sábado, 23 de maio de 2009

Indústria Cultural e FUNK CARIOCA

O funk carioca surge na década de 1980 nas favelas do Rio de Janeiro, derivando de gêneros como o Miami Bass, devido a sua batida rápida.

O gênero funkeiro se espalhou pelo Brasil como sendo mais uma música popular, acarretando milhares de “seguidores”. Segundo Janotti Jr., o conceito de música de massa surgidas no século XX, está intimamente ligada ao “aparato midiático”, em que o é possível relacionar a configuração da música de massa ao desenvolvimento da indústria fonográfica. Logo o funk deixa de ser um aspecto característico da cultura carioca para entrar na lista de produtos da indústria cultural.

Nos últimos anos, uma série de mulheres receberam apelidos de frutas, intituladas Mulheres frutas, por apresentarem medidas avantajada se certas partes de corpo. Essas dançarinas ganharam fama pelo Brasil devido à propagação feita pela indústria cultural que está por trás de todo o aparato funkeiro além, é claro, de explorarem a sexualidade. Outro fato muito usado pela indústria cultural com as Mulheres Frutas é a exploração da sensualidade das dançarinas para venderem seus show, CDs, DVDs e com isso alimentar a sua indústria e alimentar o seu capital.

Para Adorno e Horkheimer a indústria cultural é um sistema coercitivo e inflexível causador do efeito de anti esclarecimento sobre os indivíduos, ambos definem a industrial cultural como não sendo uma espontaneidade da arte popular, pois se trava de um produto capitalista, em suma, o sistema tornou a arte em mero produto de consumo, e usou a massificação da arte como meio de sua ideologia de consumo.

A indústria cultura apresenta como fatores característicos três formas sistemáticas de produção:


Estandardização/padronização: a música funk em sua grande maioria apresenta uma massificação de ritmo, em que as batidas são várias vezes repetidas, num mesmo padrão. As letras das músicas são apenas incremento, que rimam com a batida. Como exemplo, podemos nos valer dos bailes funk, denominação dos locais onde as pessoas se reúnem para ouvir, dançar e fazer o funk. Para frequentá-los, além de gostar, é necessário estar vestido de acordo com o movimento e dançar conforme o grupo. O funk tem movimentos específicos, em torno da sexualidade e exposição do corpo. Não é necessário saber as letras, o ritmo e os passos serão sempre os mesmos.


Estereotipização: uma das grandes críticas dos frankfurtianos à indústria cultural está relacionado ao fato de o sistema capitalista usá-la para tornar o ser humano submisso aos interesses mercadológicos. Em suma, a indústria cultural cria os seus produtos para “pensarem” para o homem, com isso, o sistema gera uma fidelidade de gostos e costumes em seus consumidores, que de uma forma alienada começam a impor gostos no mercado, alimentando a indústria capitalista. Há um velho pensamento sobre os gostos que acreditamos ser o ponto principal da manutenção da industria cultural. Geralmente quem gosta de funk não gosta de sertanejo, quem gosta de soul não pode ouvir rap, quem admira hiphop dificilmente estará a par do brega. O fato é que tendo um grupo fechado de consumidores, a indústria só faz reciclar aquilo que já possui. Uma batida um pouco diferente, uma letra nova, um cantor revelado. Mas o público continua fiel ao seu “gosto”, e aqui entra a negação do novo.

Negação do novo: O público que é alienadamente fiel ao seu estilo, não busca experimentar diferente. Trata com preconceito os demais ritmos e estilos que a priori teriam muito a oferecer a quem aceitasse suas diferenças. Ser eclético hoje, além de ser difícil de encontrar, quando o faz, muitos tratam sua opção como falta de personalidade. A indústria cultural vende a maneira de ser, de ouvir, de se vestir. Logo, ao não estar de acordo com a proposta, passa-se a ser um desenquadrado, um fora de padrões, um estranho. E estranhos não são bem aceitos pela sociedade, logo caímos novamente no circulo vicioso da industria cultural. Cada um com seu ritmo, no seu mundo, no seu estilo, na sua vibe.


Postado por: Angela Weber e Fernando de Jesus
Segundo ano de Jornalismo - Noturno

Um comentário:

celina disse...

excelente exercicio. parabéns!
é o padrao desejado.
trabalha o tema e a bibliografia, faz a ligação com adorno-hork e aprofunda o estudo das características.

para o blog,o texto poderia ser mais curto, apontando uma só caracteristica