sábado, 18 de fevereiro de 2012

Conceito de Comunicação

Por João Batista Perles, professor de Teorias da Comunicação na Faculdade de Selvíria (FAS)-MS; Professor de Jornalismo Especializado nas Faculdades Integradas de Três Lagoas (AEMS)-MS.

De imediato, podemos classificar a comunicação conforme propõem os dicionários, assim o termo seria apenas mais um substantivo feminino: “1. ato de comunicar; informação, aviso; 2. passagem, caminho, ligação”. (Rocha 1997, p.154). Mas tal classificação, além de insuficiente para descrever o fenômeno, se serve do longo processo de desenvolvimento da linguagem para simplificar um dos fenômenos mais importante da socialização, cujos limites sempre estão por
vir, conforme ressalta Baitello Júnior (1998, p.11):

Hoje o homem tenta lançar pontes (ainda que hipotéticas) não apenas sobre a origem do universo, sobre o chamado big bang, mas também sobre as raízes remotas dos códigos da comunicação humana. Constata que a capacidade comunicativa não é privilégio dos seres humanos; está presente e é bastante complexa em muitos outros momentos da vida animal, nas aves, nos peixes, nos mamíferos, nos insetos e muitos outros.

Resgatando o termo em sua etimologia Marques de Melo (1975, p. 14) lembra que “comunicação vem do latim ‘communis’, comum. O que introduz a idéia de comunhão, comunidade” (grifos do autor). Mas, se falamos em “processo de comunicação”, cabe também uma rápida inspeção no termo “processo”. Berlo (1991, p. 33) assim descreve sua aceitação do termo:

Um dicionário, pelo menos, define “processo” como “qualquer fenômeno que apresente contínua mudança no tempo”, ou “qualquer operação ou tratamento contínuo”. Quinhentos anos do nascimento de Cristo, Heráclito destacou a importância do conceito de processo, ao declarar que um homem não pode entrar duas vezes no mesmo rio; o homem será diferente e assim também o rio. [...] Se aceitarmos o conceito de processo, veremos os acontecimentos e as relações como dinâmicos, em evolução, sempre em mudança, contínuos. [...] Não é coisa estática, parada. É móvel. Os ingredientes do processo agem uns sobre os outros; cada um influencia todos os demais.

Acolhendo o pressuposto de Berlo, Sousa (2006, p. 28) assume o conceito de comunicação como processo, em razão de que o termo “designa um fenômeno contínuo [...] com sua evolução em interação”. Não faltaram, ao longo dos estudos da comunicação, contribuições coerentes à compreensão de fenômeno tão complexo. Seus fundamentos científicos encontram-se ancorado
na biologia mencionada por Teles (1973, p. 19) para quem

Uma rocha se comunica, à medida que suas partículas nucleares se atraem ou se repelem na intimidade de sua estrutura atômica. Como se vê, comunicação implica movimento. Por convenção, chamou-se vida ao automovimento imanente. Sua extensão foi restrita ao campo biológico, plantas e animais, em função da imanência. Na antropologia, considerada por Souza
Brasil (1973, p. 80) quando questiona sobre a capacidade da fala. Já que não estamos estudando especificamente a evolução dos primatas, nem mesmo a gênese humana em si, resta-nos portanto saber por que se diz que o homem é sabido, já que só os sabidos pensam e falam? [...] Quando e por que um determinado animal poderia ser classificado como homem e quando outro, que apresenta estrema semelhança anatômica, não o poderia?

Na psicologia, com Pereira (1973, p. 108) que procura lançar luzes sobre os elementos sensoriais e, concomitantemente, sobre importantes aspectos da experiência estética. O ser humano é um “sistema” aberto em constante intercâmbio consigo próprio (vida interior mental e visceral) e com o mundo ambiental. Isso só é possível graças aos elementos e órgãos que forma o Conjunto SENSORIAL (órgãos do sentido, sensibilidade à dor, etc., etc.) e às FUNÇÕES PERCEPTIVAS. [...] Durante a transmissão de sinais ou símbolos, no trabalho de comunicação, o colorido emocional e a tonalidade afetiva tem fundamental importância [...] (grifos do autor). Na sociologia, quando Menezes (1973, p. 147) propõe que o processo de comunicação poderia ser considerado como fundamento da vida social [...] Com efeito, num plano lógico de consideração dos fatos, o processo da comunicação humana poderia ser encarado como o fundamento da vida social e não o contrário, conquanto do ponto de vista da natureza ou da estrutura dem tais fenômenos os dois se manifestam de forma nitidamente inseparáveis e, mais
que isso, interdependente: [...]. Na lingüística, porquanto Souza (1973, p. 209) sugere que a Lingüística e Teoria da Comunicação tem-se contribuído mutuamente. Seria bizantinismo discutir-se, entre Lingüística e Teoria da Comunicação, qual a que maior contribuição prestou à
outra, já que elas se ajudam reciprocamente, numa estreita correlação. [...] É pacífico, desde Aristóteles, que o homem é um ser social. Nem todos, porém, concordam com os fundamentos dessa sociabilidade. Ninguém pode negar, entretanto, que a comunicação (principalmente a lingüística) (sic!) é condição basilar dessa sociabilidade, que pressupõe um intercâmbio entre os homens a fim de que seja possível a transmissão, de um para o outro, de experiências, conhecimentos e apelos. E, finalmente, Sá (1973, p. 243) na filosofia quando, por analogia, estabelece uma primordial relação afirmando que A teoria do Conhecimento está voltada para três aspectos importantes do saber:

—Existe algo?
—É possível conhecer?
—Pode-se transmitir?

A Comunicação está voltada — pois que nisto envolta — para estas mesmas indagações. Inverte-se, apenas, a colocação do problema.

—Pode-se (comunicar) transmitir?
—O que se comunica se conhece?
—O que se conhece existe?

[...] A possibilidade da transmissão do conhecimento é assunto gnosiológico e é, também, assunto de comunicação. Também Marques de Melo (idem, p.31) traça um rápido panorama da comunicação por meio dos diversos conceitos: o científico, o filosófico e o estrutural. Adotando este último para trilhar, o autor resume a comunicação enunciando: “Comunicação é o processo de transmissão e recuperação de informações”, mas adverte para o fato de que “[...] ao analisar o fenômeno comunicativo, cada ciência e corrente filosófica utiliza a sua própria perspectiva, a sua própria terminologia, os seus conceitos específicos”. Reconhecemos tais contribuições como fundamentais à compreensão do fenômeno comunicativo e, ampliando tais perspectivas, nos parece pertinente, até em função daquilo que se tem estudo nos últimos anos, mencionar a existência de pressupostos sóciointeracionistas-discursivos difundidos pela escola francesa, cujos axiomas foram inaugurados pelo lingüista russo Mikhail Bakhtin e que deságuam no princípio do dialogismo. Mas aqui não discutiremos tais pressupostos em função do objetivo do trabalho e seus limites espaciais, embora a tenhamos como mais uma caminho alternativo para pavimentação do campo espistemológico da comunicação

Alunos: Kauanna Batista Ferreira, Mariana D'Alberto, Raffaela Silvestre Porcote e Rodrigo de Lorenzi Oliveira

Um comentário:

celina disse...

ok o estudo.
o texto deveria ser menos extenso.
o autor perles já foi citado...