quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A tevê como vigia


Clecyo de Sousa e Muriel Aquino 4º período Jornalismo noite PUCPR

_Um dos aspectos mais decrépitos do resultado das eleições de 2010 – além da vitória do palhaço Tiririca –, foi o papel de juízes da verdade e da moral que alguns veículos de comunicação se propuseram. O quarto poder que a imprensa assumiu como defensora da liberdade foi confundido e serviu de base para que certos jornais, revistas e canais de tevê assumissem um papel de controle da disputa eleitoral.

_Ao ignorarem um de seus papéis essenciais de informar com isenção, a revista Veja, do grupo Abril e o jornal Folha de S.Paulo, da família Frias, declararam uma guerra ideológica contra a então candidata Dilma Rousseff. Neste aspecto, consegue-se fazer uma paralelo com uma das obras influentes do filósofo francês Michel Foucault. Em Vigiar e Punir, de 1975, Foucault analisa a ideia de um sistema de prisões construídas para facilitar a disciplina e adequação de criminosos a padrões “normalizantes” aceitos pela sociedade. Podemos substituir o teoria, como se o Brasil estivesse longe de um modelo tido como certo por uma camada da sociedade, que está descontente com os rumos dados pelo governo Lula. De forma tipicamente genealógica, a análise de Foucault mostra como as instituições [aqui, a imprensa], desenvolvidos para diferentes propósitos, convergiram para criar o sistema moderno de poder disciplinar.

_Transformados em arautos da “normalidade”, tanto a Veja quanto a Folha de S.Paulo destruíram os cânones do jornalismo ético voltado ao serviço para o cidadão e assumiram um papel de arautos da decência. Se Foucault apresenta sua teoria onde o estado puniria menos, mas puniria certamente melhor os criminosos, ambos os veículos tornaram-se uma forma distorcida de “método de controle” de uma minoria elitizada, para a derrubada do modelo vigente e a imposição de outro “ideal”, materializado pelo candidato José Serra.

_Este comportamento é um excelente exemplo daquilo que Foucault também chama de “poder/conhecimento”. Pois combina em um todo unificado "a implantação da força e o estabelecimento da verdade". Ela provoca tanto a verdade sobre aqueles que se submetem ao exame (neste caso as diversas reportagens e colunistas a serviço da oposição) e controla o seu comportamento (coloca em pauta, como veículos de influência, assuntos abordados de forma a criar crises na campanha de Dilma).

_Não se faz aqui uma apologia barata à censura. Aliás, outro assunto que ambos e os demais veículos da imprensa abordam de forma equivocada. Citando ainda Foucault, ao escolherem pautas visando apenas um dos lados da eleição, tanto Veja quanto a Folha assumiram uma função de “poder disciplinar”. Se ignoraram as regras básicas do bom jornalismo para influenciar o conhecimento [em forma de notícia, nesta análise] em torno do processo eleitoral visando a derrota da candidata do presidente Lula, cabe um questionamento sobre o tipo de imprensa ambos os veículos podem ser de agora em diante, quando pretendem controlar o que a opinião pública deve pensar sobre qualquer assunto.

Um comentário:

celina disse...

ótima interpretação do autor. ainda q, como sempre, um tanto catártica...