quinta-feira, 4 de março de 2010

Conceito de Comunicação como Diálogo.

Fonte : http://www.uff.br/mestcii/ines1
Conceitos e Modelos de Comunicação
Autor:
Inês Sílvia Vitorino Sampaio

A compreensão da comunicação como dialogia é, sem dúvida, um dos modelos mais influentes da comunicação, que remonta à filosofia grega de Platão e Sócrates. A escolha de um expoente desta corrente para efeito de análise tende a assumir, em alguma medida, um caráter arbitrário e limitado. Cientes deste risco, optamos por concentrar a nossa atenção na análise da concepção da comunicação de um dos autores contemporâneos mais expressivos que opera com esse modelo, o filósofo alemão Jürgen Habermas. A primeira consideração a ser feita acerca de suas reflexões sobre a comunicação é que estas se fazem inteligíveis como parte integrante do seu projeto de renovação da teoria social fundada no interesse emancipatório. Juntamente com os interesses técnico e prático, o interesse emancipatório fundaria uma das três vertentes constitutivas do conhecimento. Essa é justamente a tese central do seu trabalho ´Conhecimento e Interesse`, onde o autor postula que “todo conhecimento é posto em movimento por interesses que o orientam, dirigem-no, comandam-no“ (Heck, 1987:7). O interesse emancipatório é o fio condutor da obra habermasiana.
Ela é concebida como um processo dialógico, através do qual sujeitos, capazes de linguagem e ação, interagem com fins de obter um entendimento. Nessa formulação sucinta, estão delineados alguns pontos centrais da sua teoria da ação comunicativa ou da competência comunicativa. São eles: a compreensão da comunicação como interação, a centralidade da linguagem como medium privilegiado do entendimento - daí a noção de dialogia e a compreensão do entendimento como sendo o objetivo da comunicação.
Habermas dedica-se à discussão dessas questões, na sua tentativa de superar as aporias da razão moderna. Segundo o autor, a razão, reduzida à sua dimensão instrumental, cujo paradigma é a relação sujeito-objeto, desenvolveu-se, na modernidade, como razão manipuladora e opressora. O autor assegura, contudo, que a razão instrumental constitui apenas uma das faces da razão. Ao se constituir em razão hegemônica, ela obscureceu a visibilidade de uma outra face da razão, a razão comunicativa, que se refere à dimensão interativa do homem na sua relação com a alteridade.
Habermas recupera, na sua teoria da ação comunicativa, elementos da teoria da linguagem do segundo Wittgenstein e da teoria dos atos de fala de Austin. No primeiro caso, incorpora a tese de que falar é agir socialmente, ou seja, constitui uma forma de vida e de seguimento a regras gestadas socialmente. No segundo caso, assume a tese de que falar coisas significa fazer proferimentos que estabelecem relações sociais. Nesse sentido, a sua teoria ultrapassa a esfera da lingüística e se configura como pragmática.


Aluna: Bárbara Lobo da Silva 2ºano jornalismo/noturno

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