segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sociedade da Tecnologia ou Tecnologia da Sociedade?

Uma das principais inquietações dos autores da Escola de Toronto é acerca das mudanças refletidas nos homens e em seu modo de agir e pensar pelos meios de comunicação. Logo, estabelecer uma relação entre um desses autores, mais propriamente dizendo Harold Innis e os estudos A Presença da Cibercultura na Prática do Webjornalismo e O Jornalismo Online Como “Evento Audiovisual Extensivo”, passa longe de ser gratuita, mas aproxima-se de óbvia, quando se analisa atentamente a obra de Innis.

Innis atentou para o fato de que as tecnologias de comunicação parecem ter tendências que acabam por emprestar certas características a determinadas culturas, acabando, estas por absorver muito de sua influência. No século em que vivemos, podemos dizer que a tecnologia já faz parte da nossa cultura, se já não a domina. É quase impossível não aderir esse novo meio de comunicação, mandar um e-mail para um colega já se tornou algo banal, assim como fazer parte das grandes comunidades que existem na rede. Atrelados a essa nova comunicação de massa, os meios que antes transmitiam informações via papel, televisão ou rádio, se vêem obrigados a aderir essa nova tendência. A internet como base para a transmissão de informações. Começa a ganhar grande importância o jornalismo digital.

Essa nova maneira de fazer jornalismo transformou os métodos com que o jornalismo era feito, podemos dizer até que criou uma forma de se fazer jornalismo, privilegiando o imediatismo, a velocidade com que a informação deve ser transmitida, valorizando o tempo real. A pergunta que fica é se esse “novo jornalismo” é que se adequou a sociedade em virtude da correria do cotidiano ou se a sociedade é que se adequou a esse “novo jornalismo”.

A correria do dia-a-dia sempre existiu. Pessoas tendo de se voltar para inúmeras tarefas e, ainda assim, arrumando tempo para comprar e ler os impressos cujas notícias são apresentadas com aprofundamento e a leitura exige uma parcela significativa de tempo. Contudo, vivendo em uma sociedade altamente globalizada, não há tempo para uma leitura mais aprofundada. O jornalismo digital vem para suprir essa necessidade, com informações breves e de fácil acesso.

A instantaneidade e a superficialidade das notícias via web vieram para facilitar no sentido de exigir menos tempo de uma pessoa na hora de ler informações, porém, a sociedade acabou por sofrer uma mutação, uma vez que essa brevidade se tornou essencial e inerente à ela de uma forma absurda. Neste ponto, não se trata apenas do jornalismo online, mas também da forma como as pessoas passaram a se comunicar. Antes, as pessoas conformavam-se em esperar correspondências de amigos distantes, hoje são tomados por uma grande ansiedade quando não recebem respostas imediatas de amigos que moram do outro lado do mundo, através dos sites de relacionamento, bate-papos online e emails.

Assim, faz todo o sentido a observação de Innis, de que as culturas são reconfiguradas e remodeladas pelos meios de comunicação, emprestando suas características. Duas passagens que, de certa forma, refletem bem o que está se expondo aqui: “Assim como as demais culturas a cibercultura está sempre em evolução (...) Tudo é experimentação e mutações constantes, sejam no modo de se comunicar ou de realizar tarefas cotidianas ou não”. De certo modo, é como a sociedade contemporânea tem se apresentado: Mutável, sempre em evolução, procurando sempre outras formas de aperfeiçoar, melhorar e facilitar; “Para o jornalismo, o encontro de tecnologias computacionais e comunicacionais em rede foi um propulsor de mudanças históricas e significativas nas práticas da profissão...”, ou seja, a própria profissão de jornalista teve de se adequar a essa modernidade.


Andrizy Bento, Caroline do Prado, Marcos Vinicius da Silva, Samantha Fontoura, Tássia Rodrigues

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