segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pierre Lévy e a Cibercultura


Pierre Lévy é um instigante pensador da questão da técnica no contemporâneo. Para ele as tecnologias da inteligência ocupam um lugar privilegiado na mutação antropológica contemporânea. Na Universidade de Sorbonne, em Paris, o auto-intitulado “engenheiro do conhecimento” fez mestrado em História da Ciência e doutorado em Sociologia e Ciência da Informação e da Comunicação, voltando seus interesses às áreas da cibercultura e do espaço virtual. Um dos pensadores mais representativos da revolução digital no mundo contemporâneo, Lévy se mostra contra as teorias de virtual como oposição ao real e surge com o argumento de que a virtualidade, com suas infinitas e crescentes possibilidades de interação, tem apenas a adicionar a todas as instâncias da vida.
Segundo o filósofo, estamos assistindo ao surgimento de uma transformação tão radical nas culturas humanas que nenhuma ficção soube prevê-la. Para ele presenciamos, em nossa era, o nascimento da cibercultura. Em primeira estância nos estabelecemos fisicamente ampliando nosso domínio sob a superfície planetária, e estamos agora em vias de tecer uma enorme rede sobre ele, uma rede digital que aos poucos conecta tudo e todos. Envoltas e imersas nessa rede, o ciberespaço, nossas culturas nacionais fundem-se lentamente em uma cultura globalizada e cibernética.
Lévy define a cibercultura como um assunto polêmico. Diz que ela entrou na era comercial, e agora há somente questões de dinheiro envolvendo corporações internacionais, grandes conglomerados de software ou de entretenimento. Nessa visão, segundo Pierre, o crescimento do ciberespaço serve apenas para aumentar ainda mais o abismo entre os ricos e os excluídos, entre o Primeiro Mundo informatizado e as regiões pobres nas quais a maioria dos habitantes nem mesmo tem um telefone. A cibercultura seria, portanto, nesse sentido conservadora e reacionária.
Em contrapartida para o autor, o ciberespaço também é um agente de libertação, ao permitir que textos e imagens de todos os tipos circulem em grande escala no mundo inteiro sem nunca passarem pelas mãos de qualquer editor, redator ou censor. Em breve, o mesmo ocorrerá com a música, os filmes, os jogos interativos ou os mundos virtuais. A cibercultura coloca em questão muitos dos valores já estabelecidos em nossa sociedade: questiona o poder político centralizador do Estado, bem como o seu poder de censura. Ela permite a todos os indivíduos uma liberdade de expressão sem precedentes na História, sendo dessa forma progressista e revolucionária.
Afinal, devemos opor-nos ao crescimento de uma ferramenta de manutenção do status ou, ao contrário, dedicar-nos a fomentar o crescimento de uma nova e libertadora forma de expressão?
Nas palavras de Levy,” Estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço no plano econômico, político, cultural e humano. Que tentemos compreendê-lo, pois a verdadeira questão não é ser contra ou a favor, mas sim reconhecer as mudanças qualitativas na ecologia dos signos, o ambiente inédito que resulta da extensão das novas redes de comunicação para a vida social e cultural. Apenas desta forma seremos capazes de desenvolver estas tecnologias dentro de uma perspectiva humanista”.



Referências:

Cibercultura – Pierre Lévy – Tradução Carlos Irineu da Costa – São Paulo – Ed. 34 - 1999.

As árvores de conhecimentos – Pierre Lévy e Michel Authier –Tradução Mônica M. Seincman – São Paulo - Ed. Escuta – 2ª ed. 2000.


Site: http://loja.fronteirasdopensamento.com.br/site2007/default1.asp?menu=conferencistas&act=25
Consulta em: 15/11/2010.


Alunos: Rogério Teotonio Rodrigues - Ricardo Segura Tomasi - Jornalismo - 4º período.

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