sábado, 12 de setembro de 2009

Tardes de Parcão



Apesar de ser uma "paulistana da gema" e ter morado por dezoito anos na maior cidade do país, nunca tive um lugar pra chamar de meu em São Paulo. Mas em uma cidade como Curitiba, por ser menor e mais fácil de achar tudo e todos (pelo menos para mim é) acabei me identificando com esse local em especial. O Parcão, o espaço verde localizado atrás do MON. Muita gente nem conhece por esse nome, localiza-se pelo "parque que tem atrás do museu", mas foi justamente o nome que me atraiu. Em uma das pesquisas por lugares para visitar em Curitiba, no meu primeiro ano na cidade, achei o Parcão e quis conhecer, ainda mais quando soube que é ponto de encontro de muitos cachorros da cidade, o que eu adoro. Além, claro, de muita gente, famílias, crianças, amigos e por aí vai... Uma tarde no Parcão serve para pensar, rir, conversar, ler, tomar um sol (quando o céu quer abrir), observar, entre muitas outras coisas. Melhor ainda tendo um museu na frente, um bar ao lado e quando tem mais cachorros do que gente. A metrópole não permitia o contato com a natureza que tenho aqui e por isso acabei me identificando com o tal parque dos cachorros. Nada como uma bela tarde de sol para levar uma canga, um livro e talvez o seu cachorro e abstrair a rotina da cidade grande. É a tal "crise de identidade" que Stuart Hall cita no primeiro capítulo de seu livro, o duplo deslocamento, quando o indivíduo "sai" tanto de seu lugar social e cultural, quanto de si mesmo. O mais interessante da identidade é justamente encontrar um lugar que mesmo sendo público, consideramos nosso e que nos sintamos bem, em casa.

Michelle Bragantini
4° período - Jornalismo noturno

2 comentários:

acadêmicos do segundo ano de Jornalismo da PUCPR disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
acadêmicos do segundo ano de Jornalismo da PUCPR disse...

ok, tb um lugar distinto do escolhido pela maioria dos q postaram.
legal essa ideia do estar em casa, a partir de hall.