quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sempre senti que o meu lugar era fora de Curitiba, em algum outro lugar que eu visitei diversas vezes, algum lugar que não pode ser um, mas sim vários, mas nunca senti que o meu lugar fosse fora de mim. Sempre soube que mais importante do que escolher a direção que se quer seguir temos que ter consciência daquilo que somos. Hall diz que muitas vezes as identidades são mal-resolvidas e contraditórias e que diferentes identidades puxam para diferentes direções, acho que a minha direção é uma só e é interna.
Porém, não podemos definir uma identidade, já que esse conceito é algo que constantemente inventamos que construímos como uma instituição, uma mentirinha que contamos para nos sentirmos melhores, para mostrarmos aos outros o quanto a nossa identidade revela seres intelectuais, cults, modernos, descolados. Nunca revelaríamos uma identidade que mostrasse aos outros quem realmente somos, em especial se formos todos porcos, egoístas, fadados sempre as mesmas convicções e opiniões cegas. Que mostrasse aos outros que somos seres completamente sozinhos e que não suportamos a nossa própria companhia, e por isso desesperadamente somos obcecados pela identidade dos outros.
Identidade só seria verdadeira se permanecesse em segredo.
Estamos na era em que mudamos de gostos e opiniões freneticamente e por conveniência, vendemos nossas almas todos os dias em troca do que mesmo?
Acho que prefiro me render àquela verdade de que não pertenço a um lugar, não quero que as pessoas julguem ou construam aquilo que é em segredo só meu. Não quero ter que barganhar ou explicar os meus objetos de identificação, quero simplesmente me ater ao fato de que de todo o lugar retiro um pouco e construo aquilo que sou, e ter consciência de que nunca, em nenhum lugar, me sentirei totalmente em casa. Não preciso da ilusão ou do sonho de pertencer a algum lugar, assumo todas as conseqüências que isso traz a mim e aos outros. Quando não pertencemos, temos a capacidade de olhar, de adentrar em diferentes universos livre de preconceitos e intencionalmente incorporá-los, mas apenas quando necessário, tendo, sempre, consciência do que esse “mergulho dentro do outro” representa.



Julia Bottini
Turma B.

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