quarta-feira, 16 de novembro de 2011


Jean Baudrillard, em seu ensaio sobre o Big Brother, critica o conceito e até mesmo a audiência desses ‘reality shows’. De acordo com ele, as banalidades da qual tratam são uma válvula de escape utilizada, pelos espectadores, para fugir o ‘teatro da crueldade’ de Antonin Artaud que Baudrillard usa como analogia para a nossa ‘realidade’.

O ato de assistir a esses programas é comparado ao estar presente no panóptico, proposto por Jeremy Bentham, espionando e julgando indivíduos superexpostos, ‘vivendo’ uma realidade experimental. Baudrillard cita Walter Benjamin: “A humanidade que, outrora, com Homero, fora objeto de contemplação pelos deuses do Olimpo, o é agora para si mesma. A alienação de si mesma atingiu um grau que lhe faz viver a sua própria destruição como uma sensação estética de primeira ordem”. Assim, os teóricos supõem que o ‘voyeurismo’ que atrai tantas pessoas para questões supérfluas é a expressa vontade de ser visto também.

Segundo Baudrillard, há duas possibilidades para justificar o sucesso de Big Brother; a primeira é o fato de os espectadores compartilharem da estupidez e promiscuidade expostas, a segunda seria o prazer de se sentirem menos estúpidos e promíscuos que os envolvidos. Isso acaba trazendo, segundo o teórico, “uma exaltação máxima por uma qualificação mínima”.

Por fim, Baudrillard esclarece como somos todos cúmplices de um crime contra a humanidade que é a banalização do sexo e da própria realidade e da concretização do que ele chama de uma democracia radical.

FONTE: http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/famecos/article/view/295

Pauline Féo

Mariana Siqueira

Olívia D'Agnoluzzo

Gustavo Magalhães