domingo, 26 de outubro de 2008

Telenovela: Fórmula simplista, mas certeira.

Mesmo apresentando a mesma fórmula narrativa e estrutural de sempre, as telenovelas dependem dessa repetição exaustiva para obter sucesso comercial

É fato que a teledramaturgia costuma reprisar as mesmas fórmulas narrativas e estruturais em todos os seus produtos. Evidentemente que a repetição à exaustão leva a um caso de desgaste, saturação da fórmula. Mas não é o que vemos nesse caso particular da telenovela, uma vez que existe a impressão de se estar vendo sempre às mesmas histórias e, ainda assim, esse produto televisivo é o mais assistido, comentado e consumido pelo público.

Há sempre os mesmos estereótipos desfilando pelas locações. Os ricos, os pobres, os bons e os maus. Em determinados casos apresentando uma visão maniqueísta ao lidar com essas representações. Malhação é um claro exemplo onde se nota essa predominância de ricos ambiciosos e malévolos e pobres honrados e íntegros. No caso das novelas das 21 horas, vemos tanto protagonistas quanto antagonistas de diferentes classes sociais, com valores e características bem definidas, algo bidimensional, no qual o telespectador sabe bem para quem torcer durante todo o tempo. Assim, há o mocinho pobre que consegue ascender na vida pela sua competência, esforço, persistência, ou seja, por puro mérito pessoal, mostrando-se sempre incorruptível, mas há também o protagonista rico e bom caráter que dedica a maior parte do seu tempo à prática do bem.

O artigo A recepção da telenovela por jovens de classe popular: leituras hegemônicas, negociadas e opositivas, apresenta uma pesquisa realizada com 20 jovens de classe popular a respeito de suas leituras sobre as representações de pobreza na telenovela e uma análise comparativa das mesmas. O ponto de maior interesse desse trabalho está mais nas opiniões de quem participou da pesquisa do que no resultado quantitativo do trabalho, seja nas leituras preferenciais (Com opiniões do tipo: “Ele é um sujeito humilde que está correndo atrás para conseguir o que quer na vida”), leituras negociadas (“Na novela todo mundo tem final feliz e na vida real não. O povo continua na pobreza”.) ou leituras opositivas (“As novelas não são nada realistas”, “os pobres parecem sempre bem de vida”.).

Tudo isso leva a conclusão de que, se há uma generalização das leituras quanto às telenovelas (as pessoas não falam de uma novela específica e sim de que “nas novelas sempre acontece isso ou aquilo”); se as personagens apresentam sempre os mesmos destinos; e, se apesar de muitos criticarem ser o oposto da vida real, o final feliz tem de existir (do contrário, a novela mostra-se uma total decepção para os telespectadores) significa que a fórmula já tantas vezes repetida continua dando certo e é difícil pensar que os autores não vão recorrer a esse simplismo nos produtos que virão pela frente.


Andrizy Bento, Caroline do Prado, Marcos Vinicius da Silva, Samantha Fontoura, Tássia Rodrigues

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