quarta-feira, 9 de junho de 2010

"Atualmente ter uma produção 100% sua está muito difícil"


Como o jornalismo lida com a dependência de canais de notícia? Até que ponto as agências de notícia são positivas? Entre diversos aspectos interessantes que foram constatados durante a visita à redação que abrange o Estado do Paraná, a Tribuna do Paraná e o site Paraná Online, o fenômeno das agências de notícia merece destaque.

O Estado do Paraná tem distribuição estadual e foca em política e economia, tendo como público alvo as classes A e B. Já a Tribuna é um jornal mais local, de Curitiba e RMC, foca em noticiário de esporte e policial, atendendo a um público mais popular. No Estado, as notícias são meio a meio: 50% próprias, 50% de agências. Já a Tribuna tem apenas 35% de notícias de agências pelo caráter local do jornal. Na Tribuna, 65% de esporte são matérias feitas pelos repórteres e a editoria policial, segundo Tavares, é 100% de reportagens feitas nas ruas de Curitiba. A redação é conjunta e conta com 60 repórteres, parte vai para as ruas e outra fica checando assessorias, sites e agências na redação.

Por que usar agências? Rafael Tavares, diretor dos jornais, responde: "As agências têm a função de pulverizar notícias, com correspondentes em todos os lugares do mundo e elas possuem condições para fazer isso, porque tem cinco mil jornais para bancar. Você não tem como colocar um correspondente em cada lugar do mundo, não há dinheiro e estrutura para isso e, mesmo se tivesse, imagine 70 milhões de jornalistas tentando cobrir um assunto em tal parte do mundo? Haveria mais jornalistas do que pessoas em tal cidade! Com as agências, é mais prático e eficiente. Tanto que a Fifa só deixa entrar fotógrafos de agências nos eventos. Além disso, elas têm melhores condições financeiras para ter em mãos os melhores equipamentos e contratar os melhores profissionais. (...) Na agência O Estado, por exemplo, o pacote Copa custa R$ 9800,00 por mês. A France Press, por exemplo, leva 15 fotógrafos em um jogo internacional. Por que vou enviar um fotógrafo para concorrer com eles? (...) As principais agências nós assinamos: O Estado, France Press, Associate Press, Reuters, Agência O Globo, Folha Press, por necessidade humana e geográfica.”

Já Fábio Maurício Schafer, editor da editoria policial da Tribuna, é mais crítico: “Isso acomodou muito os jornalistas. Nós estamos num mundo muito rápido, muita informação, às vezes até em excesso. Você não tem tempo de verificar tudo como deveria. Então é importante, mas de certa forma acomoda, porque é muito mais fácil você pegar algo que já vem mastigado de uma assessoria de imprensa ou que você já viu num site como foi trabalhado, do que você ir atrás, pesquisar e produzir. Atualmente ter uma produção 100% sua está muito difícil. Cada vez mais o jornalismo se torna uma produção coletiva, no sentido de que pego o release do órgão, releases de sites que já produziram aquela matéria e se faz um terceiro ou quarto produto. Nesse sentido prejudica. Mas a gente tem como fonte, faz parte do mundo atual.

Laura Moreira Sliva, Paola Possato, terceiro período de Jornalismo- Manhã

Um comentário:

celina disse...

a pesquisa ficou bem completa e vcs tiveram uma boa quantidade de dados para contruir o texto.
o final ficou meio embolado...e as aspas?