sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lago do rio Passauna


Curitiba, cosmopolita, porém perdida em recantos “selvagens” em cuja população não olha e nem lembra, Stuart Hall fala sobre a crise de identidade, identidade essa que posso sentir toda vez que vou até os limites da cidade no Lago do Passauna, a porta de entrada para os cidadãos do interior que vem trazer seu trabalho, a de saída para os aborrecidos, e na margem ocidental do rio eu, gozando do provincianismo dessa cidade, sim nesse contexto uma virtude dessas terras. De dia urbana e emaranhada de fios, prédios e aglomerações, mas que dentro da alma de cada curitibano mora um pouco de um caipira, adormece uma mata virgem em um capinzal noturno cegado pelas luzes de néon.
De um lado Curitiba, de outro o inicio dos Campos Gerais no município de Campo Largo, campos faz lembrar o ciclo do tropeirismo, os tropeiros de fato os primeiros grandes comunicadores do Brasil, um rio selvagem, que divide Rivera e Ferraria o urbano e rural, a cidade do interior, cidade grande que habita no imaginário do bóia fria que sonha em vir para a capital, e o rural que habita o curitibano que espera um dia de folga para ter paz e tranqüilidade.
Isso talvez explique fenômenos como o crescimento da musica caipira (viola de dez cordas) nos últimos anos, musica essa que era tocada pelos tropeiros que davam as suas madrinheiras¹ água no leito do Passauna, esse rio na época era só um córrego, em suas margem existiam lembranças, desde o cavalgar das mulas ao som dos pássaros cantando em arvores, mas essas lembranças foram alagadas por uma represa, tudo ficou mudado, amanheceu virou passado.
Por isso a escolha do Lago do Passauna, antes agitado ponto de passagem, mas que foi alagado para dar a paz a todos aqueles que precisam voltar ao pó.

1 MADRINHEIRAS - Mula principal da tropa

Elian Woidello 4° Periodo Manhã

Um comentário:

celina disse...

bela percepção do lugar.
relevante quantidade de informações.
particularmente interessante o tocar na questão do imaginário ligado ao rural e ao urbano.
a foto é de sua produção?