domingo, 6 de setembro de 2009

Em eterna construção

Parque São Lourenço, ao fundo (amarelo) Colégio Marista Santa Maria



Segundo Stuart Hall a identidade cultural está ligada a questões sociais. Por isso posso dizer que há cerca de dois anos vivi uma crise de identidade, por conta da troca de ambiente e das pessoas que o cercam. Estudei a minha vida toda no Colégio Marista Santa Maria. Não me via como uma aluna normal, aquele colégio foi durante anos a minha família. Minha bisavó é afiliada do Instituto Marista, e minha avó é dona da cantina do colégio desde 1975. Quando nasci, minha mãe trabalhava na cantina junto com a minha avó, e desde bebe eu ia com ela para lá. Depois quando minha mãe deixou de trabalhar lá, eu ia para um maternal ao lado do Santa Maria e passava o resto do dia no colégio com minha avó. Todos me conheciam, lá eu pratiquei diversas atividades, basquete, ginástica olímpica, dança...
Ficava o dia todo na instituição, quando tinha aula a tarde, chegava lá desde as oito da manhã. Quando tinha aulas de manhã, no contra turno estudava na biblioteca, conversava com os professores, inspetores, funcionários, etc. Lá encontrei uma grande paixão, que por muito tempo acreditei que fosse o meu futuro, o handebol. Por causa deste esporte, várias vezes, fiquei no colégio até as 21 horas, onde treinávamos desde as 18 horas. Por conta do colégio e do handebol, fiz amigos ligados apenas a isso, fiz várias viagens... Essa foto representa o Parque São Lourenço e ao fundo o Colégio Marista Santa Maria. No Parque São Lourenço, corríamos e fazíamos os exercícios de preparo físico, além disso, algumas tardes ia com minhas amigas tomar caldo de cana, ou então, fazíamos piquenique.
Quando entrei na faculdade, percebi que havia perdido tudo isso. Cada uma das meninas que compunha o time tinha ido para um local diferente, onde eu estava indo, meus familiares não estavam e eu não conhecia ninguém. Foi nesta época em que noto nitidamente a mudança da minha personalidade, e de minha identidade.
Baseada nestes relatos vejo minha identidade como uma “celebração móvel” . Já que, é transformada e formada diversas vezes dependendo apenas do ambiente em que estou e das influencias que sofro por causa dele. Fico em dúvida sobre o que definiria a minha identidade neste momento, acredito que não tenho tempo para uma própria identificação, e nem nada tão concreto como o que eu tinha antigamente.
Por conta desta identidade em construção, e indefinida, que escolhi a foto dos locais onde passei mais tempo na vida, onde minha personalidade foi concluída. O que serei daqui em diante não sei. Mas, tenho certeza de que os meus princípios, vieram da época de ‘Santa Maria.’




Bruna Covacci,


Jornal A


Diurno.

Um comentário:

celina disse...

bonita a sua forma de expressar uma identificação presente na memória afetiva.