo, para contextualizar mais com o jornalismo) de modo diferente.
A força policial e seus simpatizantes terão reações diferentes em um acontecimento de abuso de autoridade (como em Paris) do que a dos familiares destes. A periferia do primeiro mundo pode não ser tão diferente quanto à do terceiro mundo. Vejamos Paris. A periferia da cidade está repleta de imigrantes e filhos de imigrantes vindos das ex – colônias francesas na África. Logo, há muitos negros e muçulmanos, contrapondo-se a sociedade francesa mais tradicional, brancos e católicos. Ao mesmo tempo em que gera conflitos e estranhamentos, cria um sincretismo cultural. É um terreno fértil para a produção cultural e, por incrível que pareça, é um terreno que pode levar à maior tolerância com o outro, com o diferente.
As pessoas, inevitavelmente, sentem certa identidade por ser de um lugar ou outro. E isso vem acompanhado do orgulho. Simultaneamente a sociedade globalizada e os meios de comunicação atuais criam uma tentação nas pessoas. As pessoas gostam de conhecer o novo e querem experimentar o novo. Vêem na TV as agitadas festas nas favelas cariocas, e apesar de todos os problemas querem conhecer. O mesmo acontece com o morador da periferia querendo freqüentar shoppings centers. Mas esse também vê problemas, como o preconceito por ser simplesmente de um lugar a poucos quilômetros de distância. Mas um lugar que influencia diretamente em suas vidas, e que no fim um não passa de um complemento do outro. Fica a pergunta: Qual é o centro, afinal?


Grupo: Oliver Altaras, Giselle Farinhas, Igor Shiota, Mariana Campos e Douglas Trevisan.

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