domingo, 9 de novembro de 2008

Guerra da leitura

Sexta-feira passada eu estava lendo uma revista dessas famosas e que continha uma crônica ganhadora de dois prêmios esse ano. Logo que vi a chamada de capa, fui correndo até a página para ler e ver se era merecedora das conquistas – todo leitor é um crítico. Chegando ao destino, verifiquei quantas páginas era a crônica inteira. Estava trabalhando nessa hora, portanto não poderia demorar.

                A partir do início da leitura, logo me encantei com o primeiro parágrafo, apesar de não entender algumas palavras. Fui feliz até às últimas páginas e dei o aval merecedor – bem interessante. Observando, perto de mim, uma colega de trabalho e que estava divertindo-se com jogos no computador, daqueles bem simples e bobinhos, mas que fazem a hora passar rapidamente, indiquei a leitura da crônica para ver a reação e se seria tão capaz de lidar com esse meio de comunicação tão antigo como lidava com aquela máquina comunicadora tão poderosa.

                Eis que começou a tensão. – Sim, quero ver  – sorriu ela pedindo a revista. Eu, como tenho a mania de folhear a revista com todo cuidado, meu deu calafrios quando ela pegou e logo entortou a revista inteira para um lado e selecionou apenas a página inicial. Quando percebeu que o texto ocupava toda a página, sem nenhuma ilustração, desamassou a revista e começou a folha-lá com o intuito de ver quantas agonias iria passar. Ela não queria mais ler.

                - Grande né! – comentou com um sorriso mais constrangido agora. – É, mas é divertido, principalmente à parte dos cachorrinhos – brinquei e a encorajei. Começou a leitura. As duas mãos na cabeça, olhos que iam e voltavam. Colocou os óculos. Parou, coçou a cabeça. Voltou. Leu o primeiro parágrafo e desistiu de vez. Olhou para mim e disse:

                - Quer que eu te ensine a jogar um game de guerra? É bem divertido!


Kim Kopycki

Nenhum comentário: