segunda-feira, 8 de junho de 2009

Indústria cultural X Folclore

Apesar de a indústria cultural hoje comandar a quase-totalidade da produção cultural no mundo, o folclore ainda consegue sobreviver do seu jeito: autoria anônima dentro do povo que produz, confecção artesanal e em pequena quantidade, vive muito mais na memória e oralmente do que gravado na escrita ou em qualquer suporte tecnológico que surgiu nos últimos anos. Além disso, quem se dedica a resgatar o folclore hoje é porque tem paixão por essa manifestação cultural, pois esse resgate é muito difícil, cansativo, mal-remunerado e não dá prestígio algum. De vez em quando, o interessado nisso pode contar com o patrocínio de empresas ou governos. Como a indústria cultural tem as características diametralmente opostas às da produção folclórica, e mais o objetivo de lucro, não conseguiu se apropriar completamente do fazer folclórico. É claro que quando começou a instalação nos países, esta precisou se apropriar de alguns elementos da cultura local para vingar, mas não consegue passar disso. Mesmo quando a música folclórica é armazenada, por exemplo, num CD, é apenas para preservação e modelo, ou seja, para que os cantores tenham uma base de ritmo e vozes, é produzido em pequena escala, não fica disponível comercialmente e, além disso, diante da grande quantidade de músicas folclóricas em torno do mesmo tema (por exemplo, para cada cena de um Boi-de-Mamão do Paraná), e que podem ser inventadas a qualquer momento, tem-se a impressão de que é inútil tentar gravar um CD de músicas folclóricas.

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