sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Praça Oswaldo Cruz



Quando criança, eu queria duas coisas: um cachorro, e uma praça para passear com o meu cachorro (não, na minha cidade minúscula não havia praças). Era um desejo momentâneo, pura e simplesmente porque eu não podia tê-los. Mesmo assim, ao vir para Curitiba, e perceber que meu apartamento ficava em frente à uma praça, não pude evitar - adotei um cachorro, e o levava para passear todos os dias, realizada.
Pode parecer infantil, mas minha identificação com a Praça, a "minha praça", surgiu por uma vontade antiga, dos meus sete, oito anos. É uma concepção de identidade muito individualista, mas, olhando para trás, é possível ver onde estão as influências culturais e sociais, que definem o sujeito pós-moderno. É uma identificação originada da "falta de" - eu não tinha uma praça, então a queria. Hoje, aos poucos, esse sentimento de identidade se enfraquece: a novidade passou, e tantas outras chegaram. Informações, pessoas, trabalhos, faculdade. De acordo com Hall, e por experiência própria, tudo nos muda e torna a identidade algo passageiro, momentâneo.
Marcela Lorenzoni
Jornalismo, 4º Período - Manhã