sexta-feira, 2 de abril de 2010

Comunicação, abstração?

Os estudos da comunicação se originaram de diversas disciplinas. Atualmente, como vem se dado essas contribuições? A comunicação vem sendo vítima de olhares e leituras específicas e paralelas ou tem modificado teorias e métodos de outras disciplinas? Os diversos trabalhos desenvolvidos são da área de comunicação ou são estudos sociológicos e políticos sobre a comunicação? Teria a comunicação, enquanto campo de saber, um objeto próprio, específico? Ou está cada vez mais ampla e fragmentada? Estas são algumas indagações da professora Vera Veiga França, em seu texto “Paradigmas da Comunicação”.

No começo do texto, a autora conclui que a especificidade no estudo da comunicação vem do olhar, do foco do próprio pesquisador. Ela cita a diferença de interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, deixando claro que, no primeiro caso, é o objeto de estudo que sofre diferentes olhares. Indaga como seria a atual situação da comunicação, uma vez que ela foi originada da contribuição de várias disciplinas, mas atualmente vem sofrendo diversas mudanças em suas teorias. A autora se pergunta se comunicação permanece em um lugar de entrecruzamento de diferentes perspectivas e tradições e se nossa área ainda não criou raízes nem começou a consolidar sua própria tradição.

Em uma parte do texto, Vera Veiga retrata resumidamente as várias correntes da teoria da comunicação, desde as primordiais, como a Escola Americana (década de 30, nos Estados Unidos) até estudos recentes sobre linguagem, discurso, sentido e semiótica, cada vez mais presentes no estudo da comunicação. Logo se percebe que o leque da comunicação é extenso e diversificado. Vera faz uma observação muito interessante sobre as correntes da teoria da comunicação: as primeiras referências, as mais antigas, são mais específicas, mais centradas nos meios de comunicação. Já as últimas, o panorama atual, é cada vez mais amplo. Há um novo sistema de pensar, a transdisciplinaridade não diz respeito apenas à comunicação, mas à prática científica contemporânea como um todo. Portanto, o estudo da comunicação está cada vez mais amplo.


Segundo a professora, trabalhando em amplas correntes, os estudos respondem e analisam muitos aspectos, tratam de elementos presentes no processo comunicativo e deixam de responder e apreender a comunicação. Vera afirma que a noção de comunicação deve ser suficientemente sólida e articulada para poder ser aplicada e permitir a análise de diferentes situações, como a cobertura jornalística de um evento e as estratégias eleitorais de um político. Mas deve ser suficientemente específica e focada, para permitir identificar nessas diferentes situações um mesmo processo básico, uma mesma dinâmica. A professora conclui que é o alcance (amplitude) e o olhar especializado (especificidade) que fazem da comunicação um lugar de conhecimento.

Por Laura Moreira Sliva - 3o. período Jornalismo - Manhã

Um comentário:

celina disse...

ainda q um tanto longo hehe, o seu estudo é bastante cuidadoso. parabéns.