terça-feira, 10 de março de 2009

Ronaldo e sua mídia.

"A condição humana é um processo artificial. Baseia-se em artifícios, descobertas, ferramentas e instrumentos, a saber, em símbolos organizados em códigos. Os homens comunicam-se uns com os outros de uma maneira não "natural": na fala não são produzidos sons naturais, como, por exemplo, no canto dos pássaros, e a escrita não é um gesto naural como a dança das abelhas. Por isso a teoria da comunicação não é uma ciência natural, mas pertence àquelas disciplinas relacionadas com os aspectos não naturais do homem, que já foram conhecidas como "ciências do espírito". A denominação americana "humanities" expressa melhor a condição dessas disciplinas. Ela indica na verdade que o homem é um animal não natural."
Vilém Flusser


Ronaldo retorna envolto em glórias. Após seu gol de cabeça, no último domingo, virou manchete de jornais e notícia principal dos programas de televisão. A mesma mídia que tempos atrás o golpeou com retratações negativas, hoje glorifica o momento como "a volta do fenômeno". Segundo Guy Debord, em seu livro "A sociedade do espetáculo", "toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação."
Como tem sido visto, Ronaldo tem um contato muito próximo com a mídia. Ele faz parte, basicamente, do espetáculo do momento. Alguns anos atrás era a grande descoberta do futebol moderno, um jogador promissor e competente, disputado por grandes times e várias partes da imprensa. Algum tempo depois, foi julgado por seu peso, sua aparência física e algumas de suas atitudes. Agora, vemos a mídia o retratando de forma positiva novamente. Resta saber por quanto tempo esse novo espetáculo “alimentará” seu público.



Alessandra Belini, Amanda Ludwig, Gisele Linhares, Vinícius Salvino Borges
Jornalismo - Noturno

2 comentários:

Gaspar disse...

A citação de Vilem Flusser abordando a não-naturalidade do homem é bastante interessante. Ora, se natural significar o simplesmente o contrário de artificial, então somos naturais. Mas Flusser usa o conceito de natural num sentido mais amplo e consegue explicar melhor a nossa não naturalida, nossa capacidade ser diferente dos outros seres vivos, nos comunicando complexamente.

Gaspar disse...

Aliás, de que obra vocês extraíram essa citação do Flusser?