domingo, 9 de novembro de 2008

Algúem viu minha identidade?

Não é novidade que a sociedade contemporânea busca diariamente a “fonte da eterna juventude”. Como diria o trio do Alphaville, na década de 70, com o sucesso “forever young”. Esse desejo do querer ser sempre jovem é antigo, e pode desdenhar indícios de sociedades antigas que já mantinham o hábito de se cuidar e valorizar o corpo.

Peguemos o exemplo mitológico de Narciso. Segundo a lenda na Grécia antiga, um belo rapaz permitiu-se “consumir” na margem de um rio, que refletia a sua face nas águas, sem perceber que apaixonou-se por sua beleza. Essa paixão pelo corpo perfeito e idealizado pela mídia na sociedade pós-moderna se traduz em indivíduos complexados e com falta de auto-afirmação, para assumirem a sua forma de se ver. As pessoas perdem suas identidades, pois querem se parecer com a modelo estampada na revista ou com atores com destaque no cenário global. As jovens bulêmicas e anorexas, e os rapazes musculosos são criações dessa mídia.

Um estudioso chamado Marx Featherstone analisou o comportamento dessa sociedade consumista, e concluiu que nas sociedades contemporâneas, a transformação no ciclo da vida faz com que as barreiras da juventude e velhice se “borrem” e, assim, manter-se jovem o coloca como um imperativo para os mais velhos. "Na cultura de consumo, a velhice é apresentada com imagens que a retratam como uma fase da vida na qual sua juventude, vitalidade e atratividade podem ser mantidas..." (Featherstone, 1994, p. 68). Ou seja, se não for desejável, serei desprezado pelo que os “sem identidade” julgam ser o ideal.

O metrossexual é um exemplo claro desse consumismo desenfreado. Ele investe uma parte de suas finanças na busca pela beleza, com higiene e artigos de beleza. Desta forma, os homens a cada dia se cuidam mais e zelam por um corpo perfeito e ideal. Clínicas de estética antes áreas freqüentadas por mulheres, recebem agora o sexo masculino disposto a se submeter a processos de busca pela beleza embasadas no alheio e imposto no seu subconsciente. Ele não quer ser diferente, mas sim pertencer ao grupo social. Por mais que eu perca minha identidade, importa o que vão achar de mim. O culto a beleza pode trazer a felicidade ao indivíduo repentinamente.

Gabriel Bozza

Nenhum comentário: