segunda-feira, 25 de maio de 2009

Bossa Nova – das universidades para a história da música brasileira.

A palavra “bossa” era uma gíria carioca que no fim dos anos cinqüenta, significava jeito, maneira. Quando alguém fazia algo de modo diferente, original, de maneira fácil e simples, dizia-se que esse alguém tinha “bossa”. A expressão “Bossa Nova” surgiu em oposição a tudo o que um grupo de jovens achava superado, velho, arcaico, antigo, dentro da música brasileira.
Diferentes harmonias, poesias mais simples, novos ritmos, batida diferente do violão, poesia diferente das letras, cantores diferentes dos mestres. A Bossa Nova não seria melhor nem pior. Seria completamente diferente de tudo, mais intimista, mais refinada, mais alegre, otimista.
O primeiro grande marco inicial da Bossa Nova aconteceu em primeiro de março de 1958, quando João Gilberto cantou, com a batida de violão diferente, “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Anos mais tarde, a Bossa Nova se tornaria um dos gêneros musicais brasileiros mais conhecidos em todo o mundo, especialmente associado a João Gilberto, Vinicius de Moraes, Antonio Carlos Jobim e Luiz Bonfá.
A bossa era acima de tudo um movimento da emergência urbana do país na fase desenvolvimentista da presidência de Juscelino Kubitschek (1955-60) e concentrou-se no Rio em apartamentos da zona sul como o da cantora Nara Leão. Em seu apartamento aconteciam encontros de jovens autores e músicos como Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Sérgio Ricardo e Chico Feitosa, entre outros. Os shows do grupo começaram no âmbito universitário e foi o primeiro movimento musical brasileiro a sair das universidades.
Em 1965, Vinícius de Moraes, um dos maiores expoentes da Bossa Nova, compôs com Edu Lobo um dos marcos do fim do movimento, Arrastão. Era o fim da Bossa Nova e o início do que se rotularia MPB.
A MPB nascia com artistas novatos, da segunda geração da Bossa Nova, como Geraldo Vandré, Edu Lobo e Chico Buarque de Holanda, que apareciam com freqüência em festivais de música popular e tinham um pouco de influencia da Bossa Nova. Disparada, de Geraldo, e A Banda, de Chico, podem ser consideradas marcos desta ruptura e mutação da Bossa em MPB.
O fim cronológico da Bossa não significou a extinção estética do estilo. O movimento foi uma grande referência para gerações posteriores de artistas, do jazz a uma corrente pós punk britânica .
No rock brasileiro, se destaca a regravação da composição de Lobão, Me chama, pelo músico bossa-novista João Gilberto, em 1986, além da famosa música do cantor Cazuza composta por ele e outros músicos, Faz parte do meu show, gravada em 1988, com arranjos fortemente inspirados na Bossa Nova.
Seu legado é valioso, deixando várias jóias da música nacional, dentre as quais Chega de Saudade, Garota de Ipanema, Desafinado, O barquinho, Eu Sei Que Vou Te Amar, Se Todos Fossem Iguais A Você, entre outras.


Clarissa Herrig
Larissa Dalitz
Lívia Marques
Jornalismo B - manha