sábado, 20 de novembro de 2010

Maffesoli e a comunicação pós-moderna


O pensador e sociólogo francês Michel Maffesoli é um dos poucos que ainda estão atuando e servem de base para pequisas sobre assuntos pertinentes do cotidiano. Comunicação é tudo, e está em tudo. É assim que o professor da renomada Sourbonne define o ato de comunicar. Para Maffesoli a comunicação vai além de simples informações e do uso de midías. Comunicar é estar em “comum”, comungar, e enfatiza valores emocionais muito mais significativos do que a simples troca de “informes”, ou informações.

O sociólogo explica que a função da comunicação é o contato, o simples “colocar em relação”, a chamada função “fática”. Já na informação o essencial é o conteúdo, o valor operativo, funcional, de um dado fornecido. Para ele a comunicação, o que para muitos hoje é uma ciêcia, ou um simples ato, é na verdade uma forma de vida social baseada no relacional. É sair de si, ir ao encontro do outro, buscar a interface e atuar na zona de interação É uma forma sensível da vida social do mundo contemporâneo e tenta compreender, como ela serve de “cimento social”, substituindo velhas utopias que uniam a sociedade. Michel Maffesoli sempre foi muito humilde e não se auto-entitula sociólogo ou pensador. Ele mesmo se insere nas suas análises, fazendo parte de tudo o que vê, e não agindo como um simples observador. Utilizando metáforas e criando sinônimos para representar e melhor compreender a pós modernidade, faz identificações, colocando o hedonismo além do racionalismo moderno e do individualismo proposto por críticos da sociedade de consumo e da indústria cultural.

Maffesoli introduz palavras como tribalismo, orgiástico, dionisíaco, conjunção social, cultura do sentimento, nomadismo e imaginário social, entre outras, nos estudos feitos para que haja melhor compreensão de como e o que é a vida na pós-modernidade e o que é a comunicação inserida, envolta e emergida nela. Para ele, "comunicar-se" se opõe à idéias de funcionalismo produtivista e da razão, que para o filosofo é castradora. Seria o que hoje os jovens dizem: “ficar”, mas que representa o oposto de permanência, representa então o volúvel, o passageiro. O que se completa, mas não se prende e não se desgasta. Em suas obras tudo é comunicação, e por este motivo o uso da palavra “comunicação” não se faz necessária. Para o filósofo, consumir-se e consumir vão de encontro um ao outro. Consumir-se é a parte positiva, onde a vida é tida como objeto principal, usufruída de maneira satisfatória, enquanto que consumir significa alienar-se, entrincheirar-se, isolar-se do resto.

Falar de Maffesoli é um desafio, visto que ele aborda de maneira tão fascinante o ato de comunicarmos. Precisaríamos de mais algumas páginas para chegarmos a uma bela conclusão. A que deixo aqui é que com certeza há muito prazer em estudar a comunicação pela ótica “maffesoliana”, o que nos tira a sensação da ditadura das mídias, e de que o que vemos é o que devemos ser e querer.

Leia:

A República dos Bons Sentimentos

O Conhecimento Comum

A Transfiguração do Político – A Tribalização do Mundo

O Mistério da Conjunção

Sobre o Nomadismo

Fontes

http://www.scribd.com/doc/17274829/Interfaces-Michel-Maffesoli-teorico-da-comunicacao

http://www.michelmaffesoli.org/

Camila Bette

Dayana Estevam

4º período de jornalismo PUCPR - Noite

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