domingo, 17 de junho de 2012

A música sertaneja e a Indústria Cultural

A música sertaneja teve a sua criação no interior paulista, entre os anos de 1910 e 1920. Feita por compositores rurais, era chamada de moda viola e foi denominada pelo folclorista Cornélio Pires em seu livro "conversas ao pé do fogo", como uma música caracterizada por suas letras românticas e pelo canto triste, que lembrava as senzalas mas que tinha a sua dança feita de forma alagre. No Brasil, desde sua criação, ela pode ser dividida em quatro períodos, diferenciados entre eles por questões sócioeconômicas e tecnológicas em relação a produção e a temática das canções. No primeira período,o gênero era conhecido como música caipira, cujas letras evocavam o modo de vida do homem do interior (muitas vezes em oposição à vida do homem da cidade), assim como a beleza bucólica e romântica da paisagem interiorana. O segundo, teve início após a Segunda Guerra Mundial, com a incorporação de novos estilos, gêneros e instrumentosA temática também mudou, tornando-se gradualmente mais amorosa, porém, conservando ainda um caráter autobiográfico. O terceiro, ja nas década de 70,  teve a introdução da guitarra elétrica e o chamado "ritmo jovem", marcando o início da fase moderna da música sertaneja. Já a  partir da década de 80, essa penetração estendeu-se às rádios FM e também à televisão, fazendo surgir uma tendência mais comercial e romântica na composição das músicas. O quarto e atual período, mudou muito a forma do sertanejo convencional, já que alguns instrumentos como a sanfona, se tornaram mais eletrônicos, assim, tornando a música com um ritmo um pouco mais acelerado. Sua composição tem temática cômica e e chama-se universitário pelo fato de que seus maiores apreciantes são adolescentes.


A música sertaneja na TV, no cinema e na Rádio.

Com a modernização dos meios de comunicação e de produção cultural, ficou cada vez mais fácil difundir a música sertaneja. A saída dos trabalhadores rurais em direção a cidade para trabalhar, também ajudou na difusão do estilo sertanejo. Com o dinheiro conquistado por essas pessoas, uma rede de consumo sólida surgiu e este estilo musical ganhou caráter comercial. Ela foi para as rádios antes da televisão e hoje podemos encontrar redes radiofônicas que tocam exclusivamente o sertanejo, como a Clube e a Mass FM em Curitiba, segmentando o seu grupo. Na TV, após sua presença em programas matutinos e em trilhas de novela, também ganhou um espaço segmentado e único, como o Viola, Minha Viola, que está desde 1980 sendo transmitido sem interrupções, com um cenário que lembra o campo e as fazendas, reforçando a temática sertaneja. No cinema, podemos encontrar filmes como O menino da Porteira e Dois filhos de Francisco, sucesso de bilheteria e ícones da cultura rural neste meio.

A relação com a Teoria Crítica e Indústria Cultural

Podemos relacionar a música sertaneja com as teorias de Adorno e Horkheimer, a partir das seguintes situações: O trabalho feito pelo homem para conquistar seu recurso financeiro, os fazem subordinados e parte do mercado capitalista. Com a segmentação e produção em escala da música sertaneja, mais pessoas a consomem, usando então este recurso financeiro para fazer girar a economia centrada na cultura e que enriquece apenas um determinado grupo.  A Outra situação, esta bem mais clara e evidente, é a que se relaciona com a idéia apresentada na teoria crítica de que com a reprodução técnica, a obra de arte perde a sua aura, o seu caráter mágico, de culto. Foi assim com a essência da música sertaneja, totalmente rural, regional e feita por pessoas ligada ao campo e que ao longo dos anos, com a modernização técnica, perdeu sua identidada e é feita hoje sem a mesma emoção e originalidade de antigamente.

Embasamento Teórico

Para finalizar, vamos usar 4 conceitos do musicólogo suéco Krister Malm em seu estudo sobre a interação entre a cultura musical e a produção industrial, em relação ao sertanejo.

1. Troca cultural, que ocorre no nível pessoal com o contato informal. Na música sertaneja este processo é comum na sua primeira fase, a da música sertaneja raiz, período de consolidação do gênero e também na sua fase de transição quando guarânias e polcas paraguaias são adaptadas ao estilo, em grande parte através da circulação de músicos nos circuitos de circo na região sudoeste/sudeste brasileira e Paraguai.
2. Dominação cultural, quando uma cultura se impõe a outra numa maneira mais ou menos organizada, como a sertaneja no meio urbano.
3. Imperialismo cultural, onde o processo de dominação é aumentado pela transferência de recursos do grupo dominado para o dominante, como no caso de copyright, lucro e músicos talentosos.
4. Transculturação, combinação de elementos estilísticos heterogêneos, dentro do sistema industrial, com o objetivo da criação de estilos musicais, que sejam o menor denominador comum, para o maior mercado possível. Na música sertaneja ocorre transculturação no caso da balada internacional, que é muito utilizada na fase moderna do gênero, a partir de 1980.

Jornalismo (Manhã), 3°período: Caio Henrique Rocha, Flávio Darin, Marcos Garcia, Marcio Kaviski, Pedro Domingues e Rafaela Bez.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O Samba e a Indústria Cultural


A indústria cultural tem como atitude a transformação do indivíduo em um simples objeto, que deve consumir a cultura divulgada nos meios de comunicação. Nesse ponto, a música, arte com um grande poder de atração para os seres humanos, ocupa um espaço importante na indústria cultural. Nesse ponto, o Samba, gênero musical extremamente popular no Brasil, se enquadra nesse aspecto.

Os filósofos frankfurtianos  Adorno e Horkheimer  concluíram que a industria cultural não tem a intenção de levantar questões, pois estas geram dúvidas e uma certa consciência crítica na sociedade. O que faz a indústria cultural é promover a cultura como consumo; o indivíduo é objeto, e deve consumir a cultura oferecida.

Dessa forma, o samba tem a característica de tornar “consumível” o estereótipo do “brasileiro comum”. Esse padrão tem origem no Rio de Janeiro, onde o samba ganhou sua forma mais popular: O malandro, vindo dos morros, pobre e com a moral discutível, é romantizado e vendido como o espírito carioca de ser, e a um nível mais globalizado, o espírito brasileiro.

Obviamente, nem todos os brasileiros vivem assim, dada a diversidade de culturas. Nesse ponto encaixa-se outra questão levantada pelos frankfurtianos: os meios de comunicação contribuem ativamente para o consumo da cultura. Considerando a força econômica de Rio e São Paulo e a origem da maior emissora de televisão (Rede Globo) ser no Rio de Janeiro, influencia na massificação de qualquer coisa. No caso do samba, a identificação das camadas menos favorecidas e a romantização dos estereótipos trouxe ao samba uma popularidade e status de referência musical, que levou inclusive à influência em outros gêneros musicais brasileiros, como a Bossa Nova e a MPB.

Assim, a presença da indústria cultural no samba se dá pela combinação entre identificação do público com o gênero e a exaltação ao estereótipo, que mesmo imperfeito e alienado á condição geral da sociedade, é visto com simpatia, tornando o samba sempre rentável para o consumo. 

Jornalismo (Manhã), 3°período: Heron Torquato, João Pedro Alves, Kamilla Ferreira, Leticia Duarte e Paulo Semicek

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Pop Rock e Adorno


     O Pop Rock, que surgiu nos anos 50 e não se espalhou em grande escala devido a uma resistência do jazz, começa aumentar seu público com cantores como Elvis Presley e Bill Halley.  Aos poucos, o ritmo foi conquistando a simpatia dos jovens e seus admiradores e, foi então que, na década de 80 é criada a MTV, que direciona sua transmissão ao Pop Rock e consagra ele de vez na história. Desde essa época o ritmo teve várias mudanças, tanto em seu estilo quanto as suas letras. Apesar de possui certo caráter social encontrado no Rock em geral, também encontram-se nele letras de amor ou do dia a dia.
     A mudança do Pop Rock no decorrer das décadas foi de acordo com o gosto do público e veio da necessidade das gravadoras de vender. Portanto, fazendo uma relação com Adorno, pode-se inferir que a indústria cultural deste ritmo preocupou-se apenas em vender. A essência foi se perdendo quanto as gravadoras visavam apenas o lucro, e o ritmo, a sonoridade e até as letras foram se modificando. O público não gostava mais de ouvir sobre guerras e problemas, e sim sobre romances e histórias de amor. Pode-se dizer então, que o Pop Rock se adequou a sociedade.Temos como exemplo várias bandas que foram adaptando seus estilos e padrões musicais, de acordo com a vontade do mercado, ou seja, oferecem o que o público quer e irá consumir.
      Segundo o texto “O fetichismo na música e a regressão da audição”, de Adorno, está presente na música determinados padrões de repetição estética, que pode ser analisado no Pop Rock com relação a sonoridade das músicas. Porém, em contraponto, essa repetição e padronização não pode ser encontrada nas letras e no conteúdo em si que é retratado na canção. Como já dito, houve uma mudança do Pop Rock de acordo com o gosto da sociedade e as letras, que antes retratavam mais assuntos como guerras e causas sociais e políticas, agora retratam também sobre o cotidiano e romances. A padronização citada por Adorno, pode ser inferida nestas duas situações dentro do ritmo: sonoridade e conteúdo. 
Exemplos de Popo Rock: 





Jornalismo - Manhã - 3º Período 
Bianca Luiza Thomé, Carolina Cachel, Letícia da Rosa e Mayara Duarte

domingo, 10 de junho de 2012

Jazz e Indústria Cultural


Segundo Adorno, na Indústria Cultural, tudo se torna negócio. Enquanto negócios, seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais. Um exemplo disso, dirá ele, é o cinema. O que antes era um mecanismo de lazer, ou seja, uma arte, agora se tornou um meio eficaz de manipulação. Portanto, podemos dizer que a Indústria Cultural traz consigo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel especifico, qual seja, o de portadora da ideologia dominante, a qual outorga sentido a todo o sistema.

Conta a história, que tudo o que foi produzido no mundo até hoje, tinha o propósito, quase exclusivo, de gerar lucros. Para isso, a indústria mercantil se encontra ‘obrigada’ a atender a demanda de produzir o que o povo quer (povo aqui condiz com o ser humano, sem referência a classes sociais). Logo, com a música não seria diferente. O ‘modismo’ chegou e se instaurou no mundo de uma forma tão eloquente, que pouco foi questionado, até que Theodoro Adorno e Max Horkheimer pregam que a autonomia e poder critico das obras artísticas derivam de sua oposição à sociedade.

Para estes filósofos, “a cultural é industrial” ou “indústria cultural”, como preferirem. A arte é e sempre foi tratada simplesmente como objeto de mercadoria? Este questionamento concebido no estudo feito por Adorno e Horkheimer serviu para provar que o mundo estava/está desencorajado e acrítico. Pois esse novo modismo desencoraja o esforço pessoal pela posse de uma nova experiência estética. As pessoas procuram apenas o conhecido, o já experimentado. A esse ‘regresso’ social, cunhou-se o nome de Indústria Cultural. Essa indústria, que visa produzir – frequentemente em massa e para a massa, prejudica a arte séria, neutralizando sua crítica a sociedade.

Com o ritmo Jazz, não poderia ser diferente, originária dos Estados Unidos, o Jazz é uma manifestação artístico-musical. Se desenvolveu com a mistura de várias tradições musicais, em particular a afro-americana. O seu ápice cultural ocorreu no século XX na região de Nova Orleans. “Nos anos 30 o Jazz era considerado uma música popular apreciada e dançada pela maioria do público tanto que o período ficou conhecido como a Era do Swing, devido principalmente à ascensão das Big Bands, que faziam uma música muito voltada à Dança.” Mas Como na maioria das artes, o Jazz sofreu mudanças radicais no pós-guerra, principalmente pelo aparecimento de um grupo de músicos inconformados com as simples harmonias e improvisos da Era do Swing.

De acordo com Patrícia Burrowes, autora do texto Cinema, entretenimento e consumo: uma história de amor, “Um dos princípios do marketing é associar os produtos e serviços de uma empresa e, atualmente, sobretudo sua marca, a experiências emocionalmente favoráveis do público.” As musicas sofreram essas mudanças, hoje músicas sem conteúdo estão com maior audiência, do que aquelas que realmente tinham algum significado em suas letras.

Concluímos que, as afirmações de que o mundo capitalista passou a tratar Arte como mero produto à venda, de Adorno e Horkheimer infelizmente, é verídica até mesmo antes de ser firmada. A música têm se tornado cada vez produtos obsoletos como qualquer coisa. Fazendo dessa arte cultural uma medíocre popularização inesgotável de vulgaridades e dizendo de boca cheia: estamos produzindo o que o povo quer!
O Jazz? Ah o Jazz... não se ouve mais jazz.


Grupo:
Ariane Priori
Bianca Santos
Samara Macedo

MPB e Indústria Cultural


A partir dos anos 60 a indústria musical no Brasil se desenvolveu e caracterizou alguns gêneros musicais conhecidos até hoje. Dentre eles, a MPB consolidou-se como um dos mais distintos, tanto nas peculiaridades em sua formação quanto em seu caráter revolucionário.
A MPB valoriza o “autêntico”, procura fugir da massificação da música industrializada e vai de encontro às raízes populares, sem abrir mão da experimentação.

 
Dentre os momentos cruciais no desenvolvimento do gênero, se destacam a bossa nova, a canção de protesto e o tropicalismo. Todos esses momentos estavam atrelados a uma proposta mercadológica – ou à venda de uma ideia ou ideal – sempre atrelada a outros processos.
Os meios de comunicação, como o rádio e a TV, que ainda experimentavam a melhor maneira de transmitir os produtos culturais, foram grandes promotores da MPB. Provavelmente por isso, a popularização do gênero acontece a partir da classe média, distinguindo-se claramente dos ritmos populares – das classes mais baixas. A bossa nova intelectualiza as letras e traz arranjos requintados, produzidos por intelectuais e jovens pensantes.
Desde 1960, os selos independentes e também as grandes gravadoras internacionais brigavam pela bossa nova desde sua criação, que mostrou-se rentável devido a grande venda de LPs.
Com a chegada do AI-5 a MPB passa a se destacar pela chamada canção de protesto. O foco se desvia da classe média e parte aos universitários engajados contra o regime. Nessa fase, a música popular se torna avessa ao aspecto comercial tendo, entretanto, grande destaque pelas emissoras de TV.
Os festivais de música tiveram papel fundamental na popularização da MPB. Durante toda a década de 60 diversos eventos foram realizados em teatros, estádios e em programas de televisão, consolidando o ritmo e consagrando artistas que se tornariam lendários. Esses festivais, além de demonstrarem a aprovação/reprovação do público, eram oportunidades para que as gravadoras buscassem potenciais artistas para seus próximos álbuns.
Já a tropicália engloba novidades ao ritmo e acrescenta à MPB a característica comercial. A música produzida a partir daqui busca ir de encontro à estética do movimento, mas procura melhorar os pontos falhos para a comercialização do produto. Visto como uma fase de transição entre o nacionalismo para a cultura de mercado, o tropicalismo busca injetar no meio cultural uma dose de criticismo que iria se estender pelas décadas seguintes, influenciando as novas gerações de músicos.


Equipe:
Daniela Hendler
Guilherme Zuchetti
Laiana P V Vieira
Tamires Favaro 
Jornalismo - Noturno

Futebol e Indústria Cultural


No inicio da década de 20, o futebol no Brasil, começou a ser praticado pelas camadas mais humildes, operários, negros e mulatos. Os mesmos começaram a jogar nos clubes de futebol e na maioria das vezes destacava-se mais que os brancos. Segundo SILVA; CHAVEIRO (2010) no Brasil o futebol é efetivamente um instrumento direto da construção do espírito nacional. Em virtude disso torna-se evidente o poder que o futebol conquistou ao longo de sua história no território brasileiro, a bola aqui não para.


O futebol é um negocio milionário, inúmeras empresas investem milhões de reais nesse esporte, principalmente para pagar os altos salários recebidos pelos jogadores de futebol na atualidade, por esse motivo milhares de jovens e suas famílias vêem no futebol um meio de ascensão social, deixando de lado os estudos.

Neste caso a indústria cultural forma um sistema para gerar lucros através de campanhas publicitárias, usando jogadores de futebol para divulgação de seus produtos que muitas vezes não são voltados para o público esportivo.

Segundo Teitelbaum (1997), o marketing esportivo parte de um a troca entre três partes numa relação de benefícios mútuos. São elas o investidor/patrocinador (marcas), os atores do esporte (equipes, clubes, atletas, confederações e o consumidor de esporte (público interessado, aficionados, torcedores).

                                    Comercial da empresa Claro tendo como protagonista o jogador Neymar

Alunos: Aline Valkiu, Diego Laska, João Paulo, Raissa Melo.



Teoria Crítica e o Reggae


No final da década de 60, na Jamaica, surge o Reggae Music, junção dos ritmos ska e rocksteady. Marcado pela leveza e suavidade do som, e letras que tem como mote a transcendência do ser, o chamado “reggae ortodoxo”, que se preocupa em juntar elementos da religião rastafári, com as letras que são marcadas pela presença de sentidos e sentimentos religiosos. Chegou ao Brasil, em 1970, trazido por Gilberto Gil, que foi muito influenciado pelo ritmo em Londres, onde passou alguns anos em que esteve exilado. Ao voltar ao Brasil, ele gravou a música “Back in Bahia”, que apesar de não ser uma letra “ortodoxa”, e de alguns arranjos de rock'n'roll, ou transcendental, iniciou o reggae no Brasil.
A partir daí o reggae no Brasil, tomou outro rumo, e suas letras além de ter letras marcadas ela religiosidade, também ganharam temas como contestação social e crítica ao sistema capitalista. Alguns exemplos de bandas que tem esse tom de “rebeldia” em suas letras são: Mato Seco, Arma de Jah, Ponto de Equilíbrio, Maneva. Bandas pouco conhecidas, e que surgiram todas na década de 90.
Uma das principais críticas do reggae na sociedade brasileira atual, são os noticiários sensacionalistas e sanguinários, que prendem a atenção da população, enquanto eles são manipulados e engolidos pelo sistema capitalista.
Para o antropólogo francês Philippe Joron, a televisão brasileira é realmente um circo, onde o que chama atenção da população, são os noticiários que tratam a violência como espetáculo.
Tirando conclusões um pouco hipodérmicas, nosso grupo concluiu que caso a televisão, por exemplo, resolvesse alavancar a carreira de bandas que contestam o sistema e a mídia, esse monopólio da violência que eles tem, se acabe. Então é mais cômodo ter uma música de contestação tocando para meia dúzia de “pseudo-revolucionários”, e nas rádios tocar “tchã-tcha-tchá”. Música sem conteúdo, mais de fácil manipulação.Como já foi colocado por Freud:
O Estado proíbe o indivíduo à utilização, o uso da violência. E por que o Estado proíbe o uso desta violência? Porque ele realmente quer o monopólio desta violência. Assim como ele quer, por exemplo, ainda citando Freud, o monopólio do álcool e do tabaco.”

Para ilustrar, aqui segue uma playlist, com algumas músicas em que a crítica à televisão fica bem evidente:

  • Arma de Jah - Realidades Virtuais
  • Ponto de Equilíbrio - Ditadura da Televisão
  • Mato Seco - Não adianta correr
  • Maneva: Cabelo Pixaim

EQUIPE:
- Harianna Silva
- Isabela Bandeira
- Helena Bianchi
- Nivia Maria Kureke.



O Pop na Indústria Cultural

O termo "canção do pop" tem registro do ano de 1926, no sentido de uma obra musical "com um apelo popular" e durante o seu desenvolvimento acabou por sofrer influência da grande maioria dos outros gêneros populares.
Atualmente, 86 anos após o seu surgimento o pop continua seguindo o caminho dos fins comerciais. Optando por canções simples e curtas que consigam conquistar a massa com sua liguagem fácil, sem poesia e seus rítimos dançantes. Assim sendo, quanto maior o número de pessoas que gostarem das músicas pop, melhor será para aqueles que delas sobrevivem.
É por isso que o pop encaixa-se tão bem na Indústria Cultural. Uma Indústria que, segundo Adorno transforma tudo em negócios e possui fins comerciais que são realizados por meio de uma sistemática e programada exploração de bens considerados culturais. Portanto, podemos dizer que a Indústria Cultural traz consigo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel específico, qual seja, o de portadora da ideologia dominante, a qual outorga sentido a todo o sistema. Dessa forma, "ditando modas" o estilo pop segue, juntamente com essa indústria modelando cada vez mais a população de acordo com aquilo que lhes é favorável. Assim, é cada vez mais comum o homem ser visto como um mero consumidor e este, não tem mais a necessidade de pensar e refletir, sua tarefa é apenas escolher. E essa escolha, obviamente será feita de acordo com aquilo que vem sendo ditado pela massa da Indústria Cultural.

Jéssica Fernanda
Lais Capriotti
Letícia Moreira

sábado, 9 de junho de 2012

Teoria Crítica e a Música Popular Brasileira

A música popular brasileira (MPB) tem algumas características apontadas pela teoria crítica, a qual analisa a música como um produto de venda, a música na indústria cultural. Essas características são demonstradas quando as composições (letras) relatam temas amorosos, ou a sensualidade da mulher, por exemplo. A única diferença dessas canções na MPB com os outros ritmos, é que são letras menos banalizadas, o conteúdo e tratado de outra maneira. E o público absorve as canções para si, e a consomem, exatamente como a indústria quer, que a música simplesmente tenha saída, venda. Não importando se é uma das composições de Vinícius de Moraes, ou qualquer outro compositor da geração, que escreve coisas sem nexo algum, e atrai um público que nem sabe o porquê canta determinada música.
Mas em contra partida, o ritmo MPB tem algo diferenciado. Algumas de suas letras querem passar alguma informação, ir contra algo, e esses são os casos de músicas compostas durante ditadura militar, que iam contra o governo da época, por isso foram censuradas. Mas nessas composições, o ouvinte tem que entender o contexto em que foram criadas, o que acontecia na época, pois caso ao contrário não vai conseguir absorver nenhuma informação. Entende e compreende quem tem bagagem cultural.
Mesmo com essa ramificação do estilo, o que podemos concluir e que para a indústria, não faz diferença alguma. Todas as músicas são vistas iguais, por que servem para a mesma coisa: Vender. Por isso atualmente, encontramos tantas letras que não passam nada, mas vendem, são os produtos que o mercado deseja.

Grupo:
Ana Luiza Souza
Bruna Habinoski
Cecília Moura

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Indústria Cultural – Cinema (gênero drama)


Em um mundo cada vez mais moderno e com diversas opções, fica mais difícil encontrar a originalidade. Quando falamos em produtos, então, a originalidade precisa ser aliada ao lucro. Indo mais além, quando falamos em obras de artes – que também podem (ou não) serem produtos – a originalidade precisa acompanhar o lucro, que precisa acompanhar a ousadia de alguém que esteja disposto a arriscar sair do lugar comum. Alguém que saia da padronização. Alguém que preze pela qualidade. Mas será que, hoje, é possível criar produtos que atendam a esses requisitos?

A arte está morta, dizem os pessimistas. Theodor Adorno foi categórico ao afirmar que “de cada ida ao cinema, apesar de todo o cuidado e atenção, saio mais estúpido e pior”. Inicialmente, o cinema entregava ao seu público imagens (sem sons) do cotidiano. Crianças brincando, uma família tradicional almoçando, um trem andando. Situações que poderiam ser vivencias por todos, mas que fascinavam as pessoas. Em 1914, o público americano chegou a quase 50 milhões de espectadores, número que dobrou na década de quarenta e início da década de 50, período considerado como era ouro do cinema produzido em Hollywood.

 (Cena do aclamado "Beleza Americana": uma sátira das noções da classe média americana sobre beleza e satisfação pessoal)

Os gêneros de filmes são produzidos para segmentar e atrair certo tipo de público. A formação de uma divisão de filmes por categorias é uma estratégia da indústria cultural. São através dessas variedades que a indústria articula seus produtos, podendo, assim, direcionar os seus respectivos alvos. Atualmente, é raro um filme que se firme em apenas um gênero, mesclando comédia com drama – ou dramédia –, terror com comédia e diversos outros. Já se tornou um padrão. Em relação ao drama, a seriedade do gênero é o que motiva as pessoas a irem ao cinema. Silvia Borelli explica: “a existência, para além do contrato de leitura, de um pacto de recepção que prevê que o leitor/espectador mergulhe no fascínio das narrativas, das histórias, enredos, façanhas e personagens, “reconhecendo” esse ou aquele gênero, falando sobre suas especificidades, mesmo que ignore as regras de usa produção, gramática e funcionamento”.

O público procura se reconhecer através da tela e a indústria sabe disso. Para o drama, artifícios são postos ao longo do caminho para que a platéia entenda que, naquele momento, você precisa se emocionar. Assim, todos saem com a grande conclusão de que aquela obra e é emocionante.
É claro que existem vários filmes (a maioria, não hollywoodianos) que prezam por não cair no clichê, para alcançar um público que pense ao invés de entregar tudo mastigado. Mas, infelizmente, é a exceção. Os blockbuster não são necessariamente ruins, mas a repetição de filmes que só visam o lucro é que faz acreditar que a arte está morta.

Alunos: Mariana D'Alberto El-Fazary, Raffaela S. Porcote e Rodrigo de Lorenzi Oliveira


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Blues e a Indústria Cultural


              Não existe uma data específica para o inicio do blues, se sabe somente que começou antes de 1900, na África, a partir do canto dos escravos negros nas plantações de algodão. Muitas pessoas acreditam que o Blues começou nos Estados Unidos, mas, ele apenas se consolidou e ficou conhecido no território norte americano. Inicialmente era só vocal e somente após algum tempo é que foi adicionada a melodia a esses cantos, porém o conhecimento musical era escasso e a vocalização ainda era muito presente. Com o passar do tempo foram criados padrões de harmonia tal como o famoso blues de 12 compassos. 
              Começou a se tornar cultura popular nos Estados Unidos a partir da década de 30 a 40 sendo uma das musicas mais populares, que todos ouviam e tinham acesso. Muitos cantores se consagraram nessa época e mesmo após o surgimento de outros estilos ainda conseguiram manter sua consagração.Nos anos 50, Chicago era um dos pontos de encontro do blues eletrificado, estilo que se caracterizava através do uso de amplificadores. Entre as décadas de 60 e 70 o blues se expandiu pelo mundo deixando de ser apenas um ritmo americano. E nesta época foi criada a chamara “invasão britânica”, onde várias bandas de rock da época começaram a tocar blues de uma forma diferente, o chamado British Blues.
              O Blues serviu de inspiração para estilos musicais como o Rock, o Jazz, Soul, e que muitas ramificações do Blues surgiram para atender as necessidades do novo público que ia surgindo.A cultura de massa, segundo o filósofo contemporâneo Edgar Morin forma um complexo industrial, produtos fabricados na medida certa, definidos e padronizados para o consumo em larga escala com a utilização dos meios de comunicação (rádio, TV, cinema, internet) para sua divulgação. O Blues porém, não pode ser visto como um dos mais requisitados da indústria cultural. Embora, seja caracterizado como um produto de massa, pelo simples fato de passar pelo sistema de produção fonográfica. 


Camila Modena, Francisco Mallmann, Hellen Albuquerque, Laura Nicolli e Victor Hugo. 


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Indústria Cultural – Cinema (gênero comédia)

Cena de "Tempos Modernos" (1936) de Charles Chaplin: o homem em cheque.

É possível observar que em “Tempos Modernos”, de 1936, Charles Chaplin já tecia fortes críticas ao capitalismo e à alienação do homem pelo trabalho maquinal. Talvez sem saber, o cineasta britânico tratou de uma questão, por meio da arte, que seria objeto de estudo, mais de uma década depois, dos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer. Ambos, membros da Escola de Frankfurt, abordaram o panorama da indústria cultural pela primeira vez no ensaio “Dialética do Esclarecimento”, publicado em 1947.

As reflexões de Adorno e Horkheimer referiam-se a como a realidade capitalista passou a tratar da arte como mera mercadoria. Além da falta de conteúdo, ou ainda, excesso de cultura inútil, mastigada, que fazia só minimizar o intelecto de seus consumidores, a distribuição em massa de tais conteúdos tirava-lhes a aura culta.

No cinema – “O cinema e o rádio não têm mais necessidade de serem empacotados como arte. A verdade de que nada são além de negócios lhes serve de ideologia. Esta deverá legitimar o lixo que produzem de propósito. O cinema e o rádio se auto definem como indústrias, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretoresgerais tiram qualquer dúvida sobre a necessidade social de seus produtos”. (ADORNO, Theodor W: Indústria Cultural e Sociedade. 5. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002).

A produção cinematográfica em larga escala vai de encontro aos estudos de Adorno e Horkheimer quanto à indústria cultural. O capitalismo revela a cultura como mercadoria, a partir do momento em que fazer um filme torna-se sinônimo de tecer uma colcha dedicada às preferências do espectador. O mero entretenimento que leva as pessoas à frente das telonas para apenas relaxarem e apresenta-as temas clichês, vazios.

A comédia – A ação da indústria cultural incute a ideia de que filmes do gênero comédia tem por objetivo único fazer rir as pessoas. Não que isso esteja errado, mas diante das cabeças preguiçosas surgidas do entretenimento fácil, o humor passou a apresentar-se de maneira escrachada. Além do que a produção frenética ocasiona uma ausência de identidade, ou seja, a estrutura padronizada do enredo passa a fazer os filmes parecerem todos iguais. Filmes como “Todo Mundo Em Pânico” (Scary Movie, EUA, 2000) e “Deu a Louca em Hollywood” (Epic Movie, EUA, 2007) são exemplos de espetáculos de culto ao ridículo. Por outro lado, o humor refinado, presente em produções como “All My Friends II” (Amici Miei Atto II, Itália, 1982), de Mario Monicelli, fica em desuso.

Felipe Raicoski, Rafaela Gabardo e Renan Machado - Jornalismo Noturno