terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cinza


Vivo com Curitiba uma relação de amor e ódio. Morando sozinho desde os 15 anos, a cidade acaba tendo seus momentos de altos e baixos: a vontade de fugir da monotonia de Antonina e o desespero de voltar para a rotina de sempre em Curitiba. E talvez seja essa a dificuldade de se determinar um lugar que me identifique na cidade. Não que eu a odeie, mas por não gostar do que ela às vezes me lembra. Se Hall diz que projetamos nós próprios nossas identidade culturais, projeto em Curitiba minha agonia e alegria pela rotina. "Várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não resolvidas", diria certo pensador jamaicano.

Enfim, optei - ou talvez o momento (ótimo formador de identidade, diga-se de passagem) tenha feito isto por mim - pela vista da janela do meu quarto. Não sei se sempre ou se apenas agora, mas é com o seu eterno céu cinzento que eu mais me identifico. Não vejo alegria em estar aqui, mas também não me quero em outro lugar. É nessa indecisão de Curitiba - a climática - que eu vejo a minha indecisão quanto a gostar ou não dela.

Durval Ramos

2 comentários:

Netsuke disse...

Ai que emo :(

celina disse...

na sua reflexão aparece o conflito da origem com a mudança, o pertencer.
oide ser interessante continuar a pensar nisso.