domingo, 27 de setembro de 2009

Quando Seu Jorge encontra Stuart Hall


repostando a postagem do Murilo, com a recomendação para que todos leiam. Belo texto, lida de modo sensível com a questão teórica. Parabéns!

Stuart Hall acredita que na pós-modernidade as pessoas não conseguem encontrar uma identidade fixa ou permanente com determinado local. Já o “Seu Jorge” devia achar isso uma grande bobagem. E o mais legal, discordariaao som de um LP novinho em folha que, tímido ao fundo, sussurava: “And i don't know where we are all going to / Life don't get stranger than this / But it is what it is / and i don't know where we are all going to”. Contraditório não? Enfim, por mais que você implore, chore ou esperneie não está à venda. Ao menos ouvir ele deixava.

Hall dizia que a identidade poderia ser formada na interação entre “eu e sociedade”. Seu Jorge tornava tudo mais simples; para ele bastava “eu e música”. Com 5 minutos de conversa ele já sabia suas cinco bandas preferidas, as músicas que mexem com você e aquela, que escondidinha bem lá no fundo já fez você chorar. E esses cinco minutos já eram suficientes para ele saber se você merecia ou não ouvir a verdadeira história do Joy Division - por ele mesmo, é claro.

As manhãs de sábado sempre foram os dias mais divertidos: as mesmas (poucas) pessoas deixavam de ir para a aula em busca de... Bem, na verdade, ninguém nunca soube ao certo. Ao menos aprenderam que ouvir o Clash em 78 rotações (ah, não adianta, esse também ele não vende) é muito mais atrativo do que química, matemática ou qualquer coisa que o valha. Aprenderam também, com muito custo, que é humanamente impossível para uma pessoa com menos de 40 anos chegar a alguma conclusão sobre a verdadeira importância do Dark Side Of The Moon em menos de 4 horas. Hoje sabem que o verdadeiro “cara” do country é o Garth Brooks e sentem pena do Alan Jackson... E por aí vai.

Acredito que o que Hall tenta e quer dizer é que, todo o processo que envolve a construção de nossa identidade acaba sofrendo influência do valor simbólico e da cultura do local em que estamos inseridos. Ou tentando nos inserir. Seu Jorge deve concordar. No fundo, ambos sempre estiveram um pouco certos, cada um a sua maneira. E finalmente concordaram em alguma coisa.

Murilo Basso - 4º Período - Jornalismo / Noturno

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