domingo, 24 de maio de 2009

O Samba e a sua transfomação

“Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração”

(Vinícius de Morais, Samba da Benção)


O gênero do samba, embora tenha sido conhecido como uma expressão cultural do Rio de Janeiro, é oriundo da Bahia. Lá, era tocado em rodas e suas músicas não possuíam tempo determinado de duração, tendo sempre improvisações adicionadas às suas letras toda vez em que eram tocadas. Quando levado para o Rio pelos negros que para lá foram, esse formato foi mantido, tanto que a primeira gravação de um samba, “Pelo Telefone”, atribuída a Ernesto dos Santos, o “Donga”, recebeu reclamações de outros autores reivindicando a sua co-autoria.

À medida que cresceu em popularidade, o gênero passou a ter mais músicas gravadas e transmitidas nas rádios. Para se adequar a essa realidade, o formato livre teve de ser abandonado em prol de outro comercial, com estrofes fixas e tempo médio de quatro a cinco minutos de duração. Desta forma, ficava mais acessível para o grande público, que precisaria dispor de apenas alguns minutos para conhecer uma canção em sua totalidade.

As diferentes formas de fazer samba geraram algumas rixas entre sambistas do morro e sambistas dos bairros. No famoso samba de Noel Rosa, “Feitiço da Vila”, a letra diz que “a Vila tem um feitiço sem farofa, sem vela, e sem vintém”, numa referência à macumba praticada nas favelas. Noel era de Vila Isabel, bairro nobre do Rio de Janeiro na época, e na letra da mesma canção ele diz que “Tendo nome de princesa, transformou o Samba num feitiço decente”, ou seja, o samba para ele teria melhorado ao ser trabalhado também por quem estudava música.

Como diz a canção de Vinicius, citada no começo do post: “Se hoje ele [samba] é branco na poesia, ele é negro demais no coração”. Branco neste verso pode ter dupla interpretação, ou seja, tanto pode ser lido como um samba de versos brancos (sem rimas), como pode ser entendido como feito por brancos.

Caetano Veloso fez um comentário muito crítico à canção “Feitiço da Vila”, que pode ser visto no vídeo abaixo.



Cássio Barbosa
Durval Ramos Junior
Guilherme Gaspar

3º período Jornalismo Manhã Turma A

Um comentário:

acadêmicos do segundo ano de Jornalismo da PUCPR disse...

ok, boa interpretação.
melhor seria se estabelecesse a possivel relação com a teoria, tocada no segundo paragrafo.