segunda-feira, 25 de maio de 2009

Do êxodo rural à indústria cultural - Musica Sertaneja

Há uma lacuna muito grande entre música sertaneja e música caipira. Apesar de a primeira ter utilizado determinados elementos estético-formais da segunda, hoje, em nada mais elas se identificam. Enquanto a música sertaneja tem, hoje, uma função alienante para o seu grande público, distanciando-o da sua realidade concreta, através do uso que a indústria cultural dela faz, a música caipira, bem ou mal, ainda possui a função de evitar desagregação social do caipira através de manifestações lúdicas, profissionais e religiosas.
Do ponto de vista estético, a música sertaneja não se enquadra na categoria arte. Ela não é arte musical ou qualquer outro tipo de arte, porque sua configuração estética é feita de redundâncias tanto ao nível da forma como o do conteúdo. A sua perda de autonomia verifica-se não apenas pelo controle de qualidade estética que a indústria cultural impõe, mas também por transformá-la, ao mesmo tempo, em instrumento de consumo e de controle social, atribuindo-lhe o caráter não de arte, mas de anti-arte, distanciada, desta forma, da sua verdadeira função social.
No tocante ao consumo, verifica-se atualmente uma perfeita identidade entre as músicas sertaneja e a popular urbana. Os meios de comunicação de massa trabalham-nas igualmente. Tanto o rádio quanto a televisão são meios (entre outros) pelos quais essas modalidades musicais chegam até o público. Entretanto, essa divulgação é feita estrategicamente. Os seus horários são dispostos de acordo com as horas de lazer de cada uma dessas classes. Por isso é que a grande maioria dos programas sertanejos se verifica principalmente pela madrugada, durante o tempo em que o operário dirige-se ao trabalho, e à noite, quando já está concluída sua tarefa de produção.
A música caipira, após sua urbanização (música sertaneja), passa a exercer, quase que exclusivamente, o papel de instrumento da ideologia burguesa, desvinculando-se inteiramente de sua função de elemento catalisador das relações sociais no campo. Ela, hoje, é apenas um produto a mais do consumo de massa do meio urbano, dirigido principalmente ao proletariado.


Jornalismo noturno
Elisa Catalini
Luiza Garcia
Saulo Schmaedecke

Fonte: Acorde na Aurora: Música Sertaneja e a indústria cultural - Waldenyr Caldas

Um comentário:

acadêmicos do segundo ano de Jornalismo da PUCPR disse...

ótimo trabalho! fonte, tratamento da informação, considerações...