quarta-feira, 9 de setembro de 2009


Quando comecei a pensar em um espaço da cidade com o qual eu me identificasse, percebi que não se tratava de um único lugar, mas que era constantemente substituído e que não era necessário grandes mudanças para que isto acontecesse. Stuart Hall aponta uma “crise de identidade” no sujeito pós-moderno “ que sofre um deslocamento tanto de seu lugar no mundo social e cultural quanto de si mesmo”, não consegue mais ter uma definição fixa de si mesmo, sua identidade está sempre incompleta. Para ele, a identidade torna-se uma “celebração móvel” e não pode ser definida geneticamente, ela é construída. A ideia de uma definição única, que represente a identidade do indíviduo de maneira completa e sem incertezas é uma ilusão, o que o caracteriza é justamente essa pluralidade de representações. O parquinho que frequentava quando criança, a casa de minha avó, o pátio da escola, todos esses já foram locais que já me identifiquei, mas que agora não fazem mais parte do meu cotidiano. Acho que o Cine Luz seria a minha escolha neste momento, pois trata-se de um espaço tradicional da cidade, com apenas uma sala de exibição, longe dos shoppings. Sempre me encantei por lugares que acompanharam a evolução da cidade, mas que ao mesmo tempo, continuaram com a mesma função, sem desligar-se totalmente do passado.

Ana Luiza P. P. de Lima - Jornalismo B

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