segunda-feira, 9 de março de 2009

A comunicação como Seleção


A comunicação é a unidade elementar que constitui os sistemas sociais e é compreendida como um processo de três diferentes seleções: a seleção da informação, a seleção da participação dessa informação e a compreensão seletiva ou não-compreensão dessa participação e sua formação. A informação é uma seleção a partir de um conjunto de possibilidades; a participação é a duplicação da informação numa forma codificada. Desse modo, constitui-se uma diferença entre informação e participação; a compreensão pressupõe a diferença entre informação e participação e toma essa diferença como pretexto para a escolha de uma conduta associada, ou seja, a compreensão também não é apenas a duplicação da participação em outra consciência, mas ela é o próprio pressuposto da continuidade da comunicação.
A comunicação não é possível sem um estoque comum de sinais e uma codificação uniforme. Somente mediante a efetivação das três seleções realiza-se a comunicação. Tais seleções não devem ser vistas apenas como funções, atos ou horizontes para pretensões de validade, ainda que essas possam ser ocasionalmente possibilidades de sua utilização. Não devem ser também consideradas apenas como elementos da comunicação, com possibilidades de existência independentes, as quais teriam de ser unidas por alguém. A comunicação é ainda um sistema fechado completo, formado pelas três seleções, as quais não podem existir uma sem a outra, ou seja, não há informação fora da comunicação, não há participação fora da comunicação e não há compreensão fora da comunicação (o homem não pode comunicar, somente a comunicação pode comunicar). Esse sistema é capaz de produzir os componentes a partir dos quais ela existe, através da própria comunicação. Nesse sentido é qualificada como um sistema auto-poiético, no sentido de auto-elaboração, como um sistema que é capaz de especificar não apenas seus elementos, mas suas próprias estruturas.
Somente a comunicação pode comunicar, ou seja, a comunicação se realiza como um processo circular auto-referente. Dessa forma, o que não é comunicado, não pode contribuir para o processo da comunicação. Somente a comunicação pode influenciar a comunicação; somente a comunicação pode decompor a unidade da comunicação; e somente a comunicação pode controlar e reparar a comunicação. A comunicação não tem nenhum objetivo e é arriscada porque se dirige para o afunilamento da questão. Se a informação participada e compreendida será aceita ou recusada. Tudo que pode ser afirmado a respeito da comunicação é se ela acontece ou não acontece. Isso não significa que não possam ser construídos episódios orientados para objetivos na comunicação, embora a comunicação em si não tenha uma finalidade.

Niklas Luhmann, sociólogo alemão.


3º período - Jornalismo B

Analívia Ferreira da Costa
Daniela Andrade
Flávia Pontarolla Tomita
Natália Santos da Luz

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