segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Teoria da Comunicação

Etimologia do termo Comunicação
O termo comunicação vem do latim “communicatio”, do qual distinguimos três elementos: uma raiz munis, que significa “estar encarregado de”, que acrescido do prefixo Co, o qual expressa simultaneidade, reunião, temos a idéia de uma “atividade realizada conjuntamente”, completada pela terminação tio, que por sua vez reforça a idéia de atividade. E, efetivamente, foi este o seu primeiro significado no vocabulário religioso aonde o termo aparece pela primeira vez. Alguns sentidos importantes se encontram implicados nesse sentido original:
1) o termo comunicação não designa todo e qualquer tipo de relação, mas aquela onde haja elementos que se destacam de um fundo de isolamento;
2) a intenção de romper o isolamento;
3) a idéia de uma realização em comum. Deve-se distinguir comunicação de dois outros termos. O primeiro é “participação”, no sentido platônico. Para esta tradição filosófica, “participação” expressa a relação dos seres sensíveis com as idéias: as folhas das árvores e a esmeralda participam do verde, da idéia de verde. E, por outro lado, comunicar não é “ter algo em comum”, apenas por ser membro de uma mesma comunidade. Não se trata de comungar alguma prática, fazer alguma coisa juntamente com outras pessoas, uma espécie de “ação ou hábito coletivo”.
Desse modo, pode-se dizer que o termo comunicação não se aplica nem às propriedades ou ao modo de ser das coisas, nem exprime uma ação que reúne os membros de uma comunidade. Ele não designa nem o ser, nem a ação sobre a matéria, tampouco a práxis social, mas um tipo de relação intencional exercida sobre outrem. Enfim o significado de comunicação também pode ser expresso na simples decomposição do termo comum+açâo, de onde o significado “ação em comum”, desde que se tenha em conta que o “algo em comum” refere-se a um mesmo objeto de consciência e não a coisas materiais, ou à propriedade de coisas materiais. A “ação” realizada não é sobre a matéria, mas sobre outrem, justamente aquela cuja intenção é realizar o ato de duas (ou mais) consciências com objetos comuns. Portanto, em sua acepção mais fundamental, o termo “comunicação” refere-se ao processo de compartilhar um mesmo objeto de consciência, ele exprime a relação entre consciências.
O que dizem os dicionários?
Os dicionários justamente confirmam e contribuem para esta dispersão do sentido. E não se poderia esperar outra coisa, já que para eles cabe a missão de recolher e inventariar os sentidos em uso por uma certa comunidade lingüística. Dentre as definições mais correntes, podem ser encontradas as seguintes significações:
1. Fato de comunicar, de estabelecer uma relação com alguém, com alguma coisa ou entre coisas;
2. Transmissão de signos através de um código (natural ou convencional);
3. Capacidade ou processo de troca de pensamentos, sentimentos, idéias ou informações através da fala, gestos, imagens, seja de forma direta ou através de meios técnicos;
4. Ação de utilizar meios tecnológicos (comunicação telefônica);
5. A mensagem, informação (a coisa que se comunica: anúncio, novidade, informação, aviso… “tenho uma comunicação para você”, apresentar uma comunicação em um congresso”);
6. Comunicação de espaços (passagem de um lugar a outro), circulação, transporte de coisas; “vias de comunicação – artérias, estradas, vias fluviais”;
7. Disciplina, saber, ciência ou grupo de ciências.
Assim, compartilhar, transmitir, anunciar, trocar, reunir, ligar (pôr em contato), são expressões, variantes ou usos figurados de um sentido primordial e mais geral que exprime “relação”.
Informação, mensagem
Uma mensagem ou informação não é comunicação senão de modo relativo. Primeiramente, ela é comunicação em relação àqueles que podem torná-la enquanto tal, isto é, não como coisa, mas como da ordem do simbólico. Em seu sentido etimológico, “informar” significa “dar forma a”. Mas o que exatamente está sendo “formatado”? De um lado, a matéria, bem certo, pois se trata de elaborar traços materiais. Quando escrevo deixo marcas de tinta sobre o papel; em emissão radiofônica se produzem vibrações com certa freqüência, ondas sonoras tendo o ar como suporte; em uma emissão de televisão, a tela serve de suporte para os pontos luminosos que compõem a imagem, etc. Toda informação pressupõe um suporte, certos traços materiais (tinta, ondas sonoras, pontos luminosos…) e um código com qual é elaborada a informação. Códigos que nada mais “que uma organização desses traços materiais, justamente o princípio a partir do qual os traços materiais serão dispostos, arranjados, sobre o suporte e, portanto tornando-se uma informação.
Podemos dizer então que num primeiro momento é a matéria mesma que é “informada”, que recebe certas características formais, mas o processo estaria incompleto se não admitíssemos um outro plano de “formatação”, pois a forma na matéria deve corresponder a certas reações no psiquismo do receptor, quer dizer, os traços materiais que dão existência à informação devem possibilitar reações no psiquismo ou na consciência do receptor, de tal forma que ele possa compreender a organização dos traços materiais como uma mensagem.
Mas precisamente, os traços materiais permitem que o receptor possa reagir, em seu psiquismo, de forma similar àquela do psiquismo do emissor, ou seja, através dos traços materiais organizados a partir de um certo código, portanto da informação, a consciência do receptor passa a ter um objeto de consciência semelhante ao do emissor. Através da informação chega-se a ter algo em comum, um mesmo objeto de consciência. Por conseguinte, a informação pode ser considerada como uma parte do processo de comunicação, ou como sinônimo desse processo. O certo é que não temos comunicação sem informação e, por outro lado, não temos informação senão em vista da possibilidade dela se tornar comunicação. Enfim, se a identificarmos como plano material do processo, pode-se dizer que uma informação é comunicação em potencial, se levarmos em conta sua capacidade de ser estocada, armazenada (codificada) e reconvertida num segundo momento (decodificada ).
O que é Comunicação?
A resposta mais imediata à questão, trazida pela nossa vivência (ou senso comum), vai resgatar – ou apoiar-se – na sua dimensão empírica: trata-se de um objeto que está na nossa frente, disponível aos nossos sentidos, materializando em objetos e práticas que podemos ver, ouvir, tocar. A comunicação tem uma existência sensível; é do domínio do real, trata-se de um fato concreto de nosso cotidiano, dotada de uma presença quase exaustiva na sociedade contemporânea. Ela está aí, nas bancas de revista, na televisão da nossa casa, no rádio dos carros, nos outdoors da cidade, nas campanhas dos candidatos políticos e assim por diante. Se estendemos mais os exemplos (e também nosso critério de pertinência), vamos incluir nossas conversas cotidianas, as trocas simbólicas de toda ordem ( da produção dos corpos às marcas de linguagem ) que povoam nosso dia- a -dia. Assim, temos que uma primeira resposta à indagação sobre objeto da comunicação nos ostenta, com firmeza, um objeto ou conjunto de objetos empíricos.
Numa firmeza enganosa temos que registrar em seguida: os objetos (ao contrário do que diz a intuição imediata) não se encontram aí, prontos e recortados: os “objetos” do mundo são recortados (ou religados) por nosso olhar e nossa compreensão, por nossa maneira de ver. Senão vejamos: quando dizemos que o objeto de comunicação são os meios de comunicação de massa, e dentre eles a televisão, por exemplo, ao que, exatamente, estamos nos referindo? Ao aparelho e todo o desenvolvimento tecnológico que possibilitaram transmitir e receber sons e imagens instantaneamente, nos quatro cantos do mundo, com alto grau de precisão? À maneira como foram se conformando as mensagens (a produção discursiva) dentro desse novo meio? À diversidade de produtos (gêneros discursivos) que foram aí gerados? Ao desempenho, competências, à cultura profissional, enfim, dos que aí trabalham? Às características do processo de produção e circulação dos produtos (das rotinas produtivas às técnicas de inserção e disputa de mercado)? Aos hábitos, competências, interpretações, re-elaborações e usos específicos dos telespectadores? Ou às influências a que eles estão expostos? À sociedade que criou e impulsionou o uso da TV? À tv com relação ao rádio, ao cinema, à revista ilustrada, que a precederam? Ou às modificações que ela vem sofrendo, com a chegada do vídeo, dos canais a cabo, das imagens digitais, do mundo da Web? Quem sabe tudo isso em conjunto – não apenas a televisão, mas essa nova realidade, criada pela presença dos vários meios de comunicação, com que isto significou na reconfiguração das nossas experiências cotidianas e de várias outras dimensões do real?
Essa última afirmativa – fazendo corresponder comunicação/meios de comunicação, ou realidade midiática – que parece convincente e é amplamente aceita, não significaria, no entanto, afirmar também a inexistência da comunicação nos períodos anteriores? Mas então, como podemos nomear o que faziam nossos antepassados – relatando seus feitos, decidindo suas querelas, instituindo seus valores, invocando seus deuses, cantando seus amores? Ora, é óbvio que os homens sempre se comunicaram, que os primeiros agrupamentos humanos, aquilo que podemos intuir como o embrião da vida social, apenas se constituíram sobre a base das trocas simbólicas, da expressividade dos homens. É obvio que a comunicação – processo social básico de produção e partilhamento do sentido através da materialização de formas simbólicas – existiu desde sempre na história dos homens, e não foi inventada pela imprensa, pela tv, pela Internet. A modernidade não descobriu a comunicação – apenas a problematizou e complexificou seu desenvolvimento, promovendo o surgimento de múltiplas formas e modulações na sua realização.

ORODRIGUES, Adriano. – Comunicação e cultura. A experiência cultural na era da informação. Lisboa: Presença, 1994.
MATTOSO CAMARÁ JR, Joaquim – Manual de expressão oral e escrita. São Paulo: Vozes, 1995, 13 ed.
DAVIS, Flora – A comunicação não-verbal. São Paulo: Summus, 1984, 11 ed.
HOHLFELDT, António; MARTINO, Luiz C. e FRANÇA, Vera Veiga – Teorias da comunicação. Petrópolis: Vozes, 2001, 2 ed.
CASASUS, J. M. – Ideologia y analises de médios de comunícación. Barcelona: Dopesa, 1979

Alunos: Aline Valkiu, Diego Laska, Joao Paulo Nunes, Kauanna Batista e Raissa Melo.
3º período- Jornalisno noite

Um comentário:

celina disse...

bom estudo
mas
loooongo...
para a postagem, bastaria um resumo de hohlfeldt, por ex.